sexta-feira, 30 de março de 2012

Dia do Circo

Nesta semana, dia 27 de março, foi dia do circo. Uma homenagem ao palhaço Piolin, nascido aqui no Ribeirão Preto e que me foi apresentado pela linda Jair Yanni e seu livro/biografia/poema ilustrado sobre Piolin.
Ela costuma comemorar a data , e eu contagiada, mesmo sem ser de circo, vou no embalo.
Deixo aqui um poema encomendado e entregue no prazo, sobre o palhaço.

ilustração do livro Piolin de Jair Yanni, feita por Roberto Bérgamo


Eu, palhaço

Sou o que sou,
não tenho opção.
Se envergo o terno sisudo da obrigação
pareço grotesco,
e até o porteiro do prédio vizinho
sorri do meu ar inadequado em desalinho.

Sou o que sou,
um poeta do riso.
Mostro a graça da ocasião,
alivio com piadas
o sofrimento, o medo, a ingratidão.
Bom ator
finjo não sentir o que sinto.
Se minha roupa é colorida
seu avesso é forro desbotado,
tom de melancolia,
grudado à pele deste humano ser,
que chafurda o  interno
em busca do belo.


Sou o que sou ,
aceito a condição,
essencial como o padeiro ou o padre,
eu  palhaço
me declaro de grande utilidade
e dou-me um ultimato,
um último prazo,
de fazer  rir a humanidade,
apesar da dor, da desilusão, da perda, da saudade.


Eliane Ratier, para Jair Yanni, novembro de 2011

quarta-feira, 14 de março de 2012

Notícias Poéticas- fevereiro de 2012

Ok, amigos, desculpem o atraso, pontualidade não é o meu forte, mas aproveitando o dia nacional da poesia, deixo aqui mais uma pegada neste caminho que trilho.


Notícias Poéticas – fevereiro de 2012-03-12
E vem fevereiro pondo à prova , a ferro e fogo , os desejos, as capacidades , as escolhas.
Sabia que seria assim e mesmo assim a emoção me surpreende, e por isso dou graças.
Dou graças por esta capacidade de emocionar-me.
Dou graças por este olhar que se molha, o coração que freme, um suspiro que escapa.

Carnaval

Na máscara da indiferença
quem de nós assume a real face?
Será a fantasia realidade
ou será só o efeito
deste carnaval em meu peito
que pede piedade.

Dai-me, Senhor, um brilho de alegria
no sorriso bordado em pedraria.
Dai-me, Senhor, o conforto provisório
de ser astro por um dia
no luxo das plumas e penas,
penas sem melancolia.

E eu, criatura tua,
 dar-te -ei graças, Senhor,
pelo gozo e suor deste corpo que se acaba na folia
e renasce, quarta de cinzas,
para o trabalho,
sério caso de todo dia.

                               Eliane Ratier- março de 2012

domingo, 4 de março de 2012

Um sorriso é irresistível

                                                              Jean Dujardin rindo

Ontem fui assistir ao filme "O Artista", grande ganhador do Oscar 2012.
O filme é ótimo ! E não vou entrar em detalhes para não estragar a surpresa.
Vou falar do quão encantadora é uma pessoa que ri.
Jean Dujardin, o astro do filme, ri o tempo todo, na tela e fora dela.
Geminiano de 19 de junho, no auge dos seus 40 anos, ele ri, sedutor e seguro, embora tenha um canino e um lateral, isto é a comissão de frente, fora de seus lugares, e isto não importa.
 A natureza é imperfeita, a perfeição é uma invenção de Hollywood que é amplamente divulgada pela mídia tupiniquim como verdade universal.
Não me entendam mal, a beleza e a estética são objetivos a serem perseguidos por agregarem qualidade a tudo, mas ambas tem a ver com equilíbrio e não com perfeição.
Fim da divagação filosófico-científica.
Bem, ele ri, e quem ri assinala que é capaz de sentir prazer.
Rir é colocar ferormônios no vento. É afogar-se em felicidade. É gorgolejar sorrisos. É estar voluntariamente vulnerável por posar de tolo. É transbordar espontaneidade.
Quem ri não se importa com julgamentos. Mais que instinto,  tem o ato ligado ao sistema autônomo, impossível conter, assim como um espirro.
Dizem os cientistas que o ato de rir faz bem ao organismo, revitaliza-o de várias formas, previne as rugas.
Eu acredito,uso e recomendo.
 Se, por algum motivo, parecer difícil, ensaie um pouquinho todo dia.
Use um espelho e veja como um sorriso ilumina.
Se algo lhe desagrada, dê um jeito, procure um dentista, um bom fotógrafo, seu melhor ângulo, mas não desista.
Treine, sorria.
Rir é questão de prática, gargalhar é nível de especialista.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Revisão gramatical básica

O texto das Notícias de dezembro sofreu um acidente.
Deveria saber e sabia, em algum recôndito recanto de mim, no passado longínquo dos bancos escolares, este saber aguardava o despertar, que veio em forma de intuição, com sensações de pesadelo, causando grande incômodo, tirando-me a paz.
 Desconfiei ,pedi  ajuda para a fatal constatação do erro, consultei meu help desk gramatical, sim eu tenho um,e não houve remédio senão a correção. A lição é a tentativa de aprender com o erro e a esperança é de que haja perdão da parte de quem foi por ele atingido.
Não que seja tão importante assim, até Renata Palottini, em suas palavras de orelha de livro, me consola assim: “ O dom da criação poética, geralmente atribuído a poucos, é tanto doação quanto esforço , ousadia e trabalho. As deusas da Poesia não nos dão prêmios gratuitos. Temos de aventurar-nos, abrir caminhos novos, persistir, errar e votlar a procurar o acerto. Foi assim sempre e é ilusão supor que os gênios nasceram acertando. Provavemente o que ocorria é que eles encaraarm a audácia mais cedo que nós.”
 Mas, por um desencargo de consciência, reescrevo aqui o poema de ano novo, agora, assim espero, gramaticalmente correto pois , intencionalmente,  é exato.
                                                        Desejos de Ano Novo
Desejo  que você seja feliz com o que o cerca.
E que, o que o cerca seja o bastante, e sobre,
Para que você tenha a alegria de partilhar.
Se assim não for, eu lhe desejo
 Coragem e  vontade para chegar lá.

Eu lhe desejo o bem
Para que você o faça e o receba.
Eu lhe desejo  paz,  saúde, alegria e  amor.
Que a sua Felicidade aconteça
Seja lá como  for.

 E desejo  também,  que a beleza o atinja
Como  profunda emoção,
Para que você viva
Mas não viva em vão.
Pois Deus está nas maravilhas que percebe o coração.


Eliane Ratier

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Notícias Poéticas- janeiro de 2012

Notícias Poéticas- janeiro de 2012





Feliz Ano Novo!
Se o mundo acabar estarei pronto.
Não pensem que a afirmação acima encerra a idéia de estar pronto , acabado.
 Continuo este ser “em processo”, aprendiz do tudo, voraz e vivo.
 Apenas sinto-me em paz, sem dívidas emocionais com ninguém, nem comigo.

Sei quem eu sou,
O que eu sou,
E parte do que vim fazer aqui.
Perdoei-me por passar tanto tempo sem saber...
E sei que posso mudar a qualquer instante
E estará tudo bem, porque gosto de mim,
E sou gentil, terna e amorosa com quem gosto.

Disse todos os “Eu te amo” e “ Me perdoe” desejados, merecidos e devidos
E continuarei dizendo.
Ouvi muitos “ Eu te amo” , mas nem todos.
Há pedidos de perdão sem aceite,
Coisas que nunca acontecerão.
Aprendi a tornar leve a frustração
Para que não me atrase o passo.
“Obrigado” é palavra constante em meus lábios.

Fiz tanto!
Faço porque estou viva 
E farei porque é sina.
Sonharei sempre.
Trago a esperança impressa no DNA
E o núcleo imutável de mim é feito com o mais puro otimismo.

O ano começa e me pede revisão.
Uma no trabalho,uma geral na vida, a retrospectiva.
Sobre esta última , ao fazê-la , constatei que 2011 foi um ano cheio, cheíssimo de boas coisas, novidadíssimas, gente, aprendizado, realizações  e muito, muito trabalho, tanto que sobrou para 2012.
Muito do vivido ainda não recebeu a atenção merecida.
Torço para que a receba.
Embora passado, a experiência, rica que foi, merece entendimento e sedimentação. 
Os outros ítens apresentam seus progressos.
Cumprimento-o amigo, com um aperto de mãos, caloroso e firme, selando nosso compromisso de encontro .

                                                                                     Eliane Ratier- janeiro de 2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Balanço de 2011

Desculpem-me aqueles que receberam o texto anterior sobre o Balanço 2011, ou o leram por aqui. Era apenas um exercício íntimo que vazou para o público. Coisas da internet e desta pessoa ainda perdida na tecnologia. Peço que não o propaguem ou divulguem. Obrigada

domingo, 8 de janeiro de 2012

Livros recém lidos- Tapete de Silêncio de Menalton Braff

"Tapete de Silêncio", livro mais recente de Menalton Braff, escritor de reconhecimento internacional, é um daqueles livros impossíveis de largar.
Lí-o num destes dias de chuva e não sosseguei até terminar.
É um livro de ação que envolve o leitor, tornando-o cúmplice dos eventos.
Gostei muito.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Livros recém lidos- Ato Penitencial- Regina Baptista

Regina é surpreendente!
Escritora daqui da terra quente do Ribeirão Preto, tem um ótimo ritmo,o  que torna difícil abandonar a leitura.
Ato Penitencial tem como personagem principal um padre, Fausto, que dialoga intimamente consigo em busca de razões e verdades.
Gostei muito.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Humor para um Feliz Ano Novo

A amiga Elisa Alderani mandou estas trovas que me fizeram rir. Partilho com vocês.

<<< Uma Trova Nacional >>>
Preguei uma ferradura
na porta do apartamento.
Escreveu-me a Prefeitura:
Prezado Senhor jumento...
–Agnelo Campos/SP–
 
<<< Uma Trova Potiguar >>>
Deus, quando criou Adão,
fez-lhe a mulher da costela.
Seria por isso, então,
que ele não vive sem ela?
–Rosa Regis/RN–
 
<<< Uma Trova Premiada >>>
2004 > Nova Friburgo/RJ
Tema > OTÁRIO > 2º Lugar
- Vai um chopinho? É do bom!     
- Eu só bebo destilado.
E o otário do garçom
pôs o copo do outro lado.
–Selma Patty Spinelli/SP–
 
<<< Uma Trova de Ademar >>>
O meu primo se reveza,
entre o bar, orgia e fé...
Às sete ele está na reza,
e às oito no cabaré!
–Ademar Macedo/RN–
 
<<< ...E Suas Trovas Ficaram >>>
Na derradeira viagem
feita num dia qualquer,
a gente vira bagagem
da mala que ninguém quer.
–Hildemar de Araújo/BA–
 
<<< Estrofe do Dia >>>
No monte das “Oliveira”
A comadre da vizinha
Almoçava na cozinha,
Tomando chá de cidreira,
Balançando na cadeira,
Devagar, quase parando.
O mundo tá se acabando!
Meia noite, brilha o sol
Namoro de caracol.
A tarde tá começando!
–Nemésio Prata/CE–
 
<<< Soneto do Dia >>>
COMICHÃO  DE  FRENTE.
 
–Edmar Japiassú Maia/RJ–
 
A Escola evolui com tal agrado,
com as alas perfeitas na harmonia,
que a expectativa pelo resultado
encheu os componentes de alegria...
 
Na apuração, a nota de um jurado
tornou, porém, a situação sombria,
pois foi-lhe um ponto, sem razão, roubado,
e um sentimento de revolta ardia...
 
Grudada na TV, a Escola inteira
via, atenta, o “replay” e...de repente,
aparece no vídeo o Zé Coceira
 
que, agoniado pela comichão,
a desfilar na Comissão de Frente,
coçou “a coisa” em frente à Comissão!
   

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Nelson Tangerini, nosso amigo carioca, manda poema do pai Nestor Tangerini, de presente de Natal

CASINHA BONITA


Na vida, pena inclemente,
que às vezes me faz incréu,
deve ser o lar da gente
um pedacinho do céu.

Uma casinha bonita,
com jardinzinho e quintal,
que tenha, alegre e catita,
a poesia de um pombal.

É uma casa muito assim,
que construí dentro de mim,
para o amor, meu ideal.

E que eu quisera, meu bem,
pôr no sapato de Alguém
nesta noite de Natal. (*)

Autor: Nestor Tangerini

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Notícias Poéticas- dezembro de 2011

Notícias Poéticas- dezembro de 2011




    É dezembro, as luzes da cidade sussurram em aviso, tremeluzem em iluminado dourado,
piscam num sedutor meio sorriso.
    É dezembro, perambulo pelo centro como se nunca o tivesse visto.
   Perco-me no estranhamento dos enfeites coloridos.
   Minha cidade foi tomada pela ordem universal do Natal.
   Na profusão de vermelhos e brancos todo exagero é permitido.
   Há muita gente sem rumo, muito barulho por nada, muito calor sem remédio, muito presente inútil.
   Há alguma chuva arrefecedora, falsas alegrias, obrigações estragando o gosto da festa, lágrimas apelativas provocadas pela saudade intencionalmente evocada.
   Do que se apresenta, escolho o brilho gratuito da estrela, eterno como a mais fina jóia;
o sorriso espontâneo da criança, beleza inigualável; a naturalidade do riso, seda rara a tocar a pele; uma oração de esperança que te ofereço como agradecimento pelos bons momentos vividos.
   Obrigada por sua companhia.

Feliz Natal!
Feliz 2012! 
 
Para o Natal?
Quero o brilho da estrela, eterna jóia
A presença da Criança, poesia em forma humana
Um atestado de vida eclodindo em riso, prazer incontido
Uma oração de verde e nova esperança,
Que lhe ofereço em gratidão
Pela vida que partilhamos ainda agora
Neste lugar no mundo
Neste espaço de tempo
Mãos dadas em pensamento
Juntos , envoltos em beleza,
Na boa, amorosa, amiga e bem-vinda convivência .
Felicidades!

                                                         Eliane Ratier, dezembro de 2011 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ana Maria Poleto Chaves manda mensagem de Natal

   Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta, de sol quando acorda,
 de flor quando ri.
    Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso, numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
    Ao lado delas, a gente se sente comendo pipocas na praça,  lambuzando o queixo de sorvete,
 melando os dedos com algodão doce, da cor mais doce que tem para escolher .
     O tempo é outro......
     A vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver!
     Tem gente que tem o cheiro do colo de Deus, de banho de mar, quando a água é quente e o céu é azul.....
     Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
     Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando sapato pelo chinelo,
  sonhando a maior tolice do mundo, com o gozo de quem não liga para isso.
     Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal, do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
     Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu, e daquelas que conseguimos acender na terra.....
     Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
     Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegrial, recebendo um buque de carinho, abraçando um filhote de urso panda, tocando com os olhos, os olhos da Paz.
      Ao lado delas, saboreamos a delicia do toque suave, que sua presença sopra em nosso coração.
     Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa,  de brinquedo que a gente não larga,  do acalanto que o silencio canta, de passeio no jardim.
     Ao lado delas a gente lembra que no instante em que rimos, Deus está conosco, juntinho, ao nosso lado!
     E a gente ri que nem menino arteiro!!!
                             autor desconhecido
                                                                     
                Que o Natal seja de Paz e alegrias e o Ano Novo traga tudo de bom!
                                          Com carinho, Ana Maria
                                          

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Jair Yanni acredita no Papai Noel , e você? Texto de Jair de presente de Natal

 Saudações festivas,
Eu ainda acredito em Papai Noel.
Talvez seja tão forte essa minha crença, só por me ter sido revelada quando eu era ainda um anjo. No meu tempo, o estado angelical era conservado até o momento em que a criança descobrisse a subtileza da mentira. Não era propriamente uma mentira. Antes, a colocação ingênua do mistério. O mistério sempre atrai, provoca reflexões, nos leva a um estágio de curiosidade poética.
Deduções infantis são quase sempre poéticas, quando os adultos não as contaminam; porque os adultos são realmente muito “bizarros”.

Quando eu nasci, o mundo ainda era povoado de sonhos. Os homens e os animais eram mais específicos:- homem era humano, o animal era bicho!
O respeito propiciava o amor, e o amor simbolizava paz. A palavra ética, nem era advertência; todos a praticavam sem saber seu nome; por que, eu nasci num tempo, bem antes de tantas comunicações e tantos estímulos, como temos agora.
Quando chegava em minha casa um telegrama, minha mãe se benzia antes de o abrir. Vivíamos em discreta ingenuidade. Era-nos fácil acreditar em mistérios .Um simples sinal da cruz, nos afastava de uma má notícia. Quanto respeito, meu Deus!
 Notícias, boas ou más, já com um certo atraso, nos chegavam por jornais, que meu pai ia pegar no correio todas as tardes. O correio da minha cidade, só abria as portas, quarenta minutos depois que o trem chegasse. Era o tempo necessário para a distribuição da correspondência nas caixas.
Cidade pequena, poucos leitores. Vida pacata, poucos acontecimentos.
Lembro-me de uma parede cheia de portinhas de metal amarelo, numeradas e com chave. Eram as famosas "caixas postais" onde eu depositava as cartinhas ao Papai Noel. Era por lá que se iam as minhas ingênuas crenças. E era naquelas caixas do correio que também chegavam as respostas e advertências...e, como o velhinho bondoso sabia dar conselhos!
. Eu o obedecia com fidelidade pelo menos até chegar o Natal; assustada com o seu poder de conhecer meus pecadinhos.
Nunca me desmentiram; deixaram-me despertar desse sonho por dedução própria e isso nunca me causou nenhum mal, porque eu também os enganei a todos:
"Até hoje eu acredito em Papai Noel. Ele existem sim; da mesma forma que existe em mim uma criança que não morre
Jair Yanni

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Carmen Soares

Meire, Carmen e Eliane

Foi no mesmo dia 11, o segundo dizem, cabalístico 11/11/2011, onde teve até mãe exigindo que neném nascesse às 11h11m do dito dia, que Carmen Soares, com a primazia de ser a aniversariante do dia, tomou posse na Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto, a ALARP.
A Carmen é muito querida por mim, por seu jeito doce, participativo, alegre, espontâneo e vivo de ser.
Logo que nos conhecemos ela gostou de um poema meu que passou a carregar por aí, feito tradução de desejo , explicação de fato.
Conheci a Carmen escritora, na antologia  Palavras, depois soube de sua arte mais significativa, as artes plásticas, pintura e escultura.
Participei da exposição que ela organizou com um grupo sobre mesas e guardanapos. Ela nos pediu textos relacionados, e aí estava eu, mais uma vez, de mãos dadas com alguém que fala a minha língua, crê na multiplicidade e no todo.
Bela noite na Bauhauss!
Ali conheci parte de sua família de sangue e de artes.
Carmen tomou posse na igreja do bairro onde mora, bairro de artistas como diz e não mente.
O Jardim Recreio é absolutamente inspirador.
Seu discurso permitiu-me conhecê-la mais um pouquinho e tornou-a ainda mais bela  e valorosa aos meus olhos.
A recepção foi em sua casa, rodeada da felicidade dos amigos em dupla comemoração, aniversário e posse, e cercada pelo carinho dos 5 lindos filhos, três meninos(homens) e duas meninas( mulheres) e dos netos igualmente belos, frutos de boa semente.
Carmen nos abriu as portas de seu lar, cheio de beleza, encanto, arte e lembranças gravadas com emoção em cada folha de árvore, fresta de cimento, perfume de flor.
Na felicidade da partilha me senti amiga.
Beijo em Carmen.
ps: era uma noite de lua quase cheia, farol do quintal cheio de plantas e perfumes onde reinava a paz da família feliz e a ternura dos encontros de amizade.
Coloco aqui o poema que é também dela por assim lhe fazer gosto.

Um dia eu vou na tua casa


Um dia eu vou na tua casa.
Vou ficar do teu lado o tempo todo,
Você vai enjoar de mim,
Vai me mandar embora,
E eu não poderei ir.
Só poderei rir.

Um dia eu vou na tua casa.
Para sentar no sofá da sala
E assistir filmes sem fim.
Abrir a geladeira,
Esvaziar a despensa,
Espalhar migalhas no jardim.

Um dia eu vou na tua casa.
Para te conhecer melhor,
Sentir a luz, tatear as paredes,
Ouvir a rua e calar,
Andar de meias,
Esquecer de mim.

Um dia eu vou na tua casa.
Para brincar no quintal,
Pular amarelinha e cantar,
Segurar na tua mão,
Tomar banho de lua até esfriar,
Daí eu vou dormir.

Um dia eu vou na tua casa.
Fazer companhia, ficar junto,
Comer, brincar, sonhar,
Rir muito.
Um dia eu vou,
E vou voltar.

Eliane Ratier, em Cartões Poéticos



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

João Augusto-lançamento de Sem a sombra de um guarda-chuva


João Augusto, este poeta meu amigo, lançou seu mais recente livro em 11 de novembro, nos estúdios Kaiser.
João dedicou-me um poema " Necessidade", com belas metáforas e imagens. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida, um presente inesquecível e perpetuado, palavra, tinta impressa sobre papel, livro.
Na hora dos autógrafos não quis ver o poema, encontrei-o na sequencia da leitura e de pronto lhe fiz a resposta poética como merecia e me era imposto pelo coração.
Terminei a leitura do livro do João, marcando as páginas preferidas como é meu hábito, para localizar fácil numa segunda leitura, ou numa leitura em público. Poderia ter marcado todas, pois eu e João temos uma total  identificação.
 João Augusto é a voz que dialoga, em forma de poesia, com a inquietude que em todos nós habita.
Obrigada amigo.

Necessidade

Cada palavra tem seu tempo de nascer
Cada copo de vinho bebe sua própria história
Cada lágrima leva um pouco de perfume
Açucarado com
Ervilhas
Cada paixão
Cada cena de sexo
Leva em si um pouco da piedade
E da inveja
Alheia
Cada poema
E cada poeta
Morre do seu jeito
Inevitavelmente com uma fita azul sobre o caixão
Os outros pois que se expliquem
Eu
Religiosamente
Ao dizer boa noite
Vestido de chinelos
A cada estrela moça
Grávida de céu

João Augusto