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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mais sarau da Inglaterra-literatura.


O nosso amigo , Adhemir Martins, esteve por lá falando de Virgínia Woolf, que ele cita em seu livro, "Um Exílio e um Reino".
Marcus Vinícius, nosso gaitista, leu Blake, eu li Shakespeare e Byron.
Lamento não ter conseguido comentar com a platéia o encanto que foi reencontrar Charles Dickens, uma das minhas leituras juvenis, narrando o nascimento do eterno Oliver Twist, ou mesmo em seu mais famoso texto agora transformado em filme ( Mr. Scrooge), "Conto de Natal".
Vale uma leitura, uma releitura, um reconhecimento. É especial.
Especial também foi encontrar Mowgli, sim o mesmo da Disney, o menino lobo, em escrita original de Rudyard Kipling, inglês das possessões indianas. O texto foi feito sobre um poema e merece ser conhecido.
Para vosso deleite deixo aqui o soneto de Shakespeare, o 116.

William Shakespeare
Soneto 116

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Tradução de Bárbara Heliodora


SONNET 116
Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove:

O no! it is an ever-fixed mark
That looks on tempests and is never shaken;
It is the star to every wandering bark,
Whose worth's unknown, although his height be taken.

Love's not Time's fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle's compass come:
Love alters not with his brief hours and weeks,

But bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor no man ever loved.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sarau da Inglaterra


Meninos e meninas, o sarau foi delícia, embora eu seja suspeita.
Deixo-vos o texto de abertura, que foi parcialmente desmentido pela participaçaõ da platéia, mas logo vos conto e mostro as fotos.
Beijos

Sarau da Inglaterra- 31 de agosto de 2010

De Shakespeare à Harry Potter, o mundo se regozija da influência inglesa.
A língua mais falada mundialmente, a eleita de maneira prática, língua universal, é para nós brasileiros algo diferente, e até certo ponto de difícil apreensão, devido á sua origem não latina, o que nos obriga à esforço extra para aprende-la.
Mas mesmo sem sabermos, fomos criados em berço inglês, expostos desde a infância à estórias dos cavaleiros da távola redonda, do rei Arthur, do mago Merlin, da feiticeira Morgana, Shakespeare, Byron, Dickens, Robinson Crusoé e sua ilha, Alice no País das Maravilhas, Mogli, o menino lobo, Frankenstein e as estórias de vampiros, Sherlock Holmes, Agatha Christie, 007, os Hobbits, e ainda Harry Potter.
Embalados pela música revolucionária dos Beatles, Rolling Stones, encantados pela eternidade de Fredie Mercury, vocalista do Queen, viajando em Rick Wakeman, Pink Floyd, The Who, Gênesis, e balançando ao som de sir Elton John , Rod Stuart, Boy George, Spice Girls, até cair pelas tabelas com Amy Winehouse.
Vos convido para um chá das 5 com pudim e torta de maçã, mas lamento o atraso, já passa das 8, nada britânico, para quem tem um relógio como monumento, Big Ben, pontualidade é traço de personalidade.
Então uns peixinhos fritos com batatas assadas e um uisquinho ou cerveja quente para acompanhar? E o que dizer da lendária torta de rim?
Thank you very much.
Das iguarias ofertadas salvo o cha´e as batatas.
Dizem que o sanduíche foi pelos ingleses inventado, por um jogador de poker inveterado , que queria se alimentar, e ao mesmo tempo ter uma mão livre para continuar jogando.
Enfim uma boa idéia!
E dá-lhe chuva, fog e futebol , o esporte bretão que se tornou nossa paixão nacional.
Ingleses estão sempre à lançar moda!
Foram eles à fazer a revolução industrial, que nos transformou em autômatos produtores em massa, como bem ilustrou , Charles Chaplin, no filme “Tempos Modernos”.
Foram também os inventores da minisaia. E olha, Mary Quant, a inventora já tinha quase trinta anos quando resolveu lançar a moda, que pegou e ficou.
E os punks, de cabelos coloridos, roupas rasgadas num contra tudo e contra todos, que hoje ousamos imitar quando customizamos, digo, personalizamos uma roupa ou colorimos os cabelos.
So british!
Tudo isso convivendo sob um regime de monarquia parlamentarista.
God save the Queen, que eles adoram e veneram, pois é parte de sua cultura.
Acompanham as notícias da família real como se acompanha a novela preferida.
E dá-lhe fairy tale. Estórias encantadas sobre a nobreza em elegantes tailleurs, carruagens, coroas e jóias, príncipes e princesas de sangue azul e alguns, nem tão nobres, agregados.
Nada segura a índole inovadora dos ingleses.
Vanguarda e tradição. É nesta feliz ambigüidade que vive The United Kingdom.


Eliane Ratier para o sarau da Paraler