segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Livros- A mulher do Vizinho- Fernando Sabino



 O bom humor nos salva e ter Fernando Sabino, este mestre da crônica, para ler é como ter um antídoto contra estes duros tempos.

Em breves relatos sobre suas vivências, narrados com boa linguagem, Fernando Sabino nos faz sorrir, ora pela ironia , ora pela situação em si.

Quem puder , aproveite!

 um trecho 

https://www.youtube.com/watch?v=O6gSSLurnIY


Este livro é de 1989, e Fernando Sabino é célebre escritor, jornalista, ganhador do prêmio Jabuti com o romance "O Grande Mentecapto".

biografia completa:http://www.releituras.com/fsabino_bio.asp

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Livros- Minha História- Michelle Obama





Que bela história esta de Michelle Obama!!
Inspiradora do começo ao fim!
Michelle nos leva  com ela desde sua infância , no subúrbio de Chicago, até seu quarto de vestir na Casa Branca, nos mostrando a coerência do seu ser.
As causas sociais presentes em seu fazer desde sempre, foram o norte para sua atuação como primeira dama dos Estados Unidos.
Seus projetos que , por sua posição, puderam ter maior abrangência.
Seus dilemas como mulher, filha, irmã, esposa e mãe.
Michelle é como todas nós.
Tenho certeza que toda mulher, independente da cor e condição social se identificará e suspirará aliviada sabendo que , mesmo a primeira dama dos Estados Unidos, partilha de seus interesses e angústias.
Marquei muitas páginas do livro.
Agora resta-me revê-las.
Excelente leitura!!

Minha História, Michelle Obama, Editora Objetiva, 2018, o meu comprei na Paraler, numa das boas visitas à livraria.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Eu e o Covid 19- 7





Eu e o Covid 19- 7

Após os 90 dias, quando aqui, no interior do estado, todos os indicadores pioram, o governo, pressionado pelos interesses puramente econômicos, reabre o comércio.
Uma multidão ignorante e irresponsável toma as ruas para comprar mais uma “brusinha”, dar um rolê com os amigos e a família, encontrar os Brothers, como se nada estivesse acontecendo.
Não fosse a “absurda” imposição do uso das máscaras, e das lojas que insistem em barrar a entrada dos clientes, seria tudo normal.
Só que não.
Os casos de Covid 19 continuam aumentando.
As escolhas dos outros batem à minha porta com alto risco de contágio e continuo em total alerta.
Torço para o tempo passar rápido, comemoro o fim de cada semana, o fim do mês.
Conto os meses no calendário, e pergunto quando será?
Não haverá fim?
Como será quando acabar?
Para mim, tudo já mudou.
Algumas atitudes tem preço alto, custam saúde, custam vidas.
Tudo terá que ser pesado e medido e avaliado.
No início, toda privação incomoda, depois, conforme tudo piora, vê-se que aquela primeira impressão não era nada.
Ainda desejo o abraço, a presença, mas sou grata por respirar e saber que ao meu redor muitos também respiram.
Fiquemos bem.
Eliane Ratier- falando bem sério.


sexta-feira, 26 de junho de 2020

Eu e a Covid 19-6



Eu e o Covid 19- 6


Como visto nos textos anteriores, a vida não anda fácil.
Por isso vejo com surpresa muita gente reclamando que não tem nada para fazer.
Ora, ora...
Vai ver que sobrou tudo para mim.
Mas, enfim...
Para os que ainda tem o tempo sobrando recomendo que o empreguem de bom modo.
Apostem no seu cuidado pessoal, adquirindo novas rotinas saudáveis, desde a alimentação, passando pelas atividades físicas, cuidados com a pele, e cuidados com a mente.
Sobre a mente, deem-se um tempo de boa solidão e silêncio para que vocês possam escutá-la, observem-se cuidadosamente, seus pensamentos, seus desejos, meditem, agradeçam e orem.
Alimentem-na com boas leituras, exercitem-na com novos aprendizados, pratiquem sua criatividade.
Sim, todos temos capacidade de criar.
É trabalhoso, requer tempo, o que parece que temos de sobra, paciência e persistência, que certamente desenvolveremos, pois, nem sempre, as coisas dão certo na primeira vez.
Acreditemos, o nosso crescimento será imenso.
Seremos gigantes!
E gigantes são fortes e hábeis.
Assim seremos depois desta prova de fogo.

Eliane Ratier- começando a provar do tempo que todos alardeiam sobrar

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Eu e o Covid 19- 5






Eu e o covid 19 5
 Nem só de adequações físicas é feita a proteção para enfrentar o vírus, mas também de escolhas emocionais e éticas, ainda e sempre em questionamento.
Talvez a escolha crucial se apresente, e preparo-me para fazê-la, de maneira hipotética.
Aliás, todo o tempo há uma escolha a ser feita visando a máxima proteção.
Já estava me habituando a isso, com meu interesse em proteger o planeta, então sei bem o que é escolher no consumo e nas atitudes.
Se pudermos nos proteger e proteger o planeta será ótimo.
A barreira ao vírus não é perfeita.
Qualquer ato banal pode nos expor.
Tenho muitos ajudantes, quase todos em função do cuidado com meus pais.
Adequações foram feitas para este tempo.
Infelizmente uma funcionária foi demitida, outros tiveram seus horários reduzidos, outros, aumentados.
Demos prioridade a quem não faz uso do transporte público. Nos ajeitamos com horários estendidos e alternados, redistribuímos tarefas, e continuamos nos adequando.
Os mais jovens, filha, estão assumindo as tarefas externas, mercado, farmácia.
Estão aprendendo a fazer compras com orientação detalhada, tenho tempo para isso.
Um super ganho para todos.
Os sapatos são trocados na entrada da casa, as roupas são trocadas ou são usados aventais, as mãos são lavadas, o álcool gel e o álcool líquido são usados em profusão, a distância social é mantida, e a máscara é usada em casos de maior proximidade.
Os parentes criaram a coragem para um contato presencial e nós criamos a coragem de recebê-los em prol do ancião que passava por uma piora em sua saúde.
Vieram, mantiveram distância, contato físico zero, a maior parte do pouco tempo ao ar livre e com o uso de máscaras, e assim nos sentimos incertamente seguros, aguardando os 15 fatídicos dias de possível contágio e UFA!! Conseguimos. Por esta vez.
Levamos sustos com as manifestações de alguns sintomas entre nós, família e ajudantes, até que fossem esclarecidos como alergia, dengue ou outra virose qualquer.
Aliás, há uma permanente checagem quanto a isso.
Todo dia há as perguntas, “como estou?”,” como está?”, “como estão?”.
Colho as respostas, mas não relaxo na observação.
Piorando o quadro, a política do país tem me mantido em estado de indignação permanente, causando, certamente, uma alta na pressão arterial, alguma taquicardia e muitas dores tensionais.
Vamos indo.
Confesso que cansada.
Fiquemos bem.
 Eliane Ratier, permanentemente ocupada.


segunda-feira, 22 de junho de 2020

Eu e o Covid -4





Eu e o covid - 4
Logo após as adequações físicas, as escolhas básicas e o posicionamento ético tomado frente ao vírus, veio o tempo dos questionamentos emocionais.
Quem estará aqui quando tudo passar?
Começamos, realmente, a viver como se não houvesse amanhã, como diz a música, “e se você parar pra pensar, amanhã não há”.
O que não fiz pelo outro que ainda possa ou queira fazer?
O que ainda posso fazer por mim, dentro das limitações sociais impostas, ou não.
As perguntas trazem um olhar para o que é essencial para cada um.
Nestes leituras de redes sociais uma colocação me chamou a atenção, “Você está em isolamento social com todos os seus pertences, roupas, calçados, joias, bolsas, carros “.
O que realmente me importa?
Do que eu sinto falta?
Minhas respostas ainda não chegaram todas, mas posso dizer que, do que mais sinto falta é do toque, o abraço, o aperto de mãos.
Desagradável encontrar um amigo e não poder cumprimentá-lo.
Trocar palavras rápidas através das máscaras, lamentar o fato da distância imposta pelo vírus.
Assim, nenhum será um bom encontro.
Sofro.
Vamos indo.
Eliane Ratier- mudando de calçada para não sofrer.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Eu e o Covid 19- 3






Eu e o Covid 19-3
Nestes quarenta dias do isolamento, maior tempo para os idosos, muitas coisas foram testadas e abandonadas. Algumas nem chegaram a ser incorporadas como deveriam e penso que ainda precisam ser trabalhadas. Algumas precisam de reforço de atitude, mas penso que estamos indo bem.
Meus pais sentiram muito a mudança.
Cessaram os passeios nas praça , as idas ao mercado e ao comércio, até a ida aos médicos que , felizmente, já tínhamos completado em nossa rotina de acompanhamento.
O número e a frequência dos ajudantes diminuíram, minha presença aumentou.
Às vezes eles até duvidam do que está acontecendo, há movimento na rua, mas as notícias na tv não admitem mentiras.
O vírus está ai, invisível e mortal, e eles são grupo de risco, alvo.
Resta-nos a rotina do acordar e dormir, cuidar da higiene própria e da casa, pegar um solzinho e um ar na sacada, ver o verde e os pássaros lá fora, fiscalizar o trânsito local, tomar café da manhã, almoçar, jantar, lanchar muitas vezes, ver tv, ver fotos antigas, falar com a família pelas chamadas de vídeo, ver filminhos e fotos que a família faz especialmente para os avozinhos e nos alegrar com os aniversários e nascimentos que acontecem nas famílias dos ajudantes, nossa família estendida.
Visto assim, nesta lista, parece muito, mas sobra tempo e saudade.
Há coisas que não podem ser fornecidas , precisam ser descobertas dentro de cada um.
A privação das visitas é algo pesado para eles, a família está distante, em outra cidade e teme o contato, temem trazer o vírus , temor fundamentado.
Muitas questões a administrar, questões a responder, responsabilidade a partilhar.
Fiquemos bem.
Em casa.

Eliane Ratier, sempre com muita coisa por fazer.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Eu e o Covid 19 - 2




Eu e o Covid19- 2

Quando começou foi uma semana de correria, até o comércio fechar , para as adequações higiênicas da casa, álcoois, descartáveis, máscaras, protocolos de entrada e higienização de pessoas e compras de todos os gêneros, além dos cuidados pessoais re redobrados.
Foi tempo de abastecer a despensa e os remédios que estavam em via de ter aumento.
Houve um aumento da atenção com os funcionários e seus meios de transporte, na maioria públicos, e o grau de susceptibilidade à exposição ao vírus, como também suas atitudes perante a doença, hábitos familiares, distanciamento social, sua necessidade de ficar em casa e seus recursos financeiros.
Também os trabalhos e hábitos dos moradores da casa foram checados, analisados e , ao longo do tempo , escolhas tiveram de ser feitas sobre os meios de proteção no trabalho e sobre como e onde fazer o isolamento de cada um.
Cuido de duas casas, a minha com a presença de um idoso e profissional da saúde em atividade, e a dos meus pais, onde moram dois muito idosos.
Já não era fácil.
Tem sido bem mais difícil desde então, mas tem sido rico ao extremo e surpreendente em todas as esferas.
Tenho a certeza de que a mudança virá para todos.
Fiquemos bem.

Eliane Ratier, cheia de coisas para fazer.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Eu e o Covid 19





É 20 de abril, estamos em plena pandemia do covid 19 no Brasil, numa determinação de isolamento social que mudou tudo em todo o lugar.
Tenho lido e visto muito sobre o tema, de maneira rápida, pelo instagram, pela tv.
Não temo a doença, temo transmitir a doença.
No meu círculo familiar íntimo há três idosos, dois muito idosos e com comorbidades.
Estamos guardados, os mais velhos mais guardados ainda.
Fizemos adequações no funcionamento das casas, na frequência dos ajudantes, nas práticas habituais. Tudo revisto e em permanente revisão.
Por vezes chego a temer mais a política do que a doença.
Sigo com coragem e fé, na dificuldade relativa do que vivo, mas não me conformo com os atos de desrespeito à lei e às pessoas, eu inclusa, praticados pelos líderes políticos.
Sinto-me ofendida e acho que não é hora de majorar sofrimentos.
Sem ter a quem recorrer, deixo meus protestos no papel, ao alcance dos olhos do leitor.
Fiquemos bem.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Feliz 2020






O Senhor é o pastor e nada nos faltará

Subverto o salmo 23 para assinalar que creio, mas não desejo o bem só para mim, quero-o para todos.
Fazendo a retrospectiva do findo 19 vejo que sobrevivi, fiz, na medida do possível e aprendi muito, como sempre, e por isso sou grata.
A gratidão nos faz lembrar do que de bom aconteceu ou que resultou em experiência.
Experiência é errar, sofrer e ser marcado a fogo para não esquecer como agir ou reagir, mesmo que seja para errar e sofrer, e ser mais uma vez marcado pela experiência.
Envelhecemos todos, cada um em seu grau e consequências, e sabemos que a adaptação é o único caminho. Mesmo batendo o pé em sinal de revolta, a luta contra o tempo é vã. Tomemo-lo como aliado.
 É hora de estendermos as mãos e oferecermos braços para nos apoiarmos mutuamente.
A saúde grita por atenção!
Não ter passado um tempo no hospital já é um super ganho, embora tenhamos estado longos períodos em salas de espera e feito exames de rotina, tudo validado pela excepcional qualidade e zêlo dos profissionais que nos atenderam. Ainda bem que tem. Gratidão.
No mais vamos nos esforçando para fazer a nossa parte, cuidar do corpo, da mente, da atividade física, do sono, da dieta, da higiene, do lazer, dos sonhos, da felicidade, da qualidade desta nossa preciosa vida.
E, pelo que conseguimos, sou grata.
Vão notar que me refiro aqui no plural. A luta dos próximos é a minha luta.
Tenho me colocado à disposição para apoiar e ajudar a fazer acontecer.
Neste meio tempo fizemos algumas poucas artes, subimos ao palco, abraçamos os amigos, sorrimos, rimos, visitamos, recebemos visitas, pegamos a estrada, fomos e voltamos.
Abençoamos e fomos abençoados.
Isso nos fez sorrir, girou a roda da alegria.
E, Deus, como é importante sorrir!!!
Vou anotar este item e trabalhar por ele: Sorrir!!
Tivemos muita ajuda, de grande qualidade.
Com os que nos ajudam, formamos uma extensa família, pela qual sou grata.
Trabalhamos pelo conforto de todos e pudemos fazer muito por isso.
Grata, grata, grata.
Mesmo reconhecendo o muito que tivemos, ainda sinto falta de algumas coisas, como estar com as filhas, fazer mais arte, ter mais palco, dançar, ler, escrever, caminhar.
Novamente o tempo. Ele vem nos lembrar das impossibilidades. Por ser finito, exige  escolhas.
Aí damos a mão à experiência e avaliamos a dor do não fazer e a felicidade pelo feito.
Mesmo assim, de vez em quando dói o não feito.
De vez em quando angustia o peito.
Então oro.
Oro em prece, em silêncio ou em ação.
Oro e me sinto bem.
Oro e me lembro que o Senhor é o pastor e nada nos faltará.
Porque o que não posso, Ele pode.
Feliz 2020.

Eliane Ratier, pisando 2020 sem planos específicos, mas já em ação.





quinta-feira, 18 de abril de 2019

No Blog da Revide - A Páscoa





Páscoa

Não sei bem o que escrever sobre esta data religiosa.
Sobre o significado religioso em si, quase nada posso.
Posso falar, sim, do seu significado particular em mim.
Oficialmente a Páscoa fala de mudança, renovação, renascimento, esperança, fé.
Minha Páscoa tem a ver com reuniões familiares, bacalhaus intermináveis, vinho, assados com alecrim, chocolates, chocolates, chocolates sem fim e crianças.
Assim desde o tempo de eu criança.
Agrega-se a este, o tempo de ter crianças, de vê-las crescer e partir para o mundo.
 O tempo de desenvolver uma receita de trufa imbatível.
O tempo de deixar de ser visita para ser anfitriã.
O gosto por arrumar a casa com enfeitinhos, mimos, flores , para as não mais crianças que fomos mas que sempre seremos.
Por época da Páscoa, nem sei se pelo simbolismo da data, de maneira inconsciente, ou pela transcorrência do primeiro trimestre do ano, ou a mudança de estação, a percepção da proximidade da metade do ano, que ao chegar aí já se torna fim, chego num ponto onde a ação é absolutamente urgente e sem chance de adiamentos.
Tenho a percepção disto desde os tempos de faculdade, quando discuti com um colega nos primeiros dias de aula e resolvi fazer as pazes após a Páscoa, apaziguada por bombons.
Minha segunda filha resolveu nascer pela Páscoa.
Minha sogra partiu em uma Páscoa.
Os projetos andam, as aflições acomodam, as novas resoluções são postas em prática, afinal já se passaram quarenta dias do carnaval, é mais que tempo de fazer acontecer.
Então, mesmo sem saber muito sobre o significado oficial, trato de fazer valer pelo significado pessoal.
Feliz Páscoa! Feliz Renovação !
Eliane Ratier, com os dedos melados de chocolate acertando o ponto das trufas


segunda-feira, 8 de abril de 2019

No Blog da Revide- Meus livros favoritos





                                                                  Meus livros favoritos

Adoro ler e leio desde sempre e cada vez mais e de tudo.
Tenho muitos livros lidos guardados, mas nem todos.
Tenho, também, uma pilha aguardando leitura, e cada vez que os olho, suspiro lamentando a hora, sempre adiada, de satisfazer o desejo permanente.
Tem livros que já não tenho. Foram doados em diversas oportunidades ou mesmo abandonados por aí, num projeto próprio chamado “Livro Livre”.
Há motivos muito justos para a doação de livros começando pela liberação de espaço no lugar onde vivo e passando por certos critérios como o errôneo reconhecimento de não valor, o que me fez ficar na saudade, reconhecimento absoluto de grande valor, que faz com que os deseje partilhados para maior alcance, ou ainda o critério de inservíveis, que não mais me servem, mas sempre servirão a alguém.
Tudo isso para dizer daqueles que adoraria ter por perto sempre, para correr os olhos pelas páginas aleatoriamente, descobrir e redescobrir o texto, sorrir, lembrar, sonhar.
Um deles é o livro de sonetos de Vinícius de Moraes, fininho e completíssimo, poemas para toda ocasião.
Recentemente, no sarau da Casa do Poeta de Ribeirão Preto, que aconteceu no sábado de carnaval na livraria Paraler, li o “Soneto da quarta-feira de cinzas”, como poderia ter lido o “Soneto de carnaval” ou o “Soneto da mulher ao sol”, todos muito apropriados.
Nem vou deixar aqui a amostra, só atiçarei o desejo por este livrinho do poetinha mór da nossa língua.
Aproveitem, sempre é tempo para conhecer ou revisitar um livro.

Eliane Ratier, atenta a todo o seu amor pelo livro, a leitura e a poesia.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Livros- Amor passageiro- Menalton Braff




Menalton Braff é Mestre, com este eme maiúsculo mesmo.
Autor de grande experiência e técnica apurada, Menalton produz textos com justas medidas de poesia ,traçando enredos instigantes que levam a finais surpreendentes.
Cumpre uma das boas funções da literatura que é fazer pensar, refletir, formular a partir do dado, o que não foi dado, mas que possa vir a ser.
É isso! Ler Menalton, em qualquer situação, é expor-se à belos passeios linguísticos e a muitos motivos para fazer o cérebro trabalhar na razão e na emoção.
Sempre muito bom!!

Amor passageiro- Menalton Braff- Editora Reformatório- o meu comprei na Paraler, lamentavelmente perdi o lançamento oficial, mas tenho esperanças de obter um autógrafo, em todas as livrarias ou no site da editora.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Uma caixinha de felicidade




Uma amiga nonagenária conta-me um de seus segredos.
Sim, nonagenários devem ter muitos segredos para serem longevos, ainda mais como ela, ativa e produtiva.
Minha amiga revelou-me que tem uma caixinha especial onde guarda coisas totalmente sem importância, tolices que a fazem sorrir.
Conta-me que a ela recorre quando se sente meio prá baixo, entristecida, o que é raro, e que a caixinha com preciosos tesouros opera milagres ao recordar-lhe os bons momentos.
O que há na caixinha?
Um papelzinho de bala amarelinho descorado, que embrulhava a bala que o avô costumava comprar para ela aos domingos depois da missa,e que ela degustava às mordidas, a saliva escorrendo pelos cantos da boca, apaziguando a fome da já tardia hora, enquanto caminhavam para casa onde a avó os esperava , mesa posta, casa rescendendo ao bom perfume da comida pronta; um pedaço de fita de cetim azul com imaginários resquícios de perfume, com que adornava seu cabelo naquela quinta feira a tarde, na porta da loja , no centro da cidade, quando viu seu marido pela primeira vez, assustada com o incontrolável galope do seu coração e o rubor da face que surgiram assim que ele sorriu, e ela descobriu-se irremediavelmente apaixonada; um babadorzinho bordado por ela mesma para o uso do primeiro filho, amadinho, em dias de festa, quando apenas despontavam dois dentinhos no sorriso largo da criança, usou-o , também, nos outros dois, do mesmo modo amados; uma nota da livraria que acolheu seu primeiro livro, fruto de muito trabalho e estudo, noites sem dormir, leituras de construir o futuro, ausências da casa-lar, descobertas que a validaram perante o mundo exterior, a sociedade, seu peito brilhando em triunfo, não ganhou dinheiro com isso, nada importa, ganhou um mundo; um bonequinho de plástico e dois bilhetinhos escritos com lápis de cor, presentes de seus alunos mais lembrados, fosse por seu destaque como estudantes, fosse pelo trabalho dado, suas carinhas a aparecem iluminadas na memória; uma foto do casamento de seus pais, tão jovens, os olhos cheios de sonhos dos quais ela fez parte; uma foto da família em sua casa, que rescendia à comida pronta, depois da missa de domingo, todos alegres e sorridentes, quase todos existentes apenas na foto; um recorte de jornal com um lindo conto sobre o pássaro azul , sua cor predileta, e que a faz suspirar, ler e reler, como se pudesse assim, ter o pássaro em suas mãos ; e , entre tantos outros tesouros, um papel bem novo, impresso pelo computador, com um poema, que ganhou ao completar seus noventa, de uma coleguinha, bem mais nova e que pouco sabe dela, mas que sentindo sua essência escreveu os versos que a descrevem como só seu próprio espelho faz.
É assim, que nas raras tardes de desânimo minha amiga se refaz com seus pertences mais preciosos.
Sendo este um de seus segredos que a tornam amiga do tempo, sugiro que tenhamos, também nós, nossas caixinhas e saibamos guardar as lembranças dos bons momentos que certamente enchem nossa vida e dos quais pouco lembramos.
Beijo, queridinha, sábia coleguinha e obrigada pela linda lição de vida.