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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Acontecimentos de dezembro



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Bem, foram muitos e bons, mas lhes falo aqui dos que fui.

Aconteceu na Livraria Paraler, do Ribeirão Shopping, dia 03 de dezembro, o lançamento do mais recente livro de Ely Vietez Lisboa, " Tempo de Colher".
Tempo de Colher, é uma coletânea dos textos publicados por Ely no jornal 'A CIdade".
O livro chama a atenção pela qualidade, linda capa, miolo e acabamento.
Dos textos nem lhes conto, eu os coleciono em recortes.Por isso este volume me vem à calhar, autorizando-me a dispensá-los no lixo, com todo o meu respeito, por possuí-los em forma mais organizada de livro.
O texto de Ely é leve e crítico, uma boa conversa com o leitor.

Dia 07 de dezembro o escritor de best sellers, Nicholas Sparks, esteve na Paraler para noite de autógrafos de seu mais recente livro " A última música".
Quando a Marylene me disse que ele viria corri para ler um de seus livros, era a oportunidade para satisfazer a curiosidade sobre seu assunto, seu estilo, que o leva a ser um dos mais vendidos e que leva suas estórias para o cinema, atingindo uma verdadeira multidão.
Confesso que quando cheguei lá, na Paraler, me assustei com a fila de dobrar quarteirão, feita por afoitas moçoilas teenagers, sobraçando grossos volumes, à espera de seu ídolo literário, para uma foto, autógrafo, o que fosse.
Achei que não era a minha praia, mas como , se estava gostando do romance do Nicholas, se ele me dizia coisas vividas e algo esquecidas, se não conseguia largar o livro, como aquelas meninas teriam o meu mesmo gosto por ele.
Olha, tá certo que sou uma eterna adolescente, costumo dizer que parei aos 16, mas mesmo assim era demais para as meninas, livros grossos, assuntos complexos.
Foi Nicholas aparecer e descobri o porquê.
Ele é bonitão e simpático, e atendeu à todas com um sorriso, beijinhos, autógrafos e fotos.
Incansável.
Eu também peguei o meu e agora quero ler outro romance do moço, para ver se descubro qual a receita de tanto sucesso.
" Querido Jonh"- Romance inlargável. Diz ao coração, com lições de vida politicamente corretas que garantem lubrificação dos canais lacrimais. Penso que recomendado para mulheres, homens preferem mais aventura.


Dia 09 de dezembro foi o lançamento da Rita Mourão, "Entre Girassóis, Pedras e Poesia", livro vencedor de mais uma etapa do concurso " Grandes Empresas Na Literatura".
O lançamento foi no café do Pedro II e Rita foi dignamente homenageada por sua linda família, amigos, colegas de trabalho, alunos e admiradores.
Rita tem uma bela trajetória de vida.
A escritora Ely fez a apresentação de Rita e sua entrevista.
Noite agradável, livro bonito, casa especial, gente amiga e feliz.
Beijo em Rita.Parabéns!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Sarau do Vinícius de Moraes


Ontem , na Paraler do Ribeirão Shopping, fizemos um sarau em homenagem à Vinícius de Moraes.

O momento foi de encantamento e paz, com Eula e Alessandro trazendo a boa música de Vinícius, os poetas lendo seus poemas homenagem , inspirados por ele, o pessoal do Clube de Leitura da Palavra Mágica, demonstrando seu interesse e envolvimento entusiasta com a literatura, a presença de novos convivas que prometem voltar, e o amigo Loureiro registrando tudo com a sua super máquina.

Ainda bem porque a minha me deixou na mão, estava sem pilhas.

Deixo aqui o texto de abertura e colocarei em breve os poemas dos escritores de casa sobre o assunto.


" e o dia amanheceu em paz"


Sarau Vinícius de Moraes- 03 de agosto de 2010 - Paraler


A benção Marylene, e povo da Paraler
Com vossa benção meu público
Com vossa benção artistas, músicos, escritores, atores, que foram por Oxalá ungidos, por Xangô tocados, mandados à servir ao mundo com a beleza de seus atos
A benção Iemanjá, rainha
A benção Iansã, madrinha
A benção poetinha

É assim , como você costumava fazer no seu tempo, que abro este singelo tributo à sua memória.

Foi num 09 de julho , há 30 anos atrás que Vinícius nos deixou.
Eram 5 da manhã, estava trabalhando nas letras da Arca de Noé, seu musical infantil, resolveu que era hora de uma pausa, escolheu um de seus gostos,( ele os tinha muitos, wisky, cigarro, mulheres, amigos) optou por um banho de banheira, e foi ali que morreu.
Acudiram-no a nona mulher, Gilda, e o parceiro da hora, Toquinho.

Foi-se a carne do poeta, compositor, dramaturgo, mas sua obra o perpetua e assim revivendo-a , celebramos seu legado , sua vida.

Vinícius é de 1913, carioca, seus pais tinham dons musicais, um pé na boemia.
O segundo de quatro irmãos, o escolhido para ter uma educação de primeira.

Formou-se advogado, tornou-se funcionário público, ganhou uma bolsa para estudar no exterior, abriu as portas do mundo, colaborou para jornais e revistas, passou no concurso do Itamaraty ,foi diplomata, já era poeta, e a música lhe era latente.

Foi pródigo em amizades, era o poeta dos amigos, dos encontros. Vivia cercado de gente, muitas vezes bem mais nova do que ele, aprendizes que bebiam na fonte de Vinícius: Nara Leão, Edu Lobo, Chico Buarque , Miúcha, os parceirinhos Tom Jobim, João Gilberto, Baden Powell , Carlos Lyra, Francis Hime, Toquinho, além dos clássicos, Pixinguinha e Ary Barroso, e mais um tantão de gente.

Tinha horror à solidão, cercava-se dos amigos até para dormir.

Era movido à paixão.

Casou-se nove vezes na esperança vã de perpetuá-la.

E é à estas nove mulheres oficiais, Tati, Regina, Lila, Maria Lúcia, Nelita,Cristina, Gesse, Marta e Gilda, e muitas outras extra oficiais, que somos gratas por fornecerem ao poetinha sua inspiração.

O caso do “poetinha”, usado pejorativamente por alguns, era na verdade a reciprocidade carinhosa com a qual Vinícius era tratado por seus pares,que recebiam dele tatibitates em diminutivo, menininho, parceirinho, beijinho, amorzinho, paizinho.

A poesia inicial de Vinícius era marcada pelo classicismo, e temas elevados.

Mesmo quando seu verso se popularizou, não abandonou a forma. Seus sonetos estão entre sua poesia mais apreciada.
Esteve entre os grandes, Carlos Drummond, Neruda, João Cabral, conviviam, se gostavam, eram “chapas”.

Como compositor, foi o precursor da Bossa Nova. Com o samba Chega de Saudade, em parceria com Tom Jobim, no violão de João Gilberto e na voz de Elizete Cardoso, lançou nova e universal moda. Inédita na forma e no conteúdo dos versos da canção, ninguém falava assim, em música, com o despojamento e naturalidade, coloquialidade e diminutivos.
Nascia aí a Bossa Nova.

Como Vinícius era diplomata, suas apresentações musicais eram algo incômodas para seus superiores. Havia então, algumas regras. Vinícius se apresentaria de terno e gravata e não poderia receber por isso.

Os afro sambas, outra invenção de Vinícius

Quando Baden lhe apresentou os cantos do Candomblé, sua paixão foi instantânea, e surgiu assim, toda um cancioneiro inspirado no Candomblé e sua mitologia. Canto de Ossanha e Berimbau, são bons exemplos.
Morou na Bahia, casou- se como uma baiana, era iniciado nos terreiros, reverenciado pelas mães de santo.
Ungido e protegido.

E tinha o teatro, com Orfeu da Conceição, Pobre Menina Rica, que eram inovadores e corajosos em sua temática e cunho social, muito em voga nos anos 60.

Vinícius é um clássico.

Um homem inquieto, que transformou sua inquietude em versos de rara beleza.

E nós, somos os privilegiados por tê-lo.

Numa entrevista, na véspera de sua morte, responde á pergunta do repórter: “ Você está com medo da morte?. Não meu filho, eu não estou com medo da morte, estou é com saudades da vida”.

Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes

http://www.viniciusdemoraes.com.br/

http://eliane.ratier.zip.net/

http://elianeratier.blogspot.com/