segunda-feira, 29 de junho de 2015

Vivências da 15ª Feira do Livro de Ribeirão Preto

15ª Feira do Livro Ribeirão Preto- 2015
Não vi o nascimento da Feira do Livro, talvez vivesse em outro “planeta”.
Acompanho a Feira, e participo dela , desde 2006, 10 anos já!!!,  é!  Acho que tenho minhas próprias efemérides a celebrar, e sei que 15 anos é um importante  marco de permanência.
Tenho aprendido muito com a Feira e sobre ela, sempre mutante, reinventando-se novidadeira para manter-se atraente e alcançar os objetivos propostos, cada vez  mais ambiciosos.
Lógico! É preciso pensar grande quando se faz algo em favor da educação e da cultura para que se consiga realizar um mínimo algo.
O investimento é feito, também em capital, mas o retorno não é por ele mensurável.
O retorno é a qualidade do ser humano e isto não é valorado em moeda corrente.
Sobre esta edição da Feira vou contando, por aqui, o que vivi.
Muito perdi, mas é impossível estar presente em tudo.
Meu primeiro evento foi a abertura da exposição de artes plásticas da Alarp, Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto,  a qual pertenço, no saguão de entrada do Centro Cultural Palace.
Cabem aqui os agradecimentos à Fundação Feira do Livro, nas pessoas de Edgar de Castro, Adriana Silva, Nelson Jacintho, Viviane Mendonça , que garantiram o espaço da exposição na programação da Feira.
Agradecimentos , também e principalmente, à Meire Teixeira e à equipe do Palace que disponibilizaram sua casa para a “invasão “ artística.
Tem-se ainda que agradecer a disponibilidade destes grandes artistas da nossa terra ao prepararem suas obras especialmente para o evento e a dedicação de Tóia Fonseca na organização e montagem da exposição.
Logo após , tivemos a abertura do Salão das Letras, mostra conjunta de textos dos acadêmicos da Academia Ribeiraopretana de Letras, ARL, e da Alarp, no pavimento do primeiro andar do Palace.
Além dos agradecimentos já feitos, tem-se que reconhecer o trabalho de Dumara  Jacintho, que recolheu os textos,  fez a formatação, a impressão e ajudou na montagem da exposição.
A mostra abrigou 19 textos das duas casas.
Ainda no domingo, foi a entrega do prêmio literário Rubem Alves com participantes de todo o Brasil.
Destaco aí a participação de Rosa Maria de Brito Cosenza, dedicadíssima, e da Iara Fonseca, que tomaram conta de tudo lindamente.
Momento de total felicidade dos premiados, incluindo alunos e seus mestres.
Feliz, eu também, por poder fazer a entrega de um dos prêmios em nome da UBE, União Brasileira de Escritores, e da Alarp, apoiadoras do concurso, para a médica Márcia de São Paulo, a Dra Márcia Etelli, uma nova amiga que trouxe sua gentileza para enfeitar a festa.
Para arrematar o dia , uma passadinha no estande dos autores, um dos locais mais agradáveis da Feira, localizado no salão do térreo do Palace, ao lado da cafeteria.
Espaço pródigo em encontros e momentos de rara felicidade junto aos queridos das letras, muito bem cuidado pela Teresinha da Funpec, a quem devemos agradecimentos por sua gentileza e paciência no atendimento atencioso ao público e aos escritores.
A Teresinha é nossa!!
Não dou , não vendo , não troco.
Na segunda feira foi a vez de ver o Dr Camilo Xavier e a turma da universidade que se une a ele nos projetos educativos e culturais da Incubadora Cultural.
Dr Camilo merece os cumprimentos por sua atuação junto aos jovens.
Foi o primeiro salão de idéias que assisti na Feira de 2015. O Salão aconteceu no auditório do térreo do  Centro Cultural Palace. Espaço cedido para os autores promoverem debates de idéias entre 3 ou 4 palestrantes, com organização do dr Nelson Jacintho, vice presidente desta edição da Feira, sua esposa Dumara Jacintho, e com a participação de todas as casas literárias, ARL, Alarp, Casa do Poeta e Escritor, UEI, UBE, Médicos Escritores.
A estes, e a nós todos, dirijo meus cumprimentos e agradecimentos pelo belo trabalho.
Arrematando a manhã , um salão de idéias com o múltiplo e  inteligente , Gregório Duvivier.
“ Sou um ator que escreve. Escrever é  a melhor maneira de falar sem ser interrompido”
Na terça fui forçada ao repouso, uma torção no pé, mas aconteceram coisas lindas como o Sarau do Diva Tarlá, da querida Marisester Souza, o Pedro Bandeira, e a oficina da mestra Ely Vieitez Lisboa.
Perdi!
Fazer o quê, né?
Tudo para me poupar para o momento máximo da apresentação da escola Otoniel Mota,  no PedroII, com o projeto Combinando Palavras, desta vez com Ariano Sussuna.
Heloísa Martins Alves, minha super parceira, convidou-me , mais uma vez , a conduzir esta apresentação.
Coisa que amo fazer.
Desta vez, fui acompanhada pelo mestre Carlos Tampa, grande artista, divulgador da cultura popular nordestina, e que fez o prefácio do livro.
Tampa fez uma festa com seu som, ritmo e falas colocando todos no clima “Suassuna”.
Os alunos leram os textos produzidos para o trabalho, foram entrevistados e responderam perguntas da platéia.
Desta vez, além dos textos, os alunos fizeram as ilustrações do livro baseados numa oficina de artes plásticas ministrada pela talentosa ilustradora Semíramis Paterno.
A apresentação foi emocionante. É emocionante ver a dedicação dos professores e o envolvimento dos alunos. São momentos onde se renovam as crenças no futuro.
Ver este trabalho é ter esperança.
A conversa foi para lá de boa, e a companhia especialíssima.
Os agradecimentos vão para Heloísa, pela condução do projeto e pelo convite,  para a direção da escola Otoniel Motta, por ter acreditado e apoiado, para o Tampa, meu companheiro de feliz momento e para os alunos e mestres realizadores.
Mais que feliz!!
E a festa continuou com o salão de idéias sobre o modernismo protagonizado por meus sapientíssimos colegas da Alarp.
Platéia lotada!!
Gente esperando gente sair para entrar.
Aliás, como aconteceu em quase todos os salões dos autores.
Uma maravilha!!
A palestra foi conduzida por Carmen Soares, com a participação dos artistas plásticos, Miguel Ângelo, Norma Campaz e Denise Muller.
Miguel  Ângelo  falou sobre os caminhos artísticos que culminaram no modernismo.
Norma Campaz falou sobre o escultor Victor Brecheret e Thirso Cruz, que estava na platéia, elucidou que a escultura da praça XV, o soldado com a granada, é de autoria de Victor Brecheret.
Denise Muller falou sobre Flávio Carvalho, artista do modernismo, que escandalizava com suas obras e atos.
Foi uma palestra de altíssimo nível confirmando a qualidade dos nossos artistas.
Para descansar de tanta emoção, uma passadinha na palestra da mineiríssima Guiomar de Grammont.
Na quinta, 18 de junho,  dei uma corrida e cheguei a tempo de ver a entrega do Prêmio do Trabalhador, concurso promovido pelo vereador André Luiz  e pela Casa do Poeta e Escritor.
Fiquei extremamente feliz com a vitória do dr Nelson, meu duplo colega na UBE e na Alarp,  em primeiro lugar. Mais feliz ainda de poder prestigiar o seu momento.
Merecem os cumprimentos, o vereador André, Marisester ,pela casa do poeta e o dr Nelson pela premiação.
Meu desejo é de vida longa para o Prêmio.
Logo depois teve início o salão de idéias sobre a Universidade de São Paulo e seu papel junto á comunidade de Ribeirão Preto.
Surpreendente salão trazendo a história da Universidade , que tem seu início com  a criação do curso de Farmácia e Odontologia.
Com o coração envolto em ternuras pude aprender mais sobre esta “casa” que me proporcionou ser  o que sou.
O salão foi feito pelo Dr. Guttemberg, um exemplo de vitalidade e paixão, Dra Gláucia, Dr José Moacir e Dra e colega dentista Alma Elizaur.
Saí de lá lamentando ter que partir.
Quero mais, muito mais!!
Saí para ver o salão de Jorge Miguel Marinho, que escreveu um dos livros ,“ Te dou a lua amanhã”,  que usei para pesquisar o Mário de Andrade.
Foi uma delícia vê-lo discorrer sobre o livro e curiosidades da vida do biografado.
À tarde foi a hora de conhecer o Espaço Livre, ou Salão Palace, como foi denominado, espaço por mim organizado, para abrigar as palestras dos autores sobre os mais variados assuntos.
Fiquei realmente impressionada com a qualidade do que aconteceu ali.
Organizo o espaço há três anos, mas nunca pude acompanhar mais de perto por conta do trabalho.
Este ano, aposentada, pude ver o que se faz ali.
Os autores fazem suas palestras com muito capricho e pertinência.
Os salões foram lotados, ficou muita gente de fora e os autores tiveram a oportunidade de falar para um público desconhecido e não apenas para os amigos.
Espaço extremamente positivo.
E eu, como toda mãe que cuida de filhos trabalhosos, que jura que nunca mais, fiquei orgulhosa de poder proporcionar, através da organização, momentos de realização para os colegas e de ganho para o público.
Mais, muito mais que feliz!
Aqui os agradecimentos vão para a Laura Abad, da Feira do Livro,  e para o Wolfgang Pistori que acertaram tudo direitinho para que a programação saísse na revista.
Bem, fui ver Rose Lee Santana contar estórias de Ruth Rocha, outra homenageada da Feira.
Delícia das delícias!!!
Logo depois, houve Mara Senna, minha multi colega, de faculdade, de UBE e Alarp, e sua caprichadíssima palestra sobre o tempo e a poesia, cheia de referências filosóficas, históricas e poéticas.
Momento de Orgulho alheio!!
Sexta, 19, chegou rapidinho, era feriado e até esqueci.
Mas para nós, nada de descanso, foi dia cheio.
Começando com o grande sarau, uma já tradição da Feira, comandado pelos queridos Alfredo Rossetti, Regina Baptista, meus colegas da UBE, Nicolas Gutos e José Augusto.
Uma festa!!!!
Todos com vez e voz e com direito a sorteio no final.
À tarde , palestra com Antonio Fais, o colega de São Carlos, com as queridas Luzia Granatto, Heloísa Alves, Juliana Sfair e o Dr. Denis Bó, e mais Regina Baldini, colega da UBE. Tudo em esquema de revezamento para dar conta de ver , ao menos um pouquinho , de cada um.
Tudo mais que bom!!
Mas era hora de recolher o time para a concentração. Dia seguinte era o meu dia, o dia de Mário de Andrade.
Dia 20 chegou, sabadão de manhã. Os atrasos são fatais em dias de protagonismos e a dedicação tende a ser exclusiva.
Desta forma não dei conta de ir abraçar meus colegas Carlos Roberto Ferriani, Alarp e UBE, e nem Regina Baptista, UBE, que estiveram palestrando no mesmo horário que o meu, mas meu coração e sentimento estavam com eles.
Soube que tiveram excelente público e se saíram muitíssimo bem, como o esperado.
Vamos ao Mário.
Promovi, em nome da UBE, um sarau “Só Mário”, onde com a valiosa colaboração da platéia lemos textos, poemas, e ouvimos belas falas sobre Mário de Andrade e o modernismo.
Estavam por lá, participantes, os membros da UBE, Adriano Pelá, Cida Gaiofatto, Mara Senna, Nelson Jacintho, Áurea Laguna, João Augusto, Helena Agostinho, Cecília Figueiredo, Cláudio Muzel, Marisester Souza, Leda Pereira, a parceira Heloísa Alves, os amigos Bertha, Otávio Verri, prof. Márcio, Dumara, os alarpeanos Marilda, Adriana Silva,  a presidente Fúlvia  e ainda vou me lembrar de mais.
Trouxemos o Mário para a cena, por suas palavras.
Missão cumprida!!
Logo após teve início o salão de Idéias sobre Mário de Andrade, também coordenado por mim, em nome da UBE, tendo como convidadas as magníficas Cecília Figueiredo, UBE e ARL e Marilda Franco, Alarp.
Falei um pouquinho sobre a descoberta “Mário de Andrade”, sua biografia e sua ligação com a fundação da UBE, que nos remete diretamente ao Núcleo de Ribeirão Preto. Terminei com o poema lindo sobre  “ Quando eu morrer quero ficar...” que fala amorosamente sobre a cidade de São Paulo e mostrei alguns dos lugares de Mário na cidade e os vários retratos dele, feitos por seus amigos artistas plásticos da vanguarda modernista.
Cecília Figueiredo discorreu lindamente sobre o livro “Amar, verbo intransitivo” destacando os recursos de linguagem utilizados pelo autor , valorizando sobremaneira a obra.
Nunca mais leremos levianamente este livro e estaremos atentos para qualquer outro.
Marilda Franco falou sobre o mais famoso livro de Mário, Macunaíma.
Apresentou bela exposição de imagens e associou o texto à semiótica, sua especialidade profissional, jogando luz sobre várias passagens.
Riquíssimo salão!! Riquíssima companhia.
Sou imensamente grata pela presença dos colegas no salão.
Honradíssima!!
Felicíssima!!!
Foi pouco!!
Quero mais!!!!!
Quero mais Mário!!!
Mais tarde foi a vez de prestigiar o belo projeto da professora Ely Vieitez , que reuniu em gravação de voz, feita por Irene Coimbra, os poemas dos autores de Ribeirão Preto, com a finalidade primeira de servir aos deficientes visuais.
Irá mais longe este projeto. Levará em suas asas, nossas palavras sonoras.
Sou grata à Ely, querida colega da UBE, por esta iniciativa e realização.
Dali saí,  correndo , para a premiação dos trovadores lá no cine Cauim, junto com Mara Senna  e a Helena Agostinho.
Foi minha primeira vez, confesso, e é uma alegria ímpar estar ali.
Prêmios, troféus, medalhas, para muitos, jovens, velhos, crianças, professores.
O professor Nilton Manoel, presidente da Uniao Brasileira de Trovadores, UBT,  e também meu colega da UBE, e o novo e atuante secretário de educação , Sr. Ângelo Invernizi,  fizeram a entrega das premiações.
Nossas lindinhas campeãs ficaram felizes da vida.
Rita Mourão, UBE, ARL, Elisa Alderani, UBE,Nely Cirino, Alarp, Leda Pereira, UBE, UEI.
Ainda tentei, juro, ver Maria Rita Kehl . O assunto  árido e o cansaço do dia me levaram mais cedo para casa, mas antes passei pelas bancas para comprar um Fernando Pessoa para o aniversariante do dia Zéluiz Oliveira.
Chegou o domingo, último dia.
A praça com pouco movimento na ensolarada manhã.
Dia 21 de junho, aniversário da queridinha Jair Yanni. Resolvi trazê-la, em poema impresso, para a festa e foi assim que assistimos  um belo documentário sobre o ateliê 1104, um celeiro de talentos dos anos 60, 70.
À apresentação do documentário segui-se a apresentação da orquestra com temas de Villa Lobos, com os trabalhos sendo projetados ao fundo.
Uma excelente experiência proporcionada por Tóia Fonseca, que organizou as imagens.
No caminho da saída , mais uma premiação, desta vez dos projetos pedagógicos, prêmio Electro Bonini.
Aplaudo professor de pé!!
São trabalhos feitos com amor, além da obrigação. Trabalhos feitos objetivando os alunos, o coletivo, servindo a um ideal.
Vivi, assim, mais um bom momento na Feira.
Fui para a família e voltei para o último ato, o encerramento.
Lindas! Minhas colegas de Alarp, Denise Muller, cenografia, Gilda MOntans, Meire Genaro , musicistas e Cristina Modé, cantora, fizeram o espetáculo com as talentosas Miriam Fontana e Renata Martelli e com excelente texto do, ainda para mim desconhecido, André Bordini.
Chave de ouro, fotos, beijos, encontros, adeuses.
Minha Feira acabou assim, depois de dias agitados, num caminhar solitário para o carro, cheia de desejo de descanso , processando balanços pessoais, sonhando o futuro...

Ano que vem tem mais!!
Ps: um último e especial agradecimento ao pessoal que filmou e fotografou a Feira, a equipe de Toninho Torres com o amigo Luiz Fernando Cervi, de onde vem algumas das fotos "emprestadas" que vocês verão no àlbum.
Todas as fotos aqui: Clique na foto para ver todo o álbum.

domingo, 14 de junho de 2015

Livros- Sonhos e Recordações- Alice Vieira Martins



Alice é prima do meu pai, criada no Mato Grosso como ele, depositária de memórias em comum.
Da vida difícil, vivida no campo e na cidade, Alice mostra, em sua prosa, instantes de sua história.
Em sua poesia traz seu espírito otimista e alegre, cheio de fé e de gratidão, inspirando e convidando a trilhar este mesmo caminho.
Boa oportunidade para saber mais sobre o passado e sorrir, com ternura,  frente aos poemas.
Parabéns, Alice.

domingo, 7 de junho de 2015

Livros- Paulicéia Dilacerada- Mário Chamie



Mário Chamie, competentíssimo, era já objeto de desejo, agora, tardiamente realizado.
Em busca de Mário de Andrade, encontro-o, e outros autores, neste livro escrito também por um Mário,  miméticamente, em voz póstuma.
Com os Mários, passeei pela vida e obra de Mário de Andrade , suas dores, paixões, glórias e derrotas.
Uma leitura entremeada de poemas, instigante de passeios pela metrópole paulistana.
Agradável e útil.

domingo, 31 de maio de 2015

Livros- O Leopardo- Tomasi de Lampedusa




Lido como escolha do grupo de leitura, o livro tem no estilo seu ponto forte. Uma linguagem agradável, poética, rara sem ser incompreensível.
No relato biográfico do Principe de Salinas, acompanhamos episódios históricos da Itália, sob o olhar de quem viveu a história, as nuances da aristocracia rumo à decadência, a vida e o pensar do povo das vilas, cidade e campo.
Com um belo final, instigante e aberto.
(Parei, pouco antes do fim, para dar espaço à emoção.)
Como curiosidade cito a fala do dono do "sêbo" onde fui adquirir o livro " Livro muito bom, moça, fazia muito tempo que ninguém vinha aqui procurar por ele", disse-me ao localizar o livro. Senti nele alguma hesitação ao desfazer-se dele, talvez tenha sentido saudades e vontade de fazer uma nova leitura.
Ai! e tem o filme!!
E o brasão


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Recados do corpo



O corpo, nosso suporte vital.
Uma máquina sofisticada e ainda desconhecida.
Uma máquina básica, baseada em leis da química e da física.
( Pensando bem, as leis é que foram feitas baseadas na máquina.)
Uma máquina sujeita à influências energéticas e sutís.
Uma máquina capaz de feitos inimagináveis.
Uma máquina levada , frequentemente, ao extremo, sempre desconhecido, de sua capacidade.
Forçamos a barra, seja no lazer, no esporte, no trabalho, sem respeito aos limites.
Daí , que por vezes adoecemos, e é preciso encostar a máquina para reparos.
Doenças são recados que o nosso corpo nos transmite para que mudemos algo na nossa maneira de ser e agir.
Creio nisso, como numa religião, fervorosamente.
Sei disso agora, depois de sofrer várias paradas obrigatórias e questionar-me e debater-me e inconformar-me.
Os problemas continuam acontecendo, a idade chega, e ficamos delicados.
Tudo nos fere e a cura é mais lenta.
O corpo conta histórias de anos de abuso do seu uso.
Há que se ter o respeito necessário ao tempo.
Há que se ter o respeito e o cuidado amoroso com a máquina.
Porque ela será a mesma do começo ao fim da vida.
É preciso tratá-la como máquina que é, e fazer a manutenção.
Combustível, descanso, troca de fluídos,  reparos de danos mínimos, aprimoramento dos componentes,  em todos os setores.
Alimentos, ar, água, sono, repouso, lazer, aprendizado, assuntos vários, amores, paixões, remédinhos para manutenção, atividade física, mental e espiritual, amizades, interesses, realizações,  espiritualidade, humor.
Cuidados imprescindíveis para o bom funcionamento da máquina.
Cuidados imprescindíveis para um bom relacionamento com ela.
É um acordo, você a respeita e cuida e ela lhe serve.
Pensemos de maneira ativa e vamos lá fazer algo de bom por nós mesmos, porque, ao contrário do que muita gente pensa,somos nós, os cuidadores da nossa máquina, é nossa a responsabilidade, a lei não admite terceirização, salvo em casos extremos.
Cuidemo-nos.

Eliane Ratier

domingo, 24 de maio de 2015

Livros- Florada da Paz- Cléo Reis



Livro que realmente nos instiga a pensamentos de paz, a atitudes de amor pleno.
Acolhe nosso coração em outro peito, e nos inspira, responde, consola e anima.
Bravo, Cléo Reis!!!
A beleza , a bondade, o amor, o otimismo são traços de positivo viver, esperança de um mundo melhor, crença no divino que habita todo humano.
Parabéns!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Livro é tudo de bom!!


Livro é tudo de bom!!!
Amo, desde sempre,ler!!!
Talvez meu primeiro livro oficial, e o de muita gente,  aquele que a escola recomenda, tenha sido  “O Menino do dedo verde “ e Maurice Druon.
Pela mesma época eu tinha um livro de contos infantis , dos quais não me lembro, mas com belíssimas ilustrações.
Daí  veio, pelas mãos do pai, o “Reinações de Narizinho” do Monteiro Lobato, muitas páginas no desértico branco e preto das letras sobre o papel com raras ilustrações, também sem cor.
Apaixonante!!!!
Acho que eu era uma pessoa normal até aí, até “Reinações”.
Tinha 10 anos então, e ainda brincava na rua, com bonecas, e sonhava em ser bailarina.
Depois mudei-me de cidade, de fase escolar, de categoria humana, deixei de ser criança, virei uma quase moça, sem brinquedos na rua, duvidando do direito às bonecas no Natal.
Fui morar perto de uma prima, professora, que tinha uma coleção imensa de livros infanto-juvenís, da Abril, coloridos, capas duras.
Lí-os todos! Devorei-os, um atrás do outro, sem descanso. Tarefa para mais de um ano.
Mudei de escola, esta tinha biblioteca e aprendi o caminho.
Poderia ser considerada uma “nerd” na época, o livro sempre debaixo do braço, sem dar espaço a tempo perdido, na aula vaga, no intervalo.
E ia a festas , namorava, brincava, ria, dançava, como todo mundo.
Quando entrei no colegial, mudei novamente de escola e , na visita ao prédio novo perguntei pela biblioteca.
Ela existia, mas estava fechada.
Quem quisesse usá-la,  podia pedir a chave, enfrentar o pó,  e devolver depois.
Muitas vezes entrei ali, sozinha, dona de todos os livros abandonados.
Li, li e li. Geralmente livros emprestados, ganhados ou recomendados por amigos leitores.
Li para o vestibular, entrei para a faculdade e...Parei de ler!!!!
Não dava tempo, o mundo era cheio de novidades, exigências de gente grande e responsabilidades.
Estudei, me formei e daí, na inércia da espera dos primeiros tempos profissionais, descobri os sebos.
Pegava os livros, lia e depois os trocava por outros.
Tanta coisa boa passou por minha mão!
Daí vieram os filhos e a vida apertou o passo.
Na mesma época comecei a trabalhar em escolas e, nelas, continuei descobrindo as bibliotecas.
Tinha as chaves, o desejo, a curiosidade pelo mundo sem fim dos autores contemporâneos.
Lia, recomendava, arrumava estantes, tirava o pó. E esse nem era o meu trabalho.
Meu trabalho era bem outro.
Assim fui do ensino fundamental, para  a pré escola, depois de volta para o fundamental com o médio.
Aí foi a glória!!!!!
A biblioteca desta escola era imensa, tinha bibliotecária, e o governo mandava caixas de livros para a biblioteca, os professores e alunos.
Como todos sabiam do meu gosto, eu era chamada para ajudar a abrir as caixas.
Era deslumbrante!!
A emoção do papel virgem, da qualidade, da raridade.
Um sonho !!!
Li muito, li demais, li com foco, li com desejo, li  como pesquisa e , de repente, escrevi.
Escrevendo, leio para aprender, para trocar, para conhecer, para ensinar, por indicação, porque foi presente, para opinar, por deleite, para viajar, para enriquecer minha cultura, para inspiração, para escrever.
Assim, o livro se tornou, para mim, um grande amigo, companheiro de todas as horas, do descanso, do lazer, das esperas, da solidão , da dor, coadjuvante das alegrias, depositário de encantos. Antídoto contra a dureza das objetividades, o livro é um convite à viagem, uma porta para outro lugar, uma fuga, uma alento.
Dia que me arrependo é quando não ponho um livro na bolsa e perco o tempo precioso em alguma inesperada espera.
E esta é minha história com os livros.
Vivo cercada, há pilhas deles e classificações para as esperas,e sempre chegam mais.
Criei um registro no computador onde anoto sobre os livros lidos,  para não me esquecer. Isso me ajuda muito, me obriga a pensar, refletir sobre o que foi aquele livro para mim.
Há frentes de leitura, normalmente três .
Ainda tenho alguma pressa no ato.
É a gula literária.
Leio em papel,  é mais gostoso, dobro as páginas, às vezes me atrevo a grifar algo mesmo com temor do dano.
Leio e uso o computador para ampliar a leitura ou dirimir dúvidas.
Leio livros novos e usados.
Gosto muito dos usados, vem com história extra, uma dedicatória, um nome, um poema, uma flor seca, uma nota de dinheiro ou a nota de compra, carimbo ou selo de uma livraria extinta.
Amo ler !
Eu te convido a amar também.
Eliane Ratier, já obesa pelo alto consumo literário.




domingo, 17 de maio de 2015

Livros - Concerto para Corpo e Alma- Rubem Alves



Rubem Alves, educador, será um dos autores homenageados pela Feira do Livro de Ribeirão Preto em 2015.
Por lembrança de um amigo, comprei o livro. Comprei dois exemplares, um para presenteá-lo.
Com idéias simples, citações, vivências, e acompanhado lindamente com as sugestões musicais, o livro é um alento para momentos difíceis, um descanso para a agitação cotidiana. Fácil e leve.
Um carinho.
Livro para ser consultado, aberto ao acaso, na certeza de ver pular de suas páginas frases de espírito que despertarão sorrisos.
Rubem Alves é assim.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Minha turma



Acho que já escrevi sobre isso aqui, mas como a memória é cada vez mais falha, e pelo andar da carruagem e pelo adiantado da hora, não procurarei por este texto, escreverei de novo.
Nunca tive turma. Fui de todas e de nenhuma.
Como cachorro de muito dono, ninguém tinha a obrigação de me incluir, ou seja, cuidar de mim.
Não, não, não , sem chororô, sem problemas, muito pelo contrário, amo esta independência.
Mas agora...acho que achei a minha turma.
Não temos uma aparência física definida e uniforme, nem pertencemos à uma determinada classe social, mas portamos um ar etéreo, algo angelical e misterioso,  um jeito de fazer sumir o olhar no horizonte vislumbrando segredos que o outro entende sem questionar.
Somos facilmente abraçáveis e vertemos lágrimas de emoção a cada momento.
Parecemos fortes, destemidos, mas nossas mãos tremem e nossas vozes embargam sem aparentes motivos.
Somos capazes de esquecer do mundo quando estamos com um livro, ou de passar horas, semanas, meses, quando pouco,  no aperfeiçoamento da ideia, do traço, na busca de uma palavra perfeita. Soube de um caso onde ela só apareceu depois de uma década!!
Encantamo-nos com tudo, principalmente com a simplicidade.
Temos o senso de valor alterado. Nossos tesouros não são, necessariamente, de ouro e prata, mas apreciamos noites de lua, belas paisagens,  música, vinhos e um bom jantar.
Suspiramos pelos cantos e estamos bem.
Temos o coração opresso e fazemos lindezas.
O olhos molhados são os que melhor veem.
Pois é , foi assim, de repente, que me encontrei enturmada, acolhida com generosidade, desejada pelo que tenho de melhor, meu pensar, meu agir, meu fazer, meu sorrir.
Obrigada, amigos poetas, artistas, minha turma, turma boa, turma querida.
Eliane Ratier

domingo, 10 de maio de 2015

Livros- Pouso do Sossego- Menalton Braff



Segundo livro de uma trilogia.
Lido o primeiro, "Tapete de Silêncio", um livro de ação, o segundo, " Pouso do Sossego" é um avanço de 3 anos no tempo.
Estranho o comportamento da protagonista, mas, mais à frente, ela traz de volta sua essência revelada em "Tapete", e a contorna, sob as hábeis mãos do mestre Menalton, rumo à uma maturidade.
O final surpreende e nos deixa querendo mais, o que será o bom estofo do próximo livro.
Que a espera seja breve.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Vontade de dançar






Já falei sobre a dança, aqui, lá, em muitos lugares.
Amo! Amor primeiro, a arte de base, semente do prazer, o sonho.
Ainda me lembro da enorme felicidade que me invadia,  eu menina de nove, dez anos, depois de uma aula puxada, ao tirar o colant , naquele tempo de malha de algodão, molhado de suor, e entrar no banho ainda ensaiando os passos aprendidos.
Fiquei, assim ,marcada para sempre.
Ainda espero elevadores em primeira ou quinta posições, executando discretos "tandus".
Bem, só para situar.
Já fiz loucuras, agora estou mais calma.
Mas ando com comichões quase incontroláveis e temo um vexame próximo, um transbordamento em público, quando ao ouvir uma música não consiga controlar os quadris, nem refrear os passos em cadência.
É que não tenho feito mais aulas de dança. Nada , nadica. Estou parada e sem perspectiva.
Daí que uma amiga, que sabe o que sinto, ao ouvir meus queixumes, deu a solução , aparentemente simples, - Dance em casa. Ponha a música e dance.
Querida amiga, que sabe o que sinto pois também sente, estou arquitetando um plano para viabilizar a prática de seu conselho. É que não é tão simples assim. Tem sempre alguém em casa, e convenhamos, pode parecer bem estranho dançar, sozinha, na sala de casa com testemunhas. Se fôssemos dois, ou um grupo, sem problemas, mas sozinha...pode realmente parecer estranho, posso ter minha sanidade mental posta em dúvida.
Então que tenho que escolher  a música, testar o som e inventar um banco, uma compra, um qualquer coisa, para que os viventes da casa saiam e eu tenha a necessária privacidade para o alívio desta vontade que me consome.
Depois eu conto, amiga, como consegui e se foi válido.
Espero que dê resultado.
Desejos incontidos satisfeitos em locais públicos podem ser dasastrosos para a reputação dos envolvidos.
Me aguarde.
Enquanto isso , que tal essa música para começar a sessão de dançaterapia?



domingo, 3 de maio de 2015

Livros- Esaú e Jacó - Machado de Assis



Genial! Não há outro termo. Machado pinta e borda neste romance ao fazer, o tempo todo, interlocuções com o leitor e observações como narrador, tendo como pano de fundo a passagem da monarquia para a república.
Saborosíssimo!!
Lido por indicação do Clube de Leitura, há muito tempo, mas só terminado agora.

domingo, 26 de abril de 2015

Livros- As afinidades eletivas- Goethe



Uótimo!!!!!
Sempre desejei um Goethe e este foi espetacular.
Um livro que não se tem vontade de largar.
Cheio das convicções do autor permeando a história.
Dramático como um romântico.

domingo, 19 de abril de 2015

Livros- Dom Segundo Sombra- Ricardo Guiraldes

                                                          

Ainda não achei a palavra certa para definí-lo. Não quero usar clichês nem palavras que generalizem.
Tenho a dizer do como fiquei feliz em poder apreciá-lo.
Sugestão da Roda de Leitura online, o livro me levou para casa, no colo das palavras do dizer típico gaúcho, coisas que ouvia e ouço no repertório familiar, como que exclusivas.
Uma excursão aos pampas mas não apenas contemplativa.
Na pele do narrador, tropeiro feito por destino, somos iniciados, como ele mesmo, na vida campeira, em condução primorosa, em paisagens estarrecedoras, em situações de aventura.
Muitíssimo boa leitura!

domingo, 12 de abril de 2015

Livros- Felicidade Conjugal- Lev Tolstói

                                                           

Delícia de romance.
Curto e intenso.
Uma visita à Rússia pelas hábeis mãos do autor, do campo à cidade, acompanhando os modos de vida próprios de cada ambiente social, conhecendo os costumes da época e reencontrando , no enredo, o comportamento atemporal,  típico do humano.
Um clássico é sempre atual.