domingo, 15 de janeiro de 2017

livros- Livro dos avós- Lidia Aratangy



Não, não há motivo para que eu me prepare para a função que me parece longínqua.
É que ando buscando e o livro estava aí, comprado, autografado, sugerido, emprestado e devolvido, então resolvi lê-lo.
Lidia é psicóloga e já tinha visto seus textos em revistas.
Neste livro tem a parceria de um médico pediatra, o dr Leonardo Posternak.
O livro tece considerações sobre as relações familiares com a chegada dos filhos na família jovem.
Analise sempre oportuna. Conhecimento que enriquece o pensar.
Num dos capítulos há uma lista de perguntas para serem respondidas com sinceridade.
Deixo aqui duas bem curiosas:

"o que você gostaria que sua neta viesse a ter que você não tem e sua avó não teve?"
"o que você gostaria que ela tivesse que sua avó teve, mas você não?"

domingo, 8 de janeiro de 2017

Livros- Mamãe e o sentido da vida- Irvin Yalom



Mais um do "garimpo da Bienal", do mesmo autor de "Quando Nietsche chorou", "Mamãe" traz relatos de casos clínicos do psiquiatra Irvin Yalon, devidamente modificados para preservar identidades e servir, inclusive, a propósitos didáticos.
Adorei!!!
Para quem anda sempre em busca, saber mais sobre este mecanismo obscuro e muitas vezes imprevisível que é o cérebro e sua maneira de formular pensamentos e crenças a partir de um sem número de referências, é colocar mais uma pecinha no quebra-cabeças.
As histórias são interessantes e a abordagem parcialmente técnica só aumenta este interesse.
Quero mais!!!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Poema homenagem à Heloísa Alves




       Heloísa Martins Alves é esta amiga aí da foto.
       Dá aulas e coordena projetos na escola Otoniel Mota, dentre eles o Combinando Palavras que em  2017 está se espalhado por outras escolas , o Ribeirão Cultural e a Incubadora Cultural.
      Parceira de primeira e de toda  hora, Heloísa é pessoa valorosa e generosa no seu fazer.
      Como homenagem e agradecimento, fiz este poema, que foi lido na noite do lançamento de seu livro, onde tive a honra de fazer a leitura de um de seus contos.
      De Eliane para Heloísa, com carinho.

Heloísa

Marca de elegância
Alem do vestir e do caminhar
Elegância no ser

Mulher exemplar
Com você quero aprender

Na tua voz grave
Há segredos
Que fazem teus olhos mais negros
E nos deixam atentos
Para a revelação

Generosa
Criativa
Agregadora
Sonhadora
Protagonista

Bom é fazer gente brilhar
Bom é aplaudir
Bom é bem trabalhar

Bom é ter-te Heloísa

Como par

domingo, 1 de janeiro de 2017

Livos- Altares- Magia e Ritual- D.J. Conway



Ainda dos que comprei na Bienal, este livro é um bom guia para quem já se interessa pelo assunto.
Para mim, foi a confirmação de algo que faço há muito tempo de maneira intuitiva e uma inspiração para continuar fazendo com maior propriedade.
Fazer para o bem, pelo bem, para si e para todos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Dezembro de Olavo Bilac




Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, o “ Príncipe dos poetas” é o nosso poeta do mês.
Nasceu em 16 de dezembro  de 1865 e faleceu em 28 de dezembro de 1918 na cidade do Rio de Janeiro.
Poeta da escola parnasiana, muito conhecido e lido por estudantes , referendado em livros escolares.
Primou pela excelência da linguagem, ritmo, e  métrica rígida  nos poemas.
Seu nome é um verso Alexandrino, 12 sílabas acentuadas a sexta e a décima segunda.
Dedicou especial atenção aos poemas para crianças e os de caráter cívico.
É autor da letra do Hino à Bandeira.
Nacionalista, participante ativo da política nacional, Bilac, embora tenha iniciado dois cursos superiores, medicina e direito, não se formou em nenhum.
Mesmo assim recebeu o diploma de professor honorário da Universidade de São Paulo, pouco antes de falecer.
Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, criando a cadeira 15 de Gonçalves Dias.
Hino à Bandeira

Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz.
Tua nobre presença à lembrança.
A grandeza da Pátria nos traz.
Refrão
Recebe o afeto que se encerra.
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
2
Em teu seio formoso retratas.
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
(Refrão)
3
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser!
(Refrão)
4
Sobre a imensa nação brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira,
Pavilhão da justiça e do amor!
(Refrão)

 Ouvindo estrelas
Bom poema para decorar e dizer para a namorada ou na festa de final de ano do trabalho.

OUVIR ESTRELAS- Olavo Bilac
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

(Poesias, Via-Láctea, 1888.)



Poema  de Natal
Natal 

Jesus nasceu! Na abóbada infinita 
Soam cânticos vivos de alegria; 
E toda a vida universal palpita 
Dentro daquela pobre estrebaria... 

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas, 
No berço humilde onde nasceu Jesus... 
Mas os pobres trouxeram oferendas 
Para quem tinha de morrer na Cruz. 

Sobre a palha, risonho e iluminado 
Pelo luar dos olhos de Maria, 
Vede o Menino Jesus, que está cercado 
Dos animais de pobre estrebaria. 

Não nasceu entre pompas reluzentes: 
Na humildade e na paz desse luar, 
Assim que abriu os olhos inocentes, 
Foi para os pobres seu primeiro olhar. 

No entanto, os reis da terra, pecadores, 
Seguindo a estrela que ao presepe os guia, 
Vêm cobrir de perfumes e de flores 
O chão daquela pobre estrebaria. 

Sobem hinos de amor ao céu profundo; 
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal! 
Sobre esta palha está quem salva o mundo 
Quem ama os fracos, quem perdoa o Mal! 

Natal! Natal! Em toda a Natureza 
Há sorrisos e cantos, neste dia... 
Salve, Deus da Humanidade e da Pobreza, 
Nascido numa pobre estrebaria.
                                                               Olavo Bilac

Língua portuguesa
Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


A Boneca
Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.
Dizia a primeira : “É minha!”
— “É minha!” a outra gritava;
E  nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.
Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.
Tanto puxavam por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.
E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando a bola e a peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca ...




A Avó

A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha!...
Teve tantos desenganos !
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.
Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pálida e fria,
Depois de tanta canseira:
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.
Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala ...
Entram rindo e papagueiando :
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando ...
A velha acorda sorrindo.
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.
Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados, 
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos doirados.
Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita :
"Ó vovó ! conte uma história!
Conte uma história bonita!"
Então, com frases pausadas,
Conta histórias de quimeras,
Em que há palácios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas ...
E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
- Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem ...

Texto publicado originalmente no blog da Revide.



domingo, 25 de dezembro de 2016

Livros- Os Bichos- Miguel Torga



Livro lido pela (bendita) indicação do grupo de leitura.
Miguel Torga, pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha, médico,  autor português ,nasceu em 12 de agosto de 1907 e faleceu em 1995.
Olhando sua biografia vejo que o menino Adolfo, de origem humilde teve experiências em tenra idade, vindo até morar no Brasil, onde trabalhou na lavoura e foi educado pela mão de um tio.
O tio reconhecendo-lhe o talento para o estudo devolveu-o a Portugal para cursar a universidade.
Começou a publicar ainda estudante e escreveu mais de 50 livros, sendo indicado para o Nobel e ganhador do prêmio Camões de 1989.
Sua grande produção literária foi também grandemente diversificada, prosa, poesia, dramaturgia, romance, contos.
Seu texto é poesia pura, seja na melodia , seja nas imagens e ideias.
Como é bonito ver o domínio que parece espontâneo.
Penso que por ser escrito no português original, há ainda mais poesia pela sutilezas da língua.
Todo o livro é de grande beleza e creio que sua leitura repetida nos mostre cada vez mais encantos.
Destaco o Cega-Rega, sobre a cigarra e Jesus, delicado e terno, onde Jesus menino se depara com o nascimento de um passarinho.

Do conto" Bambo", nome do protagonista que é um sapo.

" Viessem ver os domínios do batráquio reluzente de luar e alheado como um poeta...Quem na freguesia inteira passeava assim cheio de calma e compenetração no silêncio carregado de estrelas?
...
E a verdade é que nunca encontrara tanto sentido e beleza às coisas que o rodeavam, como naquelas horas silenciosas Nelas até as próprias sombras faziam confidências ao entendimento..."

Onde achar o livro: o meu comprei na estante virtual

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Convivendo 3



Tá, eu sei. De novo!!
É que estou tentando entender , assimilar, por em prática.
Daí passo e repasso com vocês as idéias e as escrevo para não me esquecer e assim deixar uma trilha pronta, um caminho com migalhas de pão, que guie a saída da floresta, do labirinto.
Durante um dos cursos de teatro que fiz, executamos um exercício muito interessante.
Sabemos que , quanto mais entrosados os atores , melhor o resultado no palco.
Por isso o exercício visava aprender a perceber e adequar os ritmos individuais.
Era assim: dois a dois, ombro a ombro, os pares em fila, um atrás do outro. O primeiro par começava a pular, saltitar, e depois de determinado tempo, o segundo, e assim sucessivamente. Passado o ritmo para o par subsequente os primeiros deixavam de pular. Ao final da fila o exercício voltava, do último ao primeiro par, dificultando a percepção que acontecia sem o auxílio da visão.
Uma riqueza de atividade!!
Primeiro é necessário que você perceba o ritmo de seu par e que , como par, deseje que se iguale.
Isso demanda um ajuste. Quem tem mais facilidade, ou disponibilidade, segue o ritmo alheio, ou, de comum e mudo acordo, abandona-se o próprio ritmo para atingir outro que seja confortável a ambos.
Isso de maneira instantânea.
Depois é necessário perceber o ritmo do par anterior para dar continuidade ao exercício.
Fascinante!!
Há identificações imediatas, pares que se acertam e acertam de primeira, mas o mais comum é que a prática aperfeiçoe o ato.
Se mantivermos o parceiro ao longo de muitos exercícios há boa chance de sucesso.
A  convivência é mais ou menos assim!!!
Se há o desejo de acertar é preciso insistir , errar, acertar, praticar para aperfeiçoar.
Uma tarefa de vida, já que , como humanos, estamos sempre mudando.
Boa sorte para todos!!

domingo, 18 de dezembro de 2016

Livros- O Livro de Rovana- Quando eu era surda-muda- Joaquim Maria Botelho- editora Passavento



Joaquim Maria Botelho, jornalista renomado, foi presidente da UBE, União Brasileira de Escritores, na época em que foi fundado o Núcleo de Ribeirão Preto do qual sou coordenadora.
Foi assim que o conheci, Presidente.
Depois conheci sua palavra em oratória, discursos, palestras, por fim sua escrita, em antologias, romance.
"O Livro de Rovana" é uma biografia baseada nos cadernos de sua irmã deficiente visual e auditiva portadora da Síndrome de Alport.
Um livro rico!!!
Joaquim usa os textos de sua irmã para contar-nos a história de sua família em seu tempo.
Uma história que merece ser contada por muitos motivos, por ser retrato de uma época, por relatar histórias de pessoas valorosas que enfrentaram dificuldades e as venceram, brilharam.
A história de Rovana é especialmente útil para quem lida com deficiências, sejam quais forem.
É uma história de possibilidades.
É uma história inspiradora!

O trecho a seguir fica quase no final do livro e relata poeticamete um momento de uma viagem empreendida pelo autor na adolescência.

" Cada um de nós tinha a sua estrela particular, simbolizando a namorada, nas noites em que os astros cintilantes eram a única luz disponível. O mundo, ancho, cheio de perigos e de encantos, se apresentava para nós e o interpretávamos com a leveza e o descompromisso de quem tem dezessete anos, ama e é feliz.
Cantávamos. E sentíamos saudades."

Onde achar:Livraria da Folha e Livraria Cultura, pela internet

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Convivendo 2




Outro dia, falei aqui dos desacertos da convivência, dos esbarrões, das ruidosas comunicações.
Hoje, falarei de outro aspecto da mesma convivência, a cumplicidade.
Quando nos dispomos a estar junto com alguém, há um motivo.
Seja na convivência familiar, afetiva ou de trabalho, há um objetivo e, por honra e glória deste, um esforço comum.
Daí surge naturalmente a parceria, a cumplicidade.
Na família sabemos a quantos bifes temos direito em um refeição. Colocamos o tapete em cima da mancha do piso quando a visita vem. Usamos as xícaras desbeiçadas  no dia a dia para poupar a boa louça dos acidentes. Mudamos de assunto quando percebemos o terreno perigoso. Auxiliamos sem que nos peçam e sem necessidade de agradecer. Arrumamos a sala que não é nossa, mas que é da família. Somos guardiões da intimidade, protegemos, informamos, nos apoiamos , damos as mãos , choramos e rimos, sem explicação, sem necessidade de dar ao ambiente social nenhuma satisfação.
E assim, em família , somos um.
No campo afetivo, este tão delicado sítio de amores e amigos, a mesma regra é seguida e é quase questão ética preservar , às vezes eternamente,  o sigilo das confissões, os pequenos vícios particulares. Há ainda uma norma de conduta que aponta para a fidelidade , termo com definição subjetiva, e a exclusividade , esta objetiva, não colocando todos no mesmo balaio , tratando cada qual com a distinção merecida, mas respeitando as normas não declaradas dos grupos.
Difícil equilíbrio, quase uma arte que tratamos de exercer para preservar as delícias dos afetos e das amizades.
No trabalho não é diferente. Tomamos o café ruim da repartição e trazemos um bom de casa para servir ao inspetor quando ele vem. Limpamos a papelada das mesas, entulhamos gavetas quando o dia é de festa e as portas estarão abertas. Colocamos um sorriso no rosto e ombreamos aquele colega trabalhoso quando se faz necessário representar a classe. Fingimos satisfação mesmo quando não há papel higiênico nos banheiros. Improvisamos caixinhas e avisos para melhorar fisicamente o cotidiano. Confortamo-nos na partilha das misérias e das inadequações. Colocamos o vestido de festa e posamos para a foto anual da empresa apesar dos ventiladores quebrados, das grosserias dos chefes e das puxadas de tapete dos colegas.
Enfim!!! Somos cúmplices !!!
E ai de quem se puser a criticar o grupo!!!
Juramos todos que estamos bem e somos ótimos!!!
Na intimidade lavamos , quaramos e remendamos nossa roupa usada e suja.
Ainda bem que é assim!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Livro- Tão veloz como o desejo- Laura Esquivel



Livro lido por indicação do grupo de leitura.
Agora , depois de lido, confesso que não entendi o título, Tão veloz como o desejo, editado em 2001, mas isso é só um detalhe.
Ao iniciar o romance achei que estava com uma daquelas estórias melosas.
Fui agradavelmente surpreendida pela boa escrita da autora mexicana Laura Esquivel, autora do bem sucedido "Como água para chocolate".
Trama com boa tensão narrativa, instigante, linguagem bem cuidada, pitadas de história e fantasia, erotismo tratado com pertinência e elegância.
Por estes tempos, onde ando à caça de respostas, os livros tem falado comigo de maneira eloquente.
Com este foi assim.
O livo é uma estória de amor, destes ilógicos e eternos e a convivência com este até a morte.
Amor instantâneo entre dois jovens de classes sociais diferentes mas que passam por cima deste detalhe para satisfazerem seus desejos de estarem juntos. O desejo sexual satisfeito é fator de união e felicidade do casal que segue tentando superar suas diferenças.
Fala , também, da relação pais e filhos, da vida, dos dons e da morte.
Um romance com toda a humanidade que uma boa estória pode ter.

Neste trecho, já no final do romance, a personagem Chuva, fala da profissão do seu pai, telegrafista, um homem que lidava com as significações da palavra.

" O interessante do processo de comunicação é que nos permite tomar consciência de que as palavras saem de nossos corpos, por escrito, faladas ou cantadas e voam pelo espaço , carregadas do eco de outras vozes que antes de nós já as haviam pronunciado.
Viajam pelo ar, banhadas da saliva de outras bocas , de vibrações de outros ouvidos, da pulsação de milhares de corações alvoroçados. Filtram-se até o centro da memória e ficam lá, quietinhas, até que um novo desejo as reanime e as carregue de energia amorosa. Essa é uma das qualidades da palavra que mais me comovem, sua capacidade de transmitir amor. As palavras, assim como a água,  são maravilhosas condutoras de energia. E a que mais poder transformador tem é a amorosa."

Onde achar: o meu pedi na " estante virtual". Não sei se temos nas livrarias.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Livros- Você é Jackie ou Marylin- Pamela Keog



Certo, queridos mestres, podem criticar e dar bronca, mas este livro li por pura curiosidade e diversão.
Como fã das duas personalidades descritas, Jackie Kennedy Onassis e Marylin Monroe,bonita capa, sob um título instigante e um preço irrecusável, cedi à tentação.
Sim, já esperava, pelo título, algo como é : Conselhos para mulheres dos dias de hoje, alguns bem sofríveis, baseados no modus vivendi das duas famosas personalidades.
Mas, para o bem ou para o mal, rever alguns fatos biográficos de duas mulheres contemporâneas que tiveram atenção mundial e marcaram para sempre a história, foi bastante oportuno.
De quebra, leva-se uma boa injeção de auto-estima.

Deixo aqui uma declaração de Marylin, dada aos jornalistas ao se separar de seu último marido, Arthur Miller, com a qual concordo " Todo mundo que já amei, ainda amo um pouco."

Onde achar: não sei, talvez livrarias, sebos.
O meu exemplar comprei na Top Books, na Bienal do livro de SP em agosto de 2016.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Um pouco de Cecília Meirelles




Novembro de Cecília

Cecília é muito mais do que o pouco que está aqui escrito.
Não percam  oportunidade de conhecê-la.

Cecília Meirelles , poeta maior da nossa língua, professora e divulgadora da cultura nacional mundo a fora.
Escritora premiadíssima!
Nasceu no dia 7 de novembro de 1901 e faleceu em 09 de novembro de 1964.
Ao conhecer sua história fiquei tão comovida e apaixonada que me senti doente, doente de Cecilia.
Cecilia, aquela que se deixa cortar a cada primavera para renascer inteira.
Cecília do autobiográfico “Olhinhos de Gato”.
Cecília dos barcos, dos luares, do mar, dos andares.
Cecília para adultos e crianças, leigos e especialistas.
Cecília para todos!
Sempre, sempre e mais Cecília!
ps: Curiosidade:  o Meirelles tem dois eles, oficialmente. Meireles, com um ele só foi adotado pela autora que  atribuiu à esta nova grafia uma melhora em sua vida.

CANÇÃO DE ALTA NOITE

Alta noite, lua quieta,
muros frios, praia rasa.

Andar, andar, que um poeta
não necessita de casa.

Acaba-se a última porta.
O resto é o chão do abandono.

Um poeta, na noite morta,
não necessita de sono.

Andar... Perder o seu passo
na noite, também perdida.

Um poeta, à mercê do espaço,
nem necessita de vida.

Andar... — enquanto consente
Deus que a noite seja andada.

Porque o poeta, indiferente,
anda por andar — somente.
Não necessita de nada.

De Vaga Música (1942)

Este poema de Cecília me trouxe bons momentos e bons amigos.
Logo que comecei meu trabalho literário houve a oportunidade de fazer leituras e oferecer poemas que ficavam dependurados num varal na PraçaXV em homenagem `a um dia comemorativo qualquer.
No varal, este poema.
No meu sentir e ser, este poema.
Por ele, Jair Yanni e Ely Vieitez Lisboa, pessoas que admirava e que conheci pessoalmente ali, lendo Cecília.
Aproveitem!!
Cecília Meireles

Gargalhada
 

Homem vulgar! Homem de coração mesquinho!
Eu te quero ensinar a arte sublime de rir.
Dobra essa orelha grosseira, e escuta
o ritmo e o som da minha gargalhada:


Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah! 


Não vês?
É preciso jogar por escadas de mármores baixelas de ouro.
Rebentar colares, partir espelhos, quebrar cristais, 
vergar a lâmina das espadas e despedaçar estátuas, 
destruir as lâmpadas, abater cúpulas, 
e atirar para longe os pandeiros e as liras...


O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.


Mas é preciso ter baixelas de ouro, 
compreendes?
— e colares, e espelhos, e espadas e estátuas.
E as lâmpadas, Deus do céu!
E os pandeiros ágeis e as liras sonoras e trêmulas...


Escuta bem:


Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah! 


Só de três lugares nasceu até hoje essa música heróica:
do céu que venta, 
do mar que dança, 
e de mim.
 


Cecília é toda linda!

LUA ADVERSA 

Tenho fases, como a lua
 
Fases de andar escondida,
 
fases de vir para a rua...
 
Perdição da minha vida!
 
Perdição da vida minha!
 
Tenho fases de ser tua,
 
tenho outras de ser sozinha.
 

Fases que vão e vêm,
 
no secreto calendário
 
que um astrólogo arbitrário
 
inventou para meu uso.
 

E roda a melancolia
 
seu interminável fuso!
 
Não me encontro com ninguém
 
(tenho fases como a lua...)
 
No dia de alguém ser meu
 
não é dia de eu ser sua...
 
E, quando chega esse dia,
 
o outro desapareceu...

Cecília das crianças.

A Língua de Nhem


Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.
E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também
a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,
e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,
ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
Cecília Meireles, Ou isto ou aquilo

Anexo mais este poema, por recomendação dos leitores

Epigrama Nº 8

(Cecília Meireles) 

Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda. 
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti. 

Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil, 
fiquei sem poder chorar, quando caí.


domingo, 27 de novembro de 2016

Livros- Menos- Lucas Arantes



Livro de poemas ,  pensamentos, minicontos do múltiplo Lucas Arantes, jornalista, escritor, professor, dramaturgo, etc, etc, etc...
O livro é Lucas, sua melhor definição, sua cabeça múltipla que não aceita explicação mas que se faz entender, ou não, mas que está ali , ao alcance para ser visto, consumido.
Uma frase do primeiro texto foi a isca para que eu o quisesse por inteiro, e é assim mesmo, alguma coisa , de repente, te fisga, mesmo sem você saber direito o que foi.

Deixo aqui "Tédio"

o tédio chegou de trem e não queria mais ir embora
o pai falou que ninguém mais viaja de trem:
só de ônibus, metrô, carro e avião.
eu expliquei que meu tédio era antigo.

Onde achar: com o autor ou a editora coruja.
 O meu exemplar adquiri  pouco tempo após o lançamento em um evento da Oficina Cultural Cândido Portinari onde Lucas Arantes falou sobre sua obra e a de Herman Hesse em maio de 2016.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Convivendo




Não há convivência sem atritos.
É normal, mas tem gente que acha que é extraordinário.
Quanto mais perto do outro, mais vemos os seus defeitos.
A vivência nos ensina que não há o perfeito.
Para usufruir das qualidades é necessário aguentar os defeitos.
Eu digo que para usufruir das qualidades é necessário aprender a contornar os defeitos.
Se você sabe que determinada zona causa desconforto, desvie.
Se, sem querer, no afã do cotidiano que nos exige rapidez de atos e decisões, alguns acidentes de percurso se apresentarem, tentemos relevar.
Peçamos e aceitemos desculpas.
Joelhos ralados e cotovelos roxos,pisões nos pés, são doloridos mas não são fatais.
Lidar com o outro é aprendizado constante, já que nem nós nem o outro são estáveis.
O tempo, as condições atmosféricas,a temperatura, o dia do mês e a posição dos astros, aliados a qualquer desconforto físico, nos desestabilizam.
Somos mutantes, mesmo que não o admitamos, mudamos.
E mesmo sob o incômodo da mudança isso é bom, mais bom que ruim.
Por isso o tempo, o entendimento, o perdão próprio e alheio e o respeito, são ítens básicos de sobrevivência grupal pacífica.
A honestidade é essencial!!!
A disposição de aprender com os erros, cair e levantar, recomeçar e sorrir, são exigências do fato.
Ignorar a palavrinha "mágoa" é exercício diário.
Tentemos!!!
Pela paz!!!

domingo, 20 de novembro de 2016

Livros- Paixão Desmedida- Ely Vieitez Lisboa



Segundo livro de poemas da mestra Ely,edição de 1996.
Penso em quem eu era em 96, pertencia a outro mundo...
No livro, dividido em duas partes,  uma delas dedicada à Florbela Spanca, a apaixonadíssima poeta, Ely dá vazão à verve apaixonada, a atitude entregue.
Na outra parte fala sobre a Europa, locais visitados, de uma forma muito peculiar que mostra, a todo instante, uma surpreendente face dsa cidades.
Revisitei os lugares pela visão de Ely.
Do livro destaco " Sensações" que inicia-se assim:

 "Quando me falaste da floração das tílias
  e me deste um fresco verde ramo delas
  foi teu perfume que me embriagou
  e não o das flores."

Onde achar: com a autora, em feiras literárias da cidade de Ribeirão Preto, ou em sebos.
O meu exemplar ganhei como brinde em uma oficina literária ministrada pela autora em junho de 2016, durante a 14ª Feira do Livro de Ribeirão Preto.