domingo, 25 de setembro de 2016

Livros- Os Bruzundangas- Lima Barreto




O livro indicado pelo Grupo de Leitura fez-me retornar à Lima Barreto, de quem já tinha lido o "Triste Fim de Policarpo Quaresma".
O livro traz crônicas satíricas sobre os mais diversos temas do imaginário país da Bruzundanga.
Assim como em "Triste fim" a atualidade é assustadora nos deixando algo entristecidos por estarmos em repetição de erros, o que nos faz questionar sobre como mudar. Como sair do círculo vicioso? Há saída?
Se não há, apreciemos o humor de Lima Barreto, que a meu ver, neste livro, veio em excesso.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Voluntariando

Riocentro- meu local de trabalho

a turma

hora da bóia

riocentro

com a guarda nacional

equipamento de trabalho



Voluntariando

Lamentavelmente minha temporada de voluntária foi abreviada por um problema de saúde na família, mas o pouco que fiz deixou em mim a plena certeza de utilidade,  deu-me uma fortaleza que já foi requisitada, aprimorou-me pela experiência de novos fazeres, deixou em mim muitos pontos de luz, palpitantes ideias, e a sensação de pertencimento ao coletivo humano.
Feliz por tudo e atenta ao que virá!
Sobre minha jornada já escrevi aqui, agora direi sobre o trabalho em si.
Trabalhei no Riocentro no Serviço de Eventos, EVS, e tive várias funções.
Havia um horário a cumprir, mas principalmente um trabalho a realizar.
Sistema que acredita na capacidade de cada um e no seu senso de responsabilidade.
Fiquei hospedada no Leme. Peguei metrô, linha 4, a nova linha criada para a Olimpíada, depois dois BRT, que é um ônibus articulado, também em linha especial para os clientes dos jogos , até a porta do Riocentro, mais caminhada até o último pavilhão, o 6, do boxe, onde ficava o meu local de trabalho.
Umas duas horas e trinta minutos para chegar.
Ao chegar ao Riocentro era feita a checagem da presença no dia.
Ali eram entregues os brindes, sempre uma surpresinha, um agrado,  relógio, pulseira, pin, convites para sorteio, água , protetor solar, repelente e o ticket relativo à alimentação do dia, almoço ou jantar, conforme o turno de trabalho.
Depois era hora de encontrar o líder da equipe no local de trabalho.
Ali era decidida qual a função do dia.
Controlei entradas como o leitor eletrônico, organizei filas, indiquei saída, ajudei a esvaziar o local de competição após o término do evento e trabalhei na entrada dos atletas e autoridades no controle de segurança, revista, raio x,  junto com o pessoal da guarda nacional.
Terminadas as competições do dia havia outra reunião como o líder para avaliar o trabalho e agradecer pela presença.
Depois disso era hora da bóia.
Comidinha boa, self service, com bebida não alcoólica e sobremesa.
Mesas longas com gente de todo lado.
Uma festa!!
Daí, mais duas horas e meia de condução de volta.
O trabalho era cansativo, mas a convivência com os outros voluntários, o desempenho da função, recepcionar muita gente, de todo tipo , toda idade, nacionalidade, famílias, perceber-lhes as necessidades e tentar atendê-las foi algo sensacional.
Usei minhas habilidades primordiais, o sorriso, a disposição e a alegria , as adquiridas como o trabalho em equipe, que já realizava nos mutirões do meu tempo de prefeitura,  e o conhecimento de língua estrangeira.
Tenho a certeza de que contribuí positivamente para o sucesso do evento.
Quanto à equipe de voluntários, tenho-os como irmãos dos quais mal sei o nome e os quais, talvez, nunca mais veja.
Foram paraenses, baianos, curitibanos, cearenses, paulistas e cariocas junto com os estrangeiros, um chinês, uma eslovena, um americano e um inglês.
Compromisso, responsabilidade, espírito cooperativo e de equipe foram alguns dos atributos desta turma .
Fora estes havia os das redes sociais nos mais diversos grupos, todos com a mesmo desejo de partilhar experiências, agregar, fazer amizade, ser útil e assim aconteceu.
Formou-se uma rede de proteção e auxílio , onde um queria saber do outro, orientava em trajetos e transportes, oferecia carona, ajudava a achar hospedagem, pedia e oferecia companhia para programas extra trabalho. Sim, tínhamos algumas folgas.
Eram anjos no caminho!
Gente inesquecível!!
Momentos inesquecíveis!!
Usar o uniforme de voluntário significa colocar-se a serviço mesmo fora do seu horário.
Assim, meu trabalho começava antes do horário, ainda no caminho, guiando turistas que iam na minha direção, mais uma deliciosa atribuição extra oficilal, retribuída com mimos por eles, além da boa oportunidade de conhecer gente boa e feliz por estar ali.
O clima era de tranquilidade, os jogos foram frequentados por famílias brasileiras e estrangeiras, idosos, crianças e até bebês.
A mistura de gente de todo o planeta no mesmo lugar, usando o mesmo meio de transporte, o público e simples, traz a oportunidade de observação dos diversos tipos humanos, gente bonita, exótica, jovens, gente diferente e mesmo assim bem igual a gente.

Amei e quero mais!!!!

domingo, 18 de setembro de 2016

Livros- O Menino de um Braço Só- Alexandre Azevedo- Antonio Carlos Tórtoro e Renato Andrade



Baseado em uma história real de Antonio Carlos Tórtoro, o Menino é um livro otimista que leva o leitor a pensar numa nova maneira de encarar o novo sem ignorar a dificuldade da novidade.
O bom texto de Alexandre Azevedo, rimado, ritmado e as boas ilustrações de Renato Andrade.
Sucesso garantido!!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A Olimpíada do Rio

Bulevar Olímpico


Anéis Olímpicos na praia de Copacabana
Pira Olímpica no Bulevar

arena de volei de praia em Copacabana


A Olimpíada do Rio de Janeiro

Amigos, caso tenhamos qualquer evento de nível mundial, assim festivo, do bem, aceitem meu conselho e participem.
Muito se falou e outro tanto vai se falar da olimpíada do Rio de Janeiro, mas não há como negar o papel histórico deste evento.
E sim, fizemos uma bela história!!
Bom, quem me conhece sabe que não sou muito de esporte, mas ser voluntária e espectadora nos jogos olímpicos me fez começar a entender esta paixão que move milhares de pessoas de todos os cantos do planeta.
Falemos do Rio.
O Rio é uma linda cidade e acho que nunca a tinha visto como a vi.
Tenho parentes no Rio, recordações de meninota e depois de “grande” estive lá acompanhando o marido num evento científico, em passeio bem restrito nos obrigatórios pontos turísticos, Urca, Pão de açúcar, Cristo.
No lenga lenga das decisões sobre destinos de férias o Rio era excluído por muitos motivos.
Por isso, deste vez, pude viver, um pouquinho , o Rio e confesso-me apaixonada.
Não vejo a hora de voltar!!!
Depois de tanto tempo sem ir ao Rio, estive por lá quatro vezes em menos de dois meses, de ônibus , maneira econômica e rápida sem necessidade de muito planejamento , hospedando-me pelo sistema de hospedagem em espaços particulares, airbnb, com quase total sucesso, saindo algumas vezes da minha própria cidade, outras de São Paulo, e até em esquema de bate e volta.
Tudo isso tornou o Rio muito próximo.
A cidade é linda , de natureza variada e exuberante, em total acordo com a vibração esportiva, porque, mesmo que não seja olimpíada, os esportes são praticados por toda cidade em espaços públicos abençoados pelas belezas naturais, pelo sol e pelo luar, já que a cidade não para .
O carioca tem a essência brasileira, receptivo, simpático e disposto a ajudar, criando uma intimidade imediata de velhos conhecidos.
A cidade estava limpa, não perfeita.
Os novos equipamentos foram colocados em uso mesmo incompletos, e funcionaram.
Havia muito policiamento para garantir a segurança e penso que houve acordos com os agentes do crime organizado o que resultou em grande tranquilidade.
O policiamento foi feito pelo exército que, em grupos, ocupou as esquinas dos locais mais frequentados, chegando a incomodar alguns com a ostentação de  armamento, coisa que não para nós não é habitual, mas que foi totalmente eficiente.
Estrangeiro no Rio não é novidade, mas desta vez era algo institucional, não era opção estar no Rio e sim uma circunstância para os envolvidos com os jogos, por isso a qualidade da recepção tinha que ser boa, para apresentar uma boa imagem aos que vieram e criar nestes o desejo de voltar.
O Rio já tem sua imagem de lugar exótico e informal fixada no inconsciente coletivo, junto com as imagens divulgadas pela televisão e cinema, paisagens conhecidas, acontecimentos de violência policial.
Tudo isso o turista reconhece no Rio, as praias, a gente bonita e feliz, patrulha policial ao pé do morro da favela, a música , o clima de permanente festa.
Alguns cenários serão inesquecíveis como a praia de Copacabana, palco da Arena de vôlei de praia, ali, bem em frente à avenida Princesa Isabel, na divisa com o Leme, os aros olímpicos em frente ao Copacabana Palace.
Muita gente junta o tempo todo sem confusão.
O magnífico Bulevar Olímpico, um presente para a cidade, que foi o lugar da pira olímpica no coração do centro histórico, perto da Candelária, o museu do amanhã, o porto, os armazéns, o VLT!!!!!
Tudo de bom!!!
Já a nova linha do metrô para a Barra da Tijuca vai aliviar muito a vida do carioca.
Êta lugar longe !!!
Bem, e foi este lugar longe que abrigou a vila olímpica  e o parque olímpico sede de muitas competições.
Por medida de segurança o trânsito foi fechado nos arredores dos equipamentos olímpicos e o acesso foi garantido e recomendado por transporte público.
O sistema integrado de transporte ficou a desejar por falta de informação objetiva, embora houvesse muito pessoal de informação disponível para quem falasse português.
Houve queixas sobre a pouca comunicação em inglês, e por não estar plenamente disponível em horários tardios e nos muitos feriados decretados pelo governo para contornar os possíveis problemas de trânsito na cidade.
Mas, graças ao espírito amigável e cooperativo reinante, todos chegaram aos seus destinos.
Não estive em todos os locais de competição, mas nos que estive percebi-os muito bem montados, exibindo o colorido que caracterizou esta edição dos jogos.
Outra coisa observada, apesar de todos os cuidados para acessibilidade e  inclusão tomados, foi que as distâncias a serem percorridas eram sempre muito grandes, cansando os espectadores que por isso , muitas vezes, faziam jus à medalhas olímpicas.
Não sei, também, se esta é uma característica comum aos grandes eventos, mas era muito trabalhoso chegar aos locais.
Dentro dos locais as comodidades básicas e poucas, mas suficientes, de comida ,bebida,  sanitários e água. Salvo raríssimas exceções.
Um batalhão de funcionários e outro de voluntários fizeram  acontecer e o planejamento não deve ter sido tarefa fácil.
Por isso, estamos todos de parabéns!!
Não saiu perfeito, soubemos de algumas intercorrências, mas nada perto do caos que alguns  esperavam.
Provamos que somos capazes, que podemos ser mais e melhores, basta que tenhamos  vontade e busquemos a união de forças rumo ao objetivo comum.
Sim!! Podemos quando queremos!!!



domingo, 11 de setembro de 2016

Livros- Lírica Abissal- Alex Dias




Até que enfim, Alex Dias em livro solo.
Do jeito dele, sem títulos ou maiúsculas e bem ele.
Uma felicidade para quem o conhece há tempos.
Uma felicidade para quem vai conhecê-lo.

" sim,
asas.

um voo indômito,
solitário.
nenhuma certeza, ou
querência.
pouso, sequer presença.

nenhuma espera,
e o tempo
que(só) passa:
uma ausência

já quase sem nome,

um sol(só) indubitável,
labirinto de luz
entre sombras,
o passado:

campo escasso
para pés cansados.

(só)

sim, "


Sequela olímpica



Amigos, ninguém sai ileso de uma experiência destas e devo confessar que apresento sequelas desta temporada olímpica.
Muito cedo para dizer se serão permanentes, informação desimportante já que são de bom incômodo.
Vou lhes contar uma delas.
Foi na semana passada que percebi, ao ver a abertura dos jogos Paralímpicos.
Abro aqui os parênteses para comentá-los: O que que é isso!???
A abertura foi emoção pura e as competições tem sido lição de vida, tapa na cara, inspiração.
Reclame aí, quem tem coragem, depois do exemplo de força e superação de cada participante dos  jogos Paralímpicos.
Cada um tem sua cruz.
Que o seu peso percebido, subjetivo, não seja maior do que seu peso absoluto.
Aprendamos a transformar esta cruz em asas.
Os competidores enfrentam os mesmos desafios de qualquer outro atleta , inclusive a falta de apoio oficial.
Olhar para eles e suas histórias faz com que pensemos na origem desta força e determinação, nesta busca do sonho, nestas coisas que se chamam " vida".
Fecha o parênteses.
A sequela.
Quando acontece a queima de fogos no Maracanã, me dá um frio na barriga, um nó na garganta e um aguaceiro nos olhos.
É como se eu estivesse lá, novamente, revivendo a boa emoção coletiva , o deslumbramento, a inesquecível beleza.
Desejo que todos tenham bons momentos em suas vidas que lhes deixem estas boas marcas.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Mimos de voluntária

Maracanã

pacto de sigilo

A festa!!




Continuando a saga.
Depois de pegar meu uniforme e credencial, não imaginava voltar ao Rio antes do início dos jogos, mas....
Recebi , via email, em cima da hora, o convite para ver o ensaio da abertura dos Jogos Olímpicos.
Quis não ir, mas a família questionou: Como não?
Maracanã, figurino, luz, som, Débora Colker e a oportunidade de ver tudo em primeiríssima mão, além de ver alguns voluntários atuando na posição que ocuparia, um treino, prévia de atuação?
Mas como fazer?!!
Era sexta à noite, eu em Ribeirão Preto, os ingressos teriam que ser retirados no sábado, e a cerimônia seria no domingo.
Os ingressos deveriam ser retirados pessoalmente  ou por intermédio de uma procuração.
Iniciei as tentativas.
Consultei os grupos da internet, whats, para saber quem estava indo retirar ingressos, sem sucesso.
Daí me lembrei que um amigo , que seria voluntário, ia ficar hospedado em um hostel em frente ao Maracanã.
Achei o amigo pelo face, o contato do hostel e o anjo proprietário ofereceu-se para ir buscar o ingresso para mim.
Talvez a primeira atitude de inacreditável bondade que encontrei pelo caminho.
Sim, houve outras milagrosas intervenções angelicais.
Todos os anjos estiveram de plantão, atentos e atuantes, creiam vocês ou não.
Passei a procuração para ele por email.
Ele confirmou a retirada do ingresso e eu peguei o ônibus em direção ao Rio, viajando a noite toda, chegando lá pela manhã.
Muito ceda para ir ao Maracanã. O anjo só estaria ali pelo início da tarde.
Passeei pelo Rio desacompanhada, em deliciosa solidão.
Ônibus, ruelas, lugares desejados, outros inesperados.
A alma grata e em êxtase.
Um lanche rápido no boteco do centro, em frente ao museu do amanhã, o ônibus certo e a chegada rápida ao destino.
Os anjos me receberam no conforto do seu lar, bem em frente aos portões do Maracanã.
Peguei o ingresso, deixei um presente, e a voz de meu coração enternecido.
Segui para cumprir o meu objetivo.
O Maracanã é um deslumbre, uma energia incrível.
Tudo organizado , em paz, e ordem.
A organização fez um acordo de sigilo com 30.000 pessoas, para que a surpresa da festa fosse mantida,  e ele foi cumprido.
Agimos como padres que guardam o segredo do confessionário.
Não divulgamos fotos , nem detalhes do evento.
Fiquei maravilhada com o que vi e orgulhosa do espetáculo que seria apresentado.
Ver ao vivo tem vantagens e desvantagens.
Na TV há a oportunidade de maiores detalhes e explicações.
No ensaio vimos tudo, figurinos, luz , som, todo o roteiro, menos as estrelas da festa, os artistas mais importantes e , logicamente, os atletas, que ali foram representados por pessoas sorteadas dentre o público.
Maravilhoso!!!
Emocionante!!!
Inesquecível!!!
A comoção é coletiva, a energia inexplicável!
O que a televisão não mostra, mostra de outro ângulo, e que é privilégio de quem está lá, é a queima de fogos, que cobre o céu do Maracanã, e se derrama como bênção sobre a platéia.
Terminada a festa, poupado o segredo do acendimento da pira, voltamos em paz como viemos, sem confusões, abençoados, cientes do privilégio de sermos olímpicos.


domingo, 4 de setembro de 2016

Livros- O mundo aos meus olhos- Rita Mourão



Livro de Rita em prosa com crônicas e pequenos contos e até algo sobre sua função de educadora.
É Rita Mourão em estado puro.
Sempre um prazer em conhecer.

sábado, 3 de setembro de 2016

Bienal 2016


a doutora poemologista de Barueri

Mestre Menalton e Roseli Braff




o "Notícias" sendo doado


Lá fui eu de novo, para mais uma Bienal.
Achei que desta vez nem conseguiria ir, mas dei lá um jeitinho e acabei indo durante a semana.
Dia relativamente tranquilo em comparação com os finais se semana caóticos no recinto.
Desta vez não fui expor os livros, nem os meus, nem os dos amigos da UBE, como nos dois últimos eventos.
Fui voo solo, dois exemplares do "Notícias" em mãos para eventual troca ou doação.
Cheguei, peguei minha credencial, impressa na hora em máquinas de auto atendimento super eficientes, e comecei o passeio.
Logo na entrada estandes gigantes de livrarias populares com títulos a 5 e 10 reais, extremamente sedutores à primeira vista.
Tentadoras quinquilharias produzindo bons resultados de vendas.
Algumas editoras com bons estandes, como a Saraiva, algumas menores juntas em parcerias, editoras das universidades, salões para palestras e autógrafos e eventos menores nas próprias editoras.
Submarino, Americanas e um grande estande do banco Itaú foram novidades.
Sesc com boa participação e espaços institucionais da Bienal.
Adorei o espaço que trata do uso da língua portuguesa, seus erros mais frequentes, nos quais todos incorremos em algum momento.
Estande em homenagem à Maurício de Souza e ao Pequeno Príncipe, toneladas de romances da moda e os usuais adolescentes frenéticos por eles, por mangás, por youtubers.
Romances da moda: livros com mais de trezentas páginas, tratando de alguma forma de magia, ou fantasia, com algum , ou muito , erotismo, escrito por quase anônimos nacionais e estrangeiros.
Youtuber: espécie de vídeo blogueiro. Lamento, mas não tenho nenhuma referência, vou ter que me atualizar, não conheço nenhum.
Algumas boas iniciativas de incentivo à leitura como a da cidade de Barueri que montou uma espécie de consultório onde o participante passava por consulta e o remédio era literário. Muito bom!
Adorei!
Ali, aproveitei a fila do " médico" e  facilitei a espera com a leitura de alguns poemas do "Notícias", que ficou na cesta do projeto, como doação.
Um estande só de literatura de cordel! Um resgate sempre oportuno da cultura popular.
Aproveitei para ver a palestra do mestre Menalton, sempre proveitosa, e encontrar conhecidos entre os participantes.
Comprei alguns presentes, inclusive e principalmente para mim.
Namorei muuuuuuuuuiiiiiiiiitooooooossss livros.
Vivi mais uma etapa.
Inspirei-me.
Voltei, como sempre, cansada de pernear, missão cumprida e extremamente grata!!
Daqui a dois anos tem mais!!!!!
Ps: o outro exemplar do "Notícias"  ficou nas mãos do taxista que me deixou em casa depois da longa jornada. Ele se aposentará em fevereiro e já trilha o caminho da  escrita, escreve poesia.


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Gonçalves Dias




Pesquisa publicada no blog da revista Revide On line, aqui na integra.

Gonçalves Dias- 10 de agosto

Ah! Minha terra tem palmeiras onde cantam sabiás eternizadas nos  versos do maranhense Gonçalves Dias.
Nascido aos 10 dias do mês de agosto do ano de 1823, de pai português e mãe mestiça, o menino Antônio Gonçalves Dias foi educado nas letras por iniciativa de seu pai e mandado em estudos a Portugal para o curso de direito. Passou por muitas dificuldades desde o seu nascimento bastardo e mestiço, a falta de recursos para terminar os estudos, um amor fracassado, um casamento conturbado, uma doença grave e incurável e apesar de tudo foi brilhante no seu fazer como escritor , pesquisador, professor e etnólogo.
Trabalhou no Rio de Janeiro e na condição de pesquisador empreendeu viagens ao norte e à Europa.
Escritor romântico, cultuou o nacionalismo em obras indianistas.
Usou da adversidade para alimentar sua poesia.
Como fruto de suas pesquisas escreveu um dicionário da língua Tupi.
Faleceu em um naufrágio na costa maranhense em 3 novembro 1864, aos 41 anos de idade.
É patrono da cadeira número 15 da Academia Brasileira de Letras.
Para quem quiser saber mais, sugiro este local no sítio da ABL:
Comecemos com Canção do Exílio escrita em Portugal no período em que o escritor fazia seus estudos, e que tem dois de seus versos compondo a letra do Hino Nacional Brasileiro e outros dois na letra da Canção do Expedicionário.
CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
                              Coimbra, julho, 1843.

Ainda na linha nacionalista, agora indianista, deixo aqui a Canção do Tamoio.
Peço que a leiam em voz alta para sentir o ritmo e a intensidade das palavras.
Experimentem a bela e motivadora energia deste poema.
                       
CANÇÃO DO TAMOIO
        I
 Não chores, meu filho;
 Não chores, que a vida
 É luta renhida:
 Viver é lutar.
 A vida é combate,
 Que os fracos abate,
 Que os fortes, os bravos
 Só pode exaltar.
         II
 Um dia vivemos!
 O homem que é forte
 Não teme da morte;
 Só teme fugir;
 No arco que entesa
 Tem certa uma presa,
 Quer seja tapuia,
 Condor ou tapir.
         III
 O forte, o cobarde
 Seus feitos inveja
 De o ver na peleja
 Garboso e feroz;
 E os tímidos velhos
 Nos graves conselhos,
 Curvadas as frontes,
 Escutam-lhe a voz!
        IV
 Domina, se vive;
 Se morre, descansa
 Dos seus na lembrança,
 Na voz do porvir.
 Não cures da vida!
 Sê bravo, sê forte!
 Não fujas da morte,
 Que a morte há de vir!
         V
 E pois que és meu filho,
 Meus brios reveste;
 Tamoio nasceste,
 Valente serás.
 Sê duro guerreiro,
 Robusto, fragueiro,
 Brasão dos tamoios
 Na guerra e na paz.
        VI
 Teu grito de guerra
 Retumbe aos ouvidos
 D’imigos transidos
 Por vil comoção;
 E tremam d’ouvi-lo
 Pior que o sibilo
 Das setas ligeiras,
 Pior que o trovão.
         VII
 E a mãe nessas tabas,
 Querendo calados
 Os filhos criados
 Na lei do terror;
 Teu nome lhes diga,
 Que a gente inimiga
 Talvez não escute
 Sem pranto, sem dor!
         VIII
 Porém se a fortuna,
 Traindo teus passos,
 Te arroja nos laços
 Do inimigo falaz!
 Na última hora
 Teus feitos memora,
 Tranquilo nos gestos,
 Impávido, audaz.
         IX
 E cai como o tronco
 Do raio tocado,
 Partido, rojado
 Por larga extensão;
 Assim morre o forte!
 No passo da morte
 Triunfa, conquista
 Mais alto brasão.
         X
 As armas ensaia,
 Penetra na vida:
 Pesada ou querida,
 Viver é lutar.
 Se o duro combate
 Os fracos abate,
 Aos fortes, aos bravos,
 Só pode exaltar.

Só mais um, talvez o de maior beleza, do tema indianista, o épico I Juca Pirama.
O poema, considerado o mais importante de Gonçalves Dias fala sobre a maldição do pai ao filho que chora frente a morte.
Aqui o trecho final.
X
Um velho Timbira, coberto de glória,
    Guardou a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite, nas tabas, se alguém duvidava
    Do que ele contava,
Dizia prudente: - “Meninos, eu vi!”
“Eu vi o brioso no largo terreiro
    Cantar prisioneiro
Seu canto de morte, que nunca esqueci:
Valente, como era, chorou sem ter pejo;
    Parece que o vejo,
Que o tenho nest’hora diante de mi.”
“Eu disse comigo: Que infâmia d’escravo!
    Pois não, era um bravo;
Valente e brioso, como ele, não vi!
E à fé que vos digo: parece-me encanto
    Que quem chorou tanto,
Tivesse a coragem que tinha o Tupi!”
Assim o Timbira, coberto de glória,
    Guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi.
E à noite nas tabas, se alguém duvidava
    Do que ele contava,
Tornava prudente: “Meninos, eu vi!”

Para finalizar o canto do amor irrealizado que marcou para sempre o coração do poeta, feito após um reencontro com a amada interdita, Ana Amélia.
É um poema extenso, mas belíssimo, inspiração atemporal para os que sofrem de amor.
 AINDA UMA VEZ – ADEUS
                      I 
 Enfim te vejo! - enfim posso,
 Curvado a teus pés, dizer-te,
 Que não cessei de querer-te,
 Pesar de quanto sofri.
 Muito penei! Cruas ânsias,
 Dos teus olhos afastado,
 Houveram-me acabrunhado
 A não lembrar-me de ti! 
                       II 
 Dum mundo a outro impelido,
 Derramei os meus lamentos
 Nas surdas asas dos ventos,
 Do mar na crespa cerviz!
 Baldão, ludíbrio da sorte
 Em terra estranha, entre gente,
 Que alheios males não sente,
 Nem se condói do infeliz! 
                       III 
 Louco, aflito, a saciar-me
 D’agravar minha ferida,
 Tomou-me tédio da vida,
 Passos da morte senti;
 Mas quase no passo extremo,
 No último arcar da esperança,
 Tu me vieste à lembrança:
 Quis viver mais e vivi! 
                       IV 
 Vivi; pois Deus me guardava
 Para este lugar e hora!
 Depois de tanto, senhora,
 Ver-te e falar-te outra vez;
 Rever-me em teu rosto amigo,
 Pensar em quanto hei perdido,
 E este pranto dolorido
 Deixar correr a teus pés. 
                       V 
 Mas que tens? Não me conheces?
 De mim afastas teu rosto?
 Pois tanto pôde o desgosto
 Transformar o rosto meu?
 Sei a aflição quanto pode,
 Sei quanto ela desfigura,
 E eu não vivi na ventura...
 Olha-me bem, que sou eu! 
                       VI 
 Nenhuma voz me diriges!...
 Julgas-te acaso ofendida?
 Deste-me amor, e a vida
 Que me darias - bem sei;
 Mas lembrem-te aqueles feros
 Corações, que se meteram
 Entre nós; e se venceram,
 Mal sabes quanto lutei! 
                       VII 
 Oh! se lutei!... mas devera
 Expor-te em pública praça,
 Como um alvo à populaça,
 Um alvo aos ditérios seus!
 Devera, podia acaso
 Tal sacrifício aceitar-te
 Para no cabo pagar-te,
 Meus dias unindo aos teus? 
                       VIII 
 Devera, sim; mas pensava,
 Que de mim t’esquecerias,
 Que, sem mim, alegres dias
 T’esperavam; e em favor
 De minhas preces, contava
 Que o bom Deus me aceitaria
 O meu quinhão de alegria
 Pelo teu, quinhão de dor! 
                       IX 
 Que me enganei, ora o vejo;
 Nadam-te os olhos em pranto,
 Arfa-te o peito, e no entanto
 Nem me podes encarar;
 Erro foi, mas não foi crime,
 Não te esqueci, eu to juro:
 Sacrifiquei meu futuro,
 Vida e glória por te amar! 
                       X 
 Tudo, tudo; e na miséria
 Dum martírio prolongado,
 Lento, cruel, disfarçado,
 Que eu nem a ti confiei;
 “Ela é feliz (me dizia)
 Seu descanso é obra minha.”
 Negou-me a sorte mesquinha...
 Perdoa, que me enganei! 
                       XI 
 Tantos encantos me tinham,
 Tanta ilusão me afagava
 De noite, quando acordava,
 De dia em sonhos talvez!
 Tudo isso agora onde para?
 Onde a ilusão dos meus sonhos?
 Tantos projetos risonhos,
 Tudo esse engano desfez! 
                       XII 
 Enganei-me!... - Horrendo caos
 Nessas palavras se encerra,
 Quando do engano, quem erra.
 Não pode voltar atrás!
 Amarga irrisão! reflete:
 Quando eu gozar-te pudera,
 Mártir quis ser, cuidei qu’era...
 E um louco fui, nada mais! 
                       XIII 
 Louco, julguei adornar-me
 Com palmas d’alta virtude!
 Que tinha eu bronco e rude
 C’o que se chama ideal?
 O meu eras tu, não outro;
 ’Stava em deixar minha vida
 Correr por ti conduzida,
 Pura, na ausência do mal. 
                       XIV 
 Pensar eu que o teu destino
 Ligado ao meu, outro fora,
 Pensar que te vejo agora,
 Por culpa minha, infeliz;
 Pensar que a tua ventura
 Deus ab eterno a fizera,
 No meu caminho a pusera...
 E eu! eu fui que a não quis! 
                       XV 
 És doutro agora, e pr’a sempre!
 Eu a mísero desterro
 Volto, chorando o meu erro,
 Quase descrendo dos céus!
 Dói-te de mim, pois me encontras
 Em tanta miséria posto,
 Que a expressão deste desgosto
 Será um crime ante Deus! 
                       XVI 
 Dói-te de mim, que t’imploro
 Perdão, a teus pés curvado;
 Perdão!... de não ter ousado
 Viver contente e feliz!
 Perdão da minha miséria,
 Da dor que me rala o peito,
 E se do mal que te hei feito,
 Também do mal que me fiz! 
                       XVII 
 Adeus qu’eu parto, senhora;
 Negou-me o fado inimigo
 Passar a vida contigo,
 Ter sepultura entre os meus;
 Negou-me nesta hora extrema,
 Por extrema despedida,
 Ouvir-te a voz comovida
 Soluçar um breve Adeus! 
                       XVIII 
 Lerás porém algum dia
 Meus versos d’alma arrancados,
 D’amargo pranto banhados,
 Com sangue escritos; - e então
 Confio que te comovas,
 Que a minha dor te apiade
 Que chores, não de saudade,
 Nem de amor, - de compaixão.



domingo, 28 de agosto de 2016

Livros- Retratos- Luzia Granato





Livro reeditado de poemas da escritora Luzia, com resultado de venda beneficente, retratando seu interno e seu entorno.
Alguns "retratos" tem nome, mas todos são traduzidos pela palavra de Luzia.

domingo, 21 de agosto de 2016

Livro- A verdade é a mais bela entre as falsas criaturas"- João Augusto



Mais um lindo livro de João.
Começando pelo título, que coerentemente aparece dentro do livro, e que por si só já é um estranhamento e um desafio ao nosso entendimento.
O livro vem dividido em três partes diferentes entre si.
As primeiras trazem novidades do autor, a última nos traz o João que conhecemos e amamos.
Na busca da melhor colocação da palavra, João tece suas artesanias que convidam a tatear terrenos inexplorados, vislumbrar paisagens virgens de olhares, seguir ventos que orientam o pensamento em direções várias, arrepiando a pele subitamente despida em sustos de primeiras vezes.
Que mais querer da boa literatura?
Só mais dela mesma e de novo.
Inspirador!

"Autofagia- João Augusto

a minha língua cega
controversa
meu andar depressa
enjaulado
a palavra
esse meu cão guia
é minha autofagia
alheamento
à minha inadaptação
(que função tem
as mãos de um poeta
na moderna sociedade?)
abro o baú de pensar
construo uma estátua
que se despe
diante de mim
( meus olhos
se guardam)
a meus filhos
( conchas despertas
de meu linguajar)
deixarei o tato
desta vã poesia
e o tempo certo
de silenciar     "

domingo, 14 de agosto de 2016

Livro- Intimismo- Fernanda Junqueira




Livro de estreia de Fernanda.
Livro de poemas.
Muitos devotos e todos gratos ao Deus que nos provê e inspira.
A observação da natureza em novidades revelada.
Nasce uma poeta.

Trecho do poema Fé

" Adormeço na esperança de que o tempo aconteça.
Nossos olhos nunca presenciam
o desabrochar da flor."

domingo, 7 de agosto de 2016

Livro- O lado Imóvel do Tempo- Matheus Arcaro



Tem algum tempo que conheço o Matheus, primeiro a pessoa, depois a escrita.
Este livro, seu primeiro romance, ao contrário do que o texto da orelha aconselha, foi lido de maneira prevenida, mas Matheus surpreendeu-me.
Em uma narrativa que mantém o leitor atento e desejante, Matheus entrega de início , o final, e daí tudo vira paisagem em viagem.
Saber o que aconteceu, para mim, foi traquilizador.  Restou-me saber o como e o porquê, o que fui descobrindo sem sustos.
Os capítulos curtos aceleram o passo da leitura.
O texto é recheado de questões filosóficas, matéria de trabalho do autor, que é também professor nesta área, muito bem colocadas e na dose certa, talvez arte de outro talento profissional de Matheus, a publicidade.
Há poesia em interessantes e belas, mas não ingênuas, imagens, ironia, humor e ao menos uma questão fundamental que não se resolve, e que nos deixa pensando.
Há, ainda, outros elementos que enriquecem o texto e valorizam o autor.
O livro, em si, são duzentas paginas bem cuidadas em boa e clara letra.
O “ Lado” não é um romance para iniciantes. Não é linear nem óbvio, o que é mérito.
Penso que Matheus encontrou sua melhor forma de expressão.
Quero mais!
Trecho:
“ Exatamente três semanas após o início da escritura, as páginas estavam cheias. E ele, vazio. Salvador era um caderno sem folhas; uma capa fechada, impermeável ao futuro. Mas se tratava de um vazio pleno, desnecessitado de algo além de si.”


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Eu, voluntária.



Ser voluntária não é questão de desejo, nem é convocação.
Ser voluntária é uma conquista.
Não sei se é universal, para todo tipo de voluntário, mas algo deve haver em comum entre nós.
Vou contar como está acontecendo agora, em minha primeiro experiência como voluntária oficial, na Olimpíada.
Em primeiro lugar há o desejo , sim.
Depois vem a busca do caminho e o ato do pedido.
Listar habilidades, conhecimentos, e saber, três anos antes do fato, em que local você gostaria de trabalhar.
Depois vem as chamadas para entrevistas e treinamentos.
Todos desafios.
É preciso programar-se para fazer os cursos pelo computador.
É preciso agendar entrevista fora de sua cidade, na capital.
É preciso viabilizar a ida até lá, viagem, metrô, perguntas, enganos e perdidos.
Dúvidas!!
Será que eu consigo chegar?
O que será que vai acontecer?
Como será lá?
Feito isso vem o teste propriamente dito.
Um grande questionário em língua estrangeira, uma dinâmica de grupo onde pessoas treinadas vão observar seu comportamento e fazer uma primeira avaliação.
Será que você tem o perfil para ser voluntário?
É essa a resposta que é esperada por meses.
Seus conhecidos começam a dizer, via computador,que já receberam suas respostas, começam a celebrar e a sua nunca que vem.
E quando a resposta finalmente aparece, você se derrete maravilhado.
É só o tenro começo.
Daí para frente são treinamentos pela internet, grupos em redes sociais, mensagens informativas e mais uma infinita espera pelas diretrizes práticas.
O que, quando  e onde?
O tempo passa, o ano vira, seus conhecidos já sabem onde estarão, alguns já fazem as malas e você ainda não sabe onde vai.
No desespero começa a ligar para a central de informações e eles de alguma forma o tranquilizam dizendo onde você não estará, isto é , no lugar onde você fez a opção para estar.
O que já é um começo.
Depois que tudo já foi arranjado, você já discutiu com sua cara metade, sofreu com a ansiedade dos filhos, chega seu Local de Trabalho e sua ocupação.
Nada a ver com nada.
Aí você liga novamente para a central de atendimento e o atendente lhe responde, a vinte dias dos jogos que , se você quiser ele tenta mudar mas vai demorar.
Aí você deixa quieto, o importante é participar.
E é mesmo!
Não importa onde você está.
Importa é que você está.
E vem os treinamentos do local de atuação onde você conhece seus colegas de trabalho.
Pessoas que você nunca viu antes, reunidas sob um mesmo código de conduta.
Aí vemos como os selecionadores são experientes.
Quando o grupo recebe a instrução é como se ela não fosse uma instrução e sim, um  lembrete.
Tudo que foi dito é o que já fazemos, cada um de nós, e nada do comportamento proposto é novidade para  nós.
É nesta parte que nos olhamos  e vemos que somos iguais na diferença.
Somos voluntários.
Não vou falar do crescendo de dificuldades conforme o evento se aproxima.
Viagens de última hora, cidade desconhecida, promessas de perigos, caminhos aparentemente sem companhia.
São grandes desafios!!!!
É como saltar do abismo toda semana e confiar na rede de proteção, nas asas.
É confiar no outro, na vida.
É dizer sim!!!
É querer muito!!!
Pensar em desistir?
Todos os dias.
Mas com o continuar da caminhada vemos a longa distância já percorrida.
O cargo exige coragem, disponibilidade, dedicação, determinação e comprometimento.
Muito perto agora.
Estou a dois dias do início do meu trabalho nos Jogos Olímpicos e a riqueza do que tem acontecido ainda não pode ser mensurada e nem sei se conseguirei nomear os ganhos.
Sei que, desde o princípio, tenho me emocionado de maneira especial, e a emoção é bom guia.
Estou feliz, confiante, mas não dispenso a torcida.