Não sei como o nome de Mário Faustino veio parar em minhas anotações, mas obedecendo ao meu próprio comando fui tratar de conhecê-lo.
Descubro que foi poeta e jornalista. Andou à serviço em muitos cantos do Brasil, viveu de 1930, à 1962,época de grandes transformações sociais e evoluções tecnológicas. O mundo já se movia rápido.
Morreu de morte anunciada e marcada por uma vidente, episódio que não consegui saber ao certo, em desastre aéreo, à caminho de Cuba em viagem de trabalho.
Coloco aqui dois poemas, intensos, do jovem Mário.
ROMANCE
Para as Festas da Agonia
Vi-te chegar, como havia
Sonhando já que chegasses:
Vinha teu vulto tão belo
Em teu cavalo amarelo,
Anjo meu, que, se me amasses,
Em teu cavalo eu partira
Sem saudade, pena, ou ira;
Teu cavalo, que amarraras
Ao tronco de minha glória
E pastava-me a memória
Feno de ouro, gramas raras.
Era tão cálido o peito
Angélico, onde meu leito
Me deixaste então fazer,
Que pude esquecer a cor
Dos olhos da Vida e a dor
Que o Sono vinha trazer.
Tão celeste foi a Festa,
Tão fino o Anjo, e a Besta
Onde montei tão serena,
Que posso, Damas, dizer-vos
E a vós, Senhores, tão servos
De outra Festa mais terrena
Não morri de mala sorte,
Morri de amor pela Morte.
O MÊS PRESENTE
Sinto que o mês presente se assassina,
As aves atuais nascem mudas
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre homens nus ao sul de luas curvas.
Sinto que o mês presente me assassina,
Corro despido atrás de cristo preso, |
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz esquerda
Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina
E o temporal ladrão rouba-me as fêmeas
De apóstolos marujos que me arrastam
Ao longo da corrente onde blasfemas
Gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me assassina,
Há luto nas rosáceas desta aurora,
Há sinos de ironia em cada hora
(Na libra escorpiões pesam-me a sina)
Há panos de imprimir a dura face
A força do suor de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me assassina,
Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.
O tempo na verdade tem domínio.
Amen, amen vos digo, tem domínio.
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Livro da Tribo, poesia circulante
O Livro da Tribo, foi um dos co-responsáveis pela minha carreira literária.
Encantei-me com o design,as ilustrações, as citações, as poesias de autores tão desconhecidos meus e ao mesmo tempo tão íntimos. A maioria do sul. Alice Ruiz, Caio Fernando de Abreu, Hilda Hilst, e outros tantos.
Deixo aqui mais uma de suas inovações, a poesia circulante com o site do Livro. Vale uma visita.
Encantei-me com o design,as ilustrações, as citações, as poesias de autores tão desconhecidos meus e ao mesmo tempo tão íntimos. A maioria do sul. Alice Ruiz, Caio Fernando de Abreu, Hilda Hilst, e outros tantos.
Deixo aqui mais uma de suas inovações, a poesia circulante com o site do Livro. Vale uma visita.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Poesia do Dia- Antônio Cândido
Para onde vou, de onde vim?
Não sei se me acho ou extravio.
Ariadne não fia o seu fio
à frente, mas atrás de mim.
Não será a saída um desvio
e o caminho o verdadeiro fim?
Não sei se me acho ou extravio.
Ariadne não fia o seu fio
à frente, mas atrás de mim.
Não será a saída um desvio
e o caminho o verdadeiro fim?
domingo, 8 de agosto de 2010
Vinícius de Moraes- poemas inspirados- Djalma Cano
Por ocasião da morte de Vinícius, Djalma Cano escreveu esta elegia:
ELEGIA AO POETA QUE PARTE djalma cano
Nove de julho de 1980, sete horas da manhã.
Uma grande pomba branca
Leva em suas asas
O grande cantor da liberdade;
O arauto da esperança;
A esperança do amor...
Tinha que ser julho,
O mês das grandes batalhas pela liberdade.
Tinha que ser 9 (o dia em que teve povo
nas praças e nas trincheira
brigando pela Constituição).
Tinha que ser 9 de julho
O dia em que o poeta
Venceu a vida;
E nela o seu canhão
Sempre arremessou
Seus dardos a favor da liberdade;
Lançou as flores em cumplicidade
Estreita com o amor...
E nesse mês, comungando com a batalha
Do rouxinol,
Sierra Maestra deve verter lágrimas,
E a Argélia deve perfilar-se toda de branco
No abraço ao soldado da palavra...
Palavra que ficava mais fácil em sua pena
E paria-se de gozo sublime
Quando cantava as aventuras dos homens livres
E das mulheres plenas e fecundas
A rolar por alvos lençóis
Em leitos suspeitos
E sempre carregados de ternura...
Cantor da inocência (mesmo a fingida)
E da ingenuidade (quase sempre ferida)
Derramava seus versos
Tal qual notas musicais
E a melodia
Fluía do papel
Para encontrar
Nossos ouvidos
E conseguir o milagre
Da partitura sem maestro
Fazendo imitar no âmago
De nossa intimidade
O som de uma boca
Que beija, que blasfema
Que grita, que chora
Que conforta, que fere
Que sorri, que implora
Que gargalha sem ruídos
Que enternece em silêncio...
Só quem te conheceu,
Um pouco que seja
(mesmo apenas lendo teus versos)
Sabe dizer
Quanto dói pensar que deixaste
De criar para nós
Assumindo a alvura
Que se supõe estar envolta
A figura do poeta
Na nova vida que alcança...
E resta agora rever o que fizeste,
Escutar o que deixaste de imortal
E assim viverás de novo, aqui,
Neste confuso mundo que sobrou
(E no qual tu acabas de deixar
espaço amplo e profundo).
Que virá depois de ti, meu poetinha?
O gosto amargo da partida?
Aquela ausência dolorida
Que a gente curte quietinho,
Dizendo que é mentira?
Que o jornal mentiu só para esgotar a edição?
Que a TV não tinha o que fazer,
Numa hora em que o Papa
Descansou da maratona
E sapecou a tua notícia?...
Não, poeta.
Eu vi o povo se despedindo de ti,
Repetindo os teus versos
Em forma de música
Quando o chão se fechou sobre teu corpo...
Meus olhos não me mentiram.
E por dentro eu fiquei menor, encolhido.
Cuidei da vida,
Mexi na estante,
Vi teu livro,
Vi tua foto recente onde os cabelos
E a barba brancos
Faziam moldura
Para o rosto cansado (melancólico?).
Que sustentava o olhar sempre triste
A refletir a angústia dos que amam
E que fazem da liberdade
O sentido da vida...
Poeta, cheguei a ter uma pontinha
De satisfação
Ao saber que cantaste
Até às cinco horas da manhã,
E pensei: ele não perdeu nem a aurora
Do dia em que resolveu se mandar.
Eh, bravo soldado!
Escuta meu clarim
A romper o peito,
Querendo deixar bem claro
Que vou te ser fiel,
Vou te amar como sempre,
Nem que seja escrevendo para ti,
Nem que seja ouvindo-te,
Lendo teus livros...
Adeus amigo, poeta, homem livre!
Que encantes
Quem te encontrar
Neste novo caminho
(cheio de flores e mel)
Para onde te levaram!
http://fenix46.blogspot.com
ELEGIA AO POETA QUE PARTE djalma cano
Nove de julho de 1980, sete horas da manhã.
Uma grande pomba branca
Leva em suas asas
O grande cantor da liberdade;
O arauto da esperança;
A esperança do amor...
Tinha que ser julho,
O mês das grandes batalhas pela liberdade.
Tinha que ser 9 (o dia em que teve povo
nas praças e nas trincheira
brigando pela Constituição).
Tinha que ser 9 de julho
O dia em que o poeta
Venceu a vida;
E nela o seu canhão
Sempre arremessou
Seus dardos a favor da liberdade;
Lançou as flores em cumplicidade
Estreita com o amor...
E nesse mês, comungando com a batalha
Do rouxinol,
Sierra Maestra deve verter lágrimas,
E a Argélia deve perfilar-se toda de branco
No abraço ao soldado da palavra...
Palavra que ficava mais fácil em sua pena
E paria-se de gozo sublime
Quando cantava as aventuras dos homens livres
E das mulheres plenas e fecundas
A rolar por alvos lençóis
Em leitos suspeitos
E sempre carregados de ternura...
Cantor da inocência (mesmo a fingida)
E da ingenuidade (quase sempre ferida)
Derramava seus versos
Tal qual notas musicais
E a melodia
Fluía do papel
Para encontrar
Nossos ouvidos
E conseguir o milagre
Da partitura sem maestro
Fazendo imitar no âmago
De nossa intimidade
O som de uma boca
Que beija, que blasfema
Que grita, que chora
Que conforta, que fere
Que sorri, que implora
Que gargalha sem ruídos
Que enternece em silêncio...
Só quem te conheceu,
Um pouco que seja
(mesmo apenas lendo teus versos)
Sabe dizer
Quanto dói pensar que deixaste
De criar para nós
Assumindo a alvura
Que se supõe estar envolta
A figura do poeta
Na nova vida que alcança...
E resta agora rever o que fizeste,
Escutar o que deixaste de imortal
E assim viverás de novo, aqui,
Neste confuso mundo que sobrou
(E no qual tu acabas de deixar
espaço amplo e profundo).
Que virá depois de ti, meu poetinha?
O gosto amargo da partida?
Aquela ausência dolorida
Que a gente curte quietinho,
Dizendo que é mentira?
Que o jornal mentiu só para esgotar a edição?
Que a TV não tinha o que fazer,
Numa hora em que o Papa
Descansou da maratona
E sapecou a tua notícia?...
Não, poeta.
Eu vi o povo se despedindo de ti,
Repetindo os teus versos
Em forma de música
Quando o chão se fechou sobre teu corpo...
Meus olhos não me mentiram.
E por dentro eu fiquei menor, encolhido.
Cuidei da vida,
Mexi na estante,
Vi teu livro,
Vi tua foto recente onde os cabelos
E a barba brancos
Faziam moldura
Para o rosto cansado (melancólico?).
Que sustentava o olhar sempre triste
A refletir a angústia dos que amam
E que fazem da liberdade
O sentido da vida...
Poeta, cheguei a ter uma pontinha
De satisfação
Ao saber que cantaste
Até às cinco horas da manhã,
E pensei: ele não perdeu nem a aurora
Do dia em que resolveu se mandar.
Eh, bravo soldado!
Escuta meu clarim
A romper o peito,
Querendo deixar bem claro
Que vou te ser fiel,
Vou te amar como sempre,
Nem que seja escrevendo para ti,
Nem que seja ouvindo-te,
Lendo teus livros...
Adeus amigo, poeta, homem livre!
Que encantes
Quem te encontrar
Neste novo caminho
(cheio de flores e mel)
Para onde te levaram!
http://fenix46.blogspot.com
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Sarau do Vinícius de Moraes

Ontem , na Paraler do Ribeirão Shopping, fizemos um sarau em homenagem à Vinícius de Moraes.
O momento foi de encantamento e paz, com Eula e Alessandro trazendo a boa música de Vinícius, os poetas lendo seus poemas homenagem , inspirados por ele, o pessoal do Clube de Leitura da Palavra Mágica, demonstrando seu interesse e envolvimento entusiasta com a literatura, a presença de novos convivas que prometem voltar, e o amigo Loureiro registrando tudo com a sua super máquina.
Ainda bem porque a minha me deixou na mão, estava sem pilhas.
Deixo aqui o texto de abertura e colocarei em breve os poemas dos escritores de casa sobre o assunto.
" e o dia amanheceu em paz"
Sarau Vinícius de Moraes- 03 de agosto de 2010 - Paraler
A benção Marylene, e povo da Paraler
Com vossa benção meu público
Com vossa benção artistas, músicos, escritores, atores, que foram por Oxalá ungidos, por Xangô tocados, mandados à servir ao mundo com a beleza de seus atos
A benção Iemanjá, rainha
A benção Iansã, madrinha
A benção poetinha
É assim , como você costumava fazer no seu tempo, que abro este singelo tributo à sua memória.
Foi num 09 de julho , há 30 anos atrás que Vinícius nos deixou.
Eram 5 da manhã, estava trabalhando nas letras da Arca de Noé, seu musical infantil, resolveu que era hora de uma pausa, escolheu um de seus gostos,( ele os tinha muitos, wisky, cigarro, mulheres, amigos) optou por um banho de banheira, e foi ali que morreu.
Acudiram-no a nona mulher, Gilda, e o parceiro da hora, Toquinho.
Foi-se a carne do poeta, compositor, dramaturgo, mas sua obra o perpetua e assim revivendo-a , celebramos seu legado , sua vida.
Vinícius é de 1913, carioca, seus pais tinham dons musicais, um pé na boemia.
O segundo de quatro irmãos, o escolhido para ter uma educação de primeira.
Formou-se advogado, tornou-se funcionário público, ganhou uma bolsa para estudar no exterior, abriu as portas do mundo, colaborou para jornais e revistas, passou no concurso do Itamaraty ,foi diplomata, já era poeta, e a música lhe era latente.
Foi pródigo em amizades, era o poeta dos amigos, dos encontros. Vivia cercado de gente, muitas vezes bem mais nova do que ele, aprendizes que bebiam na fonte de Vinícius: Nara Leão, Edu Lobo, Chico Buarque , Miúcha, os parceirinhos Tom Jobim, João Gilberto, Baden Powell , Carlos Lyra, Francis Hime, Toquinho, além dos clássicos, Pixinguinha e Ary Barroso, e mais um tantão de gente.
Tinha horror à solidão, cercava-se dos amigos até para dormir.
Era movido à paixão.
Casou-se nove vezes na esperança vã de perpetuá-la.
E é à estas nove mulheres oficiais, Tati, Regina, Lila, Maria Lúcia, Nelita,Cristina, Gesse, Marta e Gilda, e muitas outras extra oficiais, que somos gratas por fornecerem ao poetinha sua inspiração.
O caso do “poetinha”, usado pejorativamente por alguns, era na verdade a reciprocidade carinhosa com a qual Vinícius era tratado por seus pares,que recebiam dele tatibitates em diminutivo, menininho, parceirinho, beijinho, amorzinho, paizinho.
A poesia inicial de Vinícius era marcada pelo classicismo, e temas elevados.
Mesmo quando seu verso se popularizou, não abandonou a forma. Seus sonetos estão entre sua poesia mais apreciada.
Esteve entre os grandes, Carlos Drummond, Neruda, João Cabral, conviviam, se gostavam, eram “chapas”.
Como compositor, foi o precursor da Bossa Nova. Com o samba Chega de Saudade, em parceria com Tom Jobim, no violão de João Gilberto e na voz de Elizete Cardoso, lançou nova e universal moda. Inédita na forma e no conteúdo dos versos da canção, ninguém falava assim, em música, com o despojamento e naturalidade, coloquialidade e diminutivos.
Nascia aí a Bossa Nova.
Como Vinícius era diplomata, suas apresentações musicais eram algo incômodas para seus superiores. Havia então, algumas regras. Vinícius se apresentaria de terno e gravata e não poderia receber por isso.
Os afro sambas, outra invenção de Vinícius
Quando Baden lhe apresentou os cantos do Candomblé, sua paixão foi instantânea, e surgiu assim, toda um cancioneiro inspirado no Candomblé e sua mitologia. Canto de Ossanha e Berimbau, são bons exemplos.
Morou na Bahia, casou- se como uma baiana, era iniciado nos terreiros, reverenciado pelas mães de santo.
Ungido e protegido.
E tinha o teatro, com Orfeu da Conceição, Pobre Menina Rica, que eram inovadores e corajosos em sua temática e cunho social, muito em voga nos anos 60.
Vinícius é um clássico.
Um homem inquieto, que transformou sua inquietude em versos de rara beleza.
E nós, somos os privilegiados por tê-lo.
Numa entrevista, na véspera de sua morte, responde á pergunta do repórter: “ Você está com medo da morte?. Não meu filho, eu não estou com medo da morte, estou é com saudades da vida”.
Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes
http://www.viniciusdemoraes.com.br/
http://eliane.ratier.zip.net/
http://elianeratier.blogspot.com/
A benção Marylene, e povo da Paraler
Com vossa benção meu público
Com vossa benção artistas, músicos, escritores, atores, que foram por Oxalá ungidos, por Xangô tocados, mandados à servir ao mundo com a beleza de seus atos
A benção Iemanjá, rainha
A benção Iansã, madrinha
A benção poetinha
É assim , como você costumava fazer no seu tempo, que abro este singelo tributo à sua memória.
Foi num 09 de julho , há 30 anos atrás que Vinícius nos deixou.
Eram 5 da manhã, estava trabalhando nas letras da Arca de Noé, seu musical infantil, resolveu que era hora de uma pausa, escolheu um de seus gostos,( ele os tinha muitos, wisky, cigarro, mulheres, amigos) optou por um banho de banheira, e foi ali que morreu.
Acudiram-no a nona mulher, Gilda, e o parceiro da hora, Toquinho.
Foi-se a carne do poeta, compositor, dramaturgo, mas sua obra o perpetua e assim revivendo-a , celebramos seu legado , sua vida.
Vinícius é de 1913, carioca, seus pais tinham dons musicais, um pé na boemia.
O segundo de quatro irmãos, o escolhido para ter uma educação de primeira.
Formou-se advogado, tornou-se funcionário público, ganhou uma bolsa para estudar no exterior, abriu as portas do mundo, colaborou para jornais e revistas, passou no concurso do Itamaraty ,foi diplomata, já era poeta, e a música lhe era latente.
Foi pródigo em amizades, era o poeta dos amigos, dos encontros. Vivia cercado de gente, muitas vezes bem mais nova do que ele, aprendizes que bebiam na fonte de Vinícius: Nara Leão, Edu Lobo, Chico Buarque , Miúcha, os parceirinhos Tom Jobim, João Gilberto, Baden Powell , Carlos Lyra, Francis Hime, Toquinho, além dos clássicos, Pixinguinha e Ary Barroso, e mais um tantão de gente.
Tinha horror à solidão, cercava-se dos amigos até para dormir.
Era movido à paixão.
Casou-se nove vezes na esperança vã de perpetuá-la.
E é à estas nove mulheres oficiais, Tati, Regina, Lila, Maria Lúcia, Nelita,Cristina, Gesse, Marta e Gilda, e muitas outras extra oficiais, que somos gratas por fornecerem ao poetinha sua inspiração.
O caso do “poetinha”, usado pejorativamente por alguns, era na verdade a reciprocidade carinhosa com a qual Vinícius era tratado por seus pares,que recebiam dele tatibitates em diminutivo, menininho, parceirinho, beijinho, amorzinho, paizinho.
A poesia inicial de Vinícius era marcada pelo classicismo, e temas elevados.
Mesmo quando seu verso se popularizou, não abandonou a forma. Seus sonetos estão entre sua poesia mais apreciada.
Esteve entre os grandes, Carlos Drummond, Neruda, João Cabral, conviviam, se gostavam, eram “chapas”.
Como compositor, foi o precursor da Bossa Nova. Com o samba Chega de Saudade, em parceria com Tom Jobim, no violão de João Gilberto e na voz de Elizete Cardoso, lançou nova e universal moda. Inédita na forma e no conteúdo dos versos da canção, ninguém falava assim, em música, com o despojamento e naturalidade, coloquialidade e diminutivos.
Nascia aí a Bossa Nova.
Como Vinícius era diplomata, suas apresentações musicais eram algo incômodas para seus superiores. Havia então, algumas regras. Vinícius se apresentaria de terno e gravata e não poderia receber por isso.
Os afro sambas, outra invenção de Vinícius
Quando Baden lhe apresentou os cantos do Candomblé, sua paixão foi instantânea, e surgiu assim, toda um cancioneiro inspirado no Candomblé e sua mitologia. Canto de Ossanha e Berimbau, são bons exemplos.
Morou na Bahia, casou- se como uma baiana, era iniciado nos terreiros, reverenciado pelas mães de santo.
Ungido e protegido.
E tinha o teatro, com Orfeu da Conceição, Pobre Menina Rica, que eram inovadores e corajosos em sua temática e cunho social, muito em voga nos anos 60.
Vinícius é um clássico.
Um homem inquieto, que transformou sua inquietude em versos de rara beleza.
E nós, somos os privilegiados por tê-lo.
Numa entrevista, na véspera de sua morte, responde á pergunta do repórter: “ Você está com medo da morte?. Não meu filho, eu não estou com medo da morte, estou é com saudades da vida”.
Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes
http://www.viniciusdemoraes.com.br/
http://eliane.ratier.zip.net/
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