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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu sei que vou te amar ...



clique na foto para ver todo o álbum

Ai o bem que me faz!
Palco. Eu recomendo.
Bem, nem vou dizer como o espetáculo foi lindo e emocionante, até para nós que estávamos envolvidos.
A vida de Vinícius, pensada com detalhes e requintes por André Goy, mostrada em trilha musical, base para a dança de todas as modalidades, clássico, jazz, sapateado e até flamenco, permeada por textos e poemas, complementada por imagens.
A performance artítica de Davi Tostes, nosso ator, também bailarino, que emprestou seu corpo à Vinícius.
O desfile das 9 esposas do poeta eternamente apaixonado.
As crianças e as músicas da Arca de Noé.
Pois é! As crianças deram um show à parte,cantando as músicas e dançando as coreografias que sairam do previsível incorporando gestos inspirados pelas letras das canções.
Desceram para a platéia embasbacando pais, tios e madrinhas.
Estavam foférrimos nos seus ricos figurinos e divertiam-se com isso.
Pintinhos, patos, perús,focas,pinguins, formigas, gatos,corujinhas, galinhas,toda a Arca, enrodilhados num caracol de plena alegria.
Gostoso como chocolate, divertido como pipoca.
O segundo ato, com o elenco adulto, veio cheio de charme em maiôs, chapéus, boys and girls from Ipanema e taps deliciosos,clima de praia, benção de baianas.
Desta vez, foi o público que cantou, letra no telão, " Eu sei que vou te amar", num coral emocionado de quem viveu e fez a história.
Eu estive por lá, no palco, excepcionalmente fora do meu lugar habitual, que é a última fila à esquerda, cheguei até a estar na primeira fila.
Confiança e coragem, minha e do coreógrafo.
Beijo-os todos, meus colegas de palco, meu amado mestre e me despeço com juras de fidelidade e amor total.

Soneto da Fidelidade, Vinícius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes e com tal zelo, e sempre e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor, hei de espalhar meu canto
E rir meu riso , e derramar meu pranto
Ao seu pesar, ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor ( que tive)
Que não seja imortal posto que é chama
Mas que seja infinito, enquanto dure

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Arca e o dilúvio



Amigos, mil perdões mas ontem não consegui chegar na "Arca Cultural", fui pega por um dilúvio.
Até pensei em chamar a "Arca de Noé", mas era exatamente por ela que me encontrava naquela situação.
Ficamos ensaiando até um pouco mais tarde nosso imperdível espetáculo sobre Vinícius (... e a "Arca"), e mesmo estando pronta para ir ao evento, tendo colocado combustível no veículo, o que garantiria a chegada, tendo enfrentado a tempestade, assustadora e cegante, tendo achado lugar para estacionar, a chuva não cedeu, nem por um minuto, para que eu descesse do carro e alcançasse meus pares na cerimônia de instalação da Arca Cultural na UNAERP.
Pena, peníssima!
Mas hoje pela manhã já tive notícias do sucesso e da beleza do evento, adornado pelas apresentações do coral da UNAERP e pelos alunos do Otoniel.
Eu perdi a "Arca", não percam " Vinícius",que aporta no teatro municipal nesta quinta e sexta feiras,25 e 26 de novembro, às 20 horas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Autor no Parque- 19 de setembro



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Aconteceu no Autor do Parque, domingo passado.
Levei alguns poemas infantis para dizer para as crianças que estavam com os contadores e os coloquei no varal poético.
Cecília Meireles e Vinícius de Moraes foram os escolhidos.
Saudei a primavera com um poema próprio.
O prof Nilton Manoel montou no varal, uma pequena exposição sobre o Cordel.
Wanda Duarte e Elisa Alderani levaram sua produçaõ para apreciaçaõ do público.
Aprendi, como sempre.
O prof Nilton, presenteou uma das espectadoras com um livro de cordel, em branco, como incentivo à prática.
Edwaldo, do Instituto do Livro, esteve por ali acompanhando tudo de pertinho.
E assim, está acontecendo o Autor no Parque.
Fica o convite para os escritores e apreciadores:
Domingos, 11 horas, Parque Maurílio Biagi

Deixo aqui um Vinícius de primavera


As Borboletas
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!
Vinícius de Moraes

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Vinícius de Moraes - poemas inspirados- Eliane Ratier

Histórinha-
Coordeno um dos clubes de leitura da Fundação Palavra Mágica, aqui em Ribeirão Preto.
Nosso tema é poesia e nosso primeiro poeta foi Vinícius.
Já vinha pesquisando sua vida para um outro trabalho, e o mergulho em seus escritos fez brotar de mim este poema na voz do próprio homem sedutor.

Viniciana- à moda de Vinícius de Moraes

E porque te amo
E toda minha mão desenha letra
E toda letra te chama
É que me entrego
Teu e não outro
Só o mesmo eu
Que te venera e canta
Por entre as ramas
Através dos bosques
Tua beleza e ternura
Tua presença e falta
Teu ser que pulsa
Qual estrela quasar
Ofuscando luas

E porque te quero
E todo o meu corpo grita mudo
E o silêncio é loquaz
É que te atraio
E traio teu confiar
Faço de meus braços armadilhas
Do meu riso promessas
Do meu ventre
Sexo de insaciável vício
Da minha voz
Ceceio em teus ouvidos
E te prendo minha
E te faço minha
E te faço feliz por isso.

Eliane Ratier, maio de 2010

Vinícius de Moraes - poemas inspirados- Vera Regina

PRESENÇA DE VINICIUS
ao poetinha

Caros amigos sou eu,
não faz tempo que parti.
A partida me doeu
a dor que sempre temi.

Amores tantos cantei
o canto do amor sem fim,
no final foi que chorei
o choro que estava em mim.

Não sabia mais rezar
as rezas que aprendi,
valeu foi saber amar
amigos que não esqueci.

Mário e Bandeira encontrei
o encontro me assustou.
Depois do susto rezei
a reza me sossegou.

Não sendo diabo nem santo,
Vinicius ainda sou.
Quando não choro canto
a saudade que ficou.

Caros amigos voltei
apenas para encontrar
amores que aqui deixei,
as saudades sufocar.

Vera Regina Marçallo Gaetani

domingo, 8 de agosto de 2010

Vinícius de Moraes- poemas inspirados- Djalma Cano

Por ocasião da morte de Vinícius, Djalma Cano escreveu esta elegia:

ELEGIA AO POETA QUE PARTE djalma cano

Nove de julho de 1980, sete horas da manhã.
Uma grande pomba branca
Leva em suas asas
O grande cantor da liberdade;
O arauto da esperança;
A esperança do amor...

Tinha que ser julho,
O mês das grandes batalhas pela liberdade.
Tinha que ser 9 (o dia em que teve povo
nas praças e nas trincheira
brigando pela Constituição).
Tinha que ser 9 de julho
O dia em que o poeta
Venceu a vida;
E nela o seu canhão
Sempre arremessou
Seus dardos a favor da liberdade;
Lançou as flores em cumplicidade
Estreita com o amor...
E nesse mês, comungando com a batalha
Do rouxinol,
Sierra Maestra deve verter lágrimas,
E a Argélia deve perfilar-se toda de branco
No abraço ao soldado da palavra...
Palavra que ficava mais fácil em sua pena
E paria-se de gozo sublime
Quando cantava as aventuras dos homens livres
E das mulheres plenas e fecundas
A rolar por alvos lençóis
Em leitos suspeitos
E sempre carregados de ternura...

Cantor da inocência (mesmo a fingida)
E da ingenuidade (quase sempre ferida)
Derramava seus versos
Tal qual notas musicais
E a melodia
Fluía do papel
Para encontrar
Nossos ouvidos

E conseguir o milagre
Da partitura sem maestro
Fazendo imitar no âmago
De nossa intimidade
O som de uma boca
Que beija, que blasfema
Que grita, que chora
Que conforta, que fere
Que sorri, que implora
Que gargalha sem ruídos
Que enternece em silêncio...
Só quem te conheceu,
Um pouco que seja
(mesmo apenas lendo teus versos)
Sabe dizer
Quanto dói pensar que deixaste
De criar para nós
Assumindo a alvura
Que se supõe estar envolta
A figura do poeta
Na nova vida que alcança...

E resta agora rever o que fizeste,
Escutar o que deixaste de imortal
E assim viverás de novo, aqui,
Neste confuso mundo que sobrou
(E no qual tu acabas de deixar
espaço amplo e profundo).
Que virá depois de ti, meu poetinha?
O gosto amargo da partida?
Aquela ausência dolorida
Que a gente curte quietinho,
Dizendo que é mentira?
Que o jornal mentiu só para esgotar a edição?
Que a TV não tinha o que fazer,
Numa hora em que o Papa
Descansou da maratona
E sapecou a tua notícia?...
Não, poeta.
Eu vi o povo se despedindo de ti,

Repetindo os teus versos
Em forma de música
Quando o chão se fechou sobre teu corpo...
Meus olhos não me mentiram.
E por dentro eu fiquei menor, encolhido.
Cuidei da vida,
Mexi na estante,
Vi teu livro,
Vi tua foto recente onde os cabelos
E a barba brancos
Faziam moldura
Para o rosto cansado (melancólico?).
Que sustentava o olhar sempre triste
A refletir a angústia dos que amam
E que fazem da liberdade
O sentido da vida...

Poeta, cheguei a ter uma pontinha
De satisfação
Ao saber que cantaste
Até às cinco horas da manhã,
E pensei: ele não perdeu nem a aurora
Do dia em que resolveu se mandar.


Eh, bravo soldado!
Escuta meu clarim
A romper o peito,
Querendo deixar bem claro
Que vou te ser fiel,
Vou te amar como sempre,
Nem que seja escrevendo para ti,
Nem que seja ouvindo-te,
Lendo teus livros...

Adeus amigo, poeta, homem livre!
Que encantes
Quem te encontrar
Neste novo caminho
(cheio de flores e mel)
Para onde te levaram!

http://fenix46.blogspot.com

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sarau do Vinícius de Moraes


Ontem , na Paraler do Ribeirão Shopping, fizemos um sarau em homenagem à Vinícius de Moraes.

O momento foi de encantamento e paz, com Eula e Alessandro trazendo a boa música de Vinícius, os poetas lendo seus poemas homenagem , inspirados por ele, o pessoal do Clube de Leitura da Palavra Mágica, demonstrando seu interesse e envolvimento entusiasta com a literatura, a presença de novos convivas que prometem voltar, e o amigo Loureiro registrando tudo com a sua super máquina.

Ainda bem porque a minha me deixou na mão, estava sem pilhas.

Deixo aqui o texto de abertura e colocarei em breve os poemas dos escritores de casa sobre o assunto.


" e o dia amanheceu em paz"


Sarau Vinícius de Moraes- 03 de agosto de 2010 - Paraler


A benção Marylene, e povo da Paraler
Com vossa benção meu público
Com vossa benção artistas, músicos, escritores, atores, que foram por Oxalá ungidos, por Xangô tocados, mandados à servir ao mundo com a beleza de seus atos
A benção Iemanjá, rainha
A benção Iansã, madrinha
A benção poetinha

É assim , como você costumava fazer no seu tempo, que abro este singelo tributo à sua memória.

Foi num 09 de julho , há 30 anos atrás que Vinícius nos deixou.
Eram 5 da manhã, estava trabalhando nas letras da Arca de Noé, seu musical infantil, resolveu que era hora de uma pausa, escolheu um de seus gostos,( ele os tinha muitos, wisky, cigarro, mulheres, amigos) optou por um banho de banheira, e foi ali que morreu.
Acudiram-no a nona mulher, Gilda, e o parceiro da hora, Toquinho.

Foi-se a carne do poeta, compositor, dramaturgo, mas sua obra o perpetua e assim revivendo-a , celebramos seu legado , sua vida.

Vinícius é de 1913, carioca, seus pais tinham dons musicais, um pé na boemia.
O segundo de quatro irmãos, o escolhido para ter uma educação de primeira.

Formou-se advogado, tornou-se funcionário público, ganhou uma bolsa para estudar no exterior, abriu as portas do mundo, colaborou para jornais e revistas, passou no concurso do Itamaraty ,foi diplomata, já era poeta, e a música lhe era latente.

Foi pródigo em amizades, era o poeta dos amigos, dos encontros. Vivia cercado de gente, muitas vezes bem mais nova do que ele, aprendizes que bebiam na fonte de Vinícius: Nara Leão, Edu Lobo, Chico Buarque , Miúcha, os parceirinhos Tom Jobim, João Gilberto, Baden Powell , Carlos Lyra, Francis Hime, Toquinho, além dos clássicos, Pixinguinha e Ary Barroso, e mais um tantão de gente.

Tinha horror à solidão, cercava-se dos amigos até para dormir.

Era movido à paixão.

Casou-se nove vezes na esperança vã de perpetuá-la.

E é à estas nove mulheres oficiais, Tati, Regina, Lila, Maria Lúcia, Nelita,Cristina, Gesse, Marta e Gilda, e muitas outras extra oficiais, que somos gratas por fornecerem ao poetinha sua inspiração.

O caso do “poetinha”, usado pejorativamente por alguns, era na verdade a reciprocidade carinhosa com a qual Vinícius era tratado por seus pares,que recebiam dele tatibitates em diminutivo, menininho, parceirinho, beijinho, amorzinho, paizinho.

A poesia inicial de Vinícius era marcada pelo classicismo, e temas elevados.

Mesmo quando seu verso se popularizou, não abandonou a forma. Seus sonetos estão entre sua poesia mais apreciada.
Esteve entre os grandes, Carlos Drummond, Neruda, João Cabral, conviviam, se gostavam, eram “chapas”.

Como compositor, foi o precursor da Bossa Nova. Com o samba Chega de Saudade, em parceria com Tom Jobim, no violão de João Gilberto e na voz de Elizete Cardoso, lançou nova e universal moda. Inédita na forma e no conteúdo dos versos da canção, ninguém falava assim, em música, com o despojamento e naturalidade, coloquialidade e diminutivos.
Nascia aí a Bossa Nova.

Como Vinícius era diplomata, suas apresentações musicais eram algo incômodas para seus superiores. Havia então, algumas regras. Vinícius se apresentaria de terno e gravata e não poderia receber por isso.

Os afro sambas, outra invenção de Vinícius

Quando Baden lhe apresentou os cantos do Candomblé, sua paixão foi instantânea, e surgiu assim, toda um cancioneiro inspirado no Candomblé e sua mitologia. Canto de Ossanha e Berimbau, são bons exemplos.
Morou na Bahia, casou- se como uma baiana, era iniciado nos terreiros, reverenciado pelas mães de santo.
Ungido e protegido.

E tinha o teatro, com Orfeu da Conceição, Pobre Menina Rica, que eram inovadores e corajosos em sua temática e cunho social, muito em voga nos anos 60.

Vinícius é um clássico.

Um homem inquieto, que transformou sua inquietude em versos de rara beleza.

E nós, somos os privilegiados por tê-lo.

Numa entrevista, na véspera de sua morte, responde á pergunta do repórter: “ Você está com medo da morte?. Não meu filho, eu não estou com medo da morte, estou é com saudades da vida”.

Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes

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