quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Deleites dos dias de chuva



Deleites dos dias de chuva
Choveu muito! Lembram-se? Um janeiro inteiro.
Aí eu que cheguei atrasada em minha própria casa, fora de horário e de tempo, tive a graça da permanência.
Cheguei e fiquei, em reclusão voluntária, poupando a voz, economizando os passos, fazendo o reconhecimento dos espaços, abraçando mentalmente cada luz coada pelas vidraças, o frescor do piso e a carícia dos tapetes.
Arrumei o de necessidade, arrumei detalhes e antiguidades.
Dentre as necessidades: a papelada.
Papel, para mim, é ouro.
Guardo documentos, recibos, contas, cartas, cadernos, revistas, recortes de jornais, papel virgem e impresso.
Livros de todo feitio e para toda finalidade.
Guardo o que precisa e o inútil.
Guardo o que amo, sem porque.
Então foi que, com o tempo que a chuva me deu, resolvi descartar alguma papelada absolutamente sem valor, passada em forma e função, obsoleta, de uma outra vida, talvez até de uma outra pessoa.
A desculpa para mexer com ela foi a procura de um documento, que achei caído atrás da última gaveta da escrivaninha, amassado, empoeirado, no rés do chão, depois do trabalho feito, quando o sol já brilhava lá fora.
Foram dias especiais de limpeza.
Uma olhadela aqui e ali e corta e pica e rasga e recicla e reaproveita e desmancha n’água.
Fiquei feliz com o trabalho concluído, coisas estagnadas enfim em movimento, mas devo confessar que a vitória não foi completa.
Muitas coisas peguei na mão e , sentimental, devolvi ao armário para um segundo momento, sabendo que ali havia algo mais do que papel.
Sim, guardei para depois.
Aguardo novas chuvas.
O que para mim foi puro deleite pode lhes soar como um disparate.
Defendo meu direito : Cada louco com sua mania!

E tenho dito!!


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Livros- A Feiticeira- Michelet



Peguei o livro na biblioteca.
O título chamou-me a atenção.
Feiticeira é algo bem do universo feminino.
Não entendi muito do formato, por longo tempo fiquei na dúvida sobre a posição do autor, mas o fecho valeu cada linha das quase trezentas páginas relatando os horrores cometidos em nome da religião a favor de interesses próprios (segundo as pesquisas , um relato bastante impreciso).
Homens, mulheres, nobres, eclesiásticos, povo.
Mais um pedaço da história desnudada.
O fecho, que pode me por em encrenca com as feministas, ou as mulheres de negócios, é para mim uma confirmação do papel especial da mulher na sociedade.
" Nos últimos séculos, a mulher, ocupada em negócios de homens, perdeu em contrapartida seu verdadeiro papel: o da medicação, o da consolação, o da fada que cura. É esse o seu verdadeiro sacerdócio."
O livro foi publicado em meados do século XIX.

Sobre o autor:
Jules Michelet-1798- 1874- foi um importante filósofo e historiador francês. Sua obra é polêmica em vários aspectos e seu livro mais famoso é a História da Revolução Francesa.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Livros- Relações Saudáveis- Parábolas Essenciais- Códigos da Vida- Legrand



Ah!
Ok!
É auto ajuda, mas se é a dose que transforma o veneno em remédio, o consumo ocasional não mata, nem engorda, apenas aviva a memória, lembra-nos do que já sabemos.
E foi assim que me vi com os três agradáveis livrinhos de bolso nas mãos.
Livros de bolso são quase irresistíveis. Tão bom tamanho para carregar na bolsa como boa companhia para esperas certas!
Leves, amenos, passatempo que traz sorrisos e faz brotar algumas lágrimas.
O instigante foi descobrir quem era o autor, pois o nome, nas pesquisas, remetia á um expoente literário francês.
Descoberta a verdadeira identidade, partilho com vocês, direto do site da editora Soler.
    Sebástian Justo: carioca, editor e escritor com o pseudônimo LEGRAND, formado em marketing, autor de Parábolas Eternas – O Importante é Ser Feliz – Frases Malditas – A Utopia do Brasil – A Vida por Linhas Certas – Aprendendo a Viver – Caixa de Ferramentas – Códigos Eternos – Força para Viver – 365 Mensagens & Reflexões – Que Seja Eterno Enquanto Dure –O Retrato de Oscar Wilde – O Destino é Você Quem Faz – Criando Filhos – Códigos da Vida – Algodão entre Cristais – Coleção Pequenas Lições – Mãe, Tudo de Bom – Minutos de Oração – Viva como as Flores – Dançando com a Vida – Espelhos & Reflexos – Juntos, Seremos Felizes – Momentos de Sabedoria – Moral da História – Pai, Eternamente – Sapientia Populi – Seja Feliz
    Organizador dos anuários de Arquitetura, Moda Mineira e Mulheres de Minas.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Livros- Saga de Palavras- vários



Saga de Palavras e uma antologia das queridas autoras de Piracicaba.
Uma delícia de conversa cotidiana em vozes variadas.
Experiências, vivências, causos, humor.
Uma leitura que nos estimula a também escrever, como resposta, aos temas abordados.
Para as meninas, meus beijos, e o desejo de mais.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Tudo de novo



Acho que perdia a inocência.
Admito, agora, que o ano novo é só uma mudança no calendário que dá um imenso trabalho.
Acredito que é uma boa data , energética, para bons pensamentos e bons desejos.
O mundo para por isso. Só que não. Não quando seu desejo e sua necessidade são de movimento.
Ficamos forçosamente em férias aguardando que a engrenagem novamente se mexa após as festas. Uma verdadeira angústia para quem tem pressa. E assim que ela se move nos deparamos com seres modorrentos que estão em pura ressaca física das bebilanças , comilanças, viagens, parentes, visitas.
Com os impostos, previstos gastos extras, vencendo, sem piedade, na segunda semana do mês, as contas nas mesmas datas de sempre.
Os retornos médicos, o cabelo que embranquece, a despensa que precisa ser reposta, a lista interminável de afazeres já atrasados, a mesma conhecida rotina com nova data anual.
Mais um ano.
Os planos?
Fazemo-los sempre, sem muita certeza.
Não temos o controle de nada.
Melhor investir na prontidão, no jogo de cintura, no faro para as oportunidades e aproveitar as marés, enquanto não mudam, porque irão mudar.
Adotarei a boa , velha e sábia frase , "Tudo passa".
Beijos, os de sempre, com sincero carinho e afeto,  para 2016.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Livros- O menino que não gostava de nada- Fabrício Bispo



Fabrício é um jovem talentoso, de boa voz,  desinibido e prático, que interage bem com o público, conta e cria estórias instantâneas em seu ritmo já incorporado.
Este pequeno livro traz sua biografia , um prefácio e um conto que Fabrício não lê em voz alta para não influenciar o entendimento do leitor.
Um conto que fala sobre um menino, como muitos em nossos caminhos, que tem seus próprios valores.
O texto vem em versos com rimas e ritmo.
Parabéns, Fabrício!
Continue se aprimorando.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Livros- Eternidades na Palma da Mão- Mara Senna


Mara Senna é adepta dos poemas curtos, alguns com pitadas de humor , falando do comum e fornecendo material para reflexão.
Em sua temática encontro respostas e dúvidas nas quais me reconheço.
Neste livro, Mara vem leve e moderna na voz.
Traz poemas que tenho vontade de decorar e sair dizendo por aí.
Não marquei os prediletos, por não conseguir achá-los, todos tem algo a dizer.
Parabéns, Mara!!

domingo, 27 de dezembro de 2015

Livros. Elementos- Maria Helena Sato



Livro em pequeno formato desta minha recém-conhecida escritora, delicadamente ilustrado por seu marido.
Breves contos que passeiam por cidades como São Paulo, Rio, Londres, Paris sob os temas do ar, terra, água e fogo.
Agradável leitura na boa voz de Maria Helena.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Livros- Ás Avessas- Joris Huysmans



Livro lido por indicação do Grupo de Leitura.
Meu cérebro bateu palminhas excitado ao ler os primeiros parágrafos.
Diversão garantida com linguagem riquíssima e assuntos interessantíssimos esmiuçados num desfile de conhecimento.
Folguei em saber que outros também não conseguiram apreender todo o significado da linguagem nem mesmo pesquisar sobre o conteúdo exposto.
Um livro que pode render muito se se pode ir atrás do que não foi entendido na primeira leitura.
Mas vamos ao técnico da coisa.
Um romance divisor de águas, inovador, fora da estrutura clássica do gênero, sem conflitos.
Vou copiar aqui a resenha do mestre Menalton para que tudo se explique em voz competente.
Excelente leitura!!

" Sem se cometer exagero, pode-se dizer que o autor foi o marco inicial de toda literatura moderna, tendo como credo principal o pensamento decadentista, de onde se originam o Simbolismo e mais tarde todos os Modernismos. E uma das rupturas com a tradição literária, sobretudo em prosa, é a desvalorização do enredo, como seriam logo depois os romances de Proust, V. Woolf, James Joyce e os que lhes sucederam."
(trecho retirado do Blog do Menalton- postagem original aqui : http://blogdomenalton.blogspot.com.br/2015/12/nosso-grupo-de-leitura.html?spref=fb

domingo, 13 de dezembro de 2015

Livros- Antologia da UBE- organização Joaquim Maria Botelho



Ah, gente é assim: ganho, compro, empresto os livros e eles entram numa longa fila até serem lidos, e quando o são, tem minha total atenção.
Esta antologia é uma vitrine de bons e afamados escritores.
Para minha felicidade, com escritores aqui de Ribeirão Preto , nossos colegas de todos os dias, nossos vizinhos, parceiros e companheiros de sonhos e lidas.
Figuram nesta antologia: Leda Pereira, Regina Baptista, Mara Senna, Menalton Braff, Ely Vieitez Lisboa.
Organizado pelo ex presidente da UBE, Joaquim Maria Botelho, a antologia traz a qualidade homogênea o que torna a leitura prazerosa e atenta.
Parabéns, colegas da UBE!
Parabéns, Joaquim!
Em breve o livro estará o espaço do Instituto do livro para leitura.

domingo, 6 de dezembro de 2015

livros- Dia de Chuva- Tempo do meu tempo- Concisão- Alfredo Rossetti




Alfredo Rossetti é um de nossos melhores poetas.
Culto, brincante da palavra, faz com que seu texto seja sentido antes de ser compreendido.
Não sabemos bem, mas algo ali nos diz respeito.
É uma conversa que agrada.
Amo!
"Concisão" é livro de sala.
Daqueles para a gente por os olhos e acordar a mente da mesmice que nos cerca.
Parabéns, Alfredo!!!

domingo, 29 de novembro de 2015

Livros- Os piores dias de minha vida foram todos- Evandro Afonso Ferreira



Sim, voltei à ele, mas não, ainda gostei mais do outro ( O mendigo...).
Em sua peculiar linguagem repetitiva e abordando temas que nos são próximos o autor surpreende pelo enfoque da morte autonarrada do personagem central .
O ponto de luz que me tocou é a referência que o personagem faz ao amigo escritor que já se foi, um apoio, um alento, assim como são as boas amizades.

domingo, 22 de novembro de 2015

Livros- ponte@palavra.cv.br- Maria Helena Sato




Acabo de ter  o imenso prazer de conhecer a poeta Maria Helena Sato.
Maria Helena é para mim, ainda a palavra , sem físico.
Como flores do ofício ela me chega pelas mãos de Fatu Antunes que a receberá na Oficina Cultural Cândido Portinari, aqui em Ribeirão Preto, Rua Visconde de Inhaúma, 490, primeiro andar,  para o lançamento deste livro,  e uma boa conversa, no dia 26 de novembro de 2015, às 19horas,e , generosamente convida-me para mediar o encontro.
Preparando-me para ele fiz a leitura deste e de outros livros da autora.
Ponte é um livro à seis mãos, feito em parceria com sua antiga professora, quase uma homenagem afetiva e com a  filha desta, especialista em educação.
Ha poesia de grande qualidade e textos de quem vibra com o ato de educar em suas mais variadas formas.
Um verdadeiro presente!!
Além da "ponte", fiz a leitura de" Bonsais e Haicais"," Faíscas" com deliciosos poemas minimalistas,  dos líricos " Areias e Ramas" e  " Recados de Mulheres para os homens que as amam", do inspirador "Farol" e da bela homenagem à sua eterna terra, Cabo Verde, " Caleidoscópio".
Uma festa para a alma!
Aproveitem!!!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Dia da Bandeira



Sou filha de militar,e  quem também é sabe do que eu estou falando.
Cada profissão tem sua peculiaridade e ela influencia nas rotinas familiares, nos assuntos , nos modos de lidar com cada coisa.
Minha casa tinha boas regras e sou grata por elas.
Meu pai não é tão linha dura como possa-se supor.
O militar lida diretamente com os valores da Pátria, o civismo, seus símbolos, suas cerimônias.
Meu pai sabe todos os hinos, só não sei se ainda se lembra deles, e os cantarolava em casa.
Eu e meu irmão ouvimos todos e quando os professores de Educação Moral e Cívica, sim era esse o nome, os apresentava, já eram nossos velhos conhecidos.
O hino da Marinha é lindo!!
O da Bandeira faz parte da rotina de alguns centros cívicos e foi um prazer reencontrá-lo, adulta.
Falo isso porque hoje é difícil ouvir outro hino que não o brasileiro.
Trabalhei em escolas nos últimos 30 anos e as manifestações cívicas são tímidas como se pecado fosse cultuar a Pátria.
Suspeito que seja efeito da ditadura.
Mas este assunto é para outra hora.
Hoje vou contar de um longínquo Dia da Bandeira, 19 de novembro, talvez 1970.
No dia da Bandeira os quartéis fazem a queima das bandeiras inservíveis em cerimônia oficial.
As bandeiras estragadas, rasgadas,  não podem ser descartadas de maneira comum. Elas devem ser entregues aos quartéis para que sejam devidamente processadas.
Num destes dias meu pai resolveu nos levar ao ofício.
Meu pai comandaria a cerimônia da queima da bandeira que aconteceria em frente à Catedral de Ribeirão Preto, na praça das Bandeiras.
Chovia e mesmo assim o ritual foi mantido.
O fogo aceso em recipiente próprio, os soldados perfilados, a bandeira nova sendo hasteada, os hinos cantados.
Havia público, autoridades e a imprensa. As coisas, então , tinham outro prestígio.
Eu e meu irmão ficamos, perfilados e sérios, vestidos com nossas capas de chuva elegantemente infantís, nas escadarias da igreja.
Nossa foto saiu no jornal, foi a primeira vez.
Esta foi a lembrança palpável que ficou.
Um recorte de jornal minha mãe deve ter guardado.
Na mente, o que não se apaga, é o fim da querida e reverenciada bandeira.
Achei algo cruel queimá-la.
Hoje sei que o fogo é sagrado e purificador, mas mesmo assim, me faz pena consumir o tecido vivo, que tremulava ao vento, sinalizando com cores e movimento a vida desta nossa terra natal.
Quanto aos hinos, o da Bandeira é também muito bonito, transbordante do amor que nem sabemos que temos.
Cantarolei-o pela manhã, com saudades de um outro tempo.
Deixo-o aqui para relembrar e comemorar a data.

Da Wikipedia

O Hino à Bandeira do Brasil tem letra de Olavo Bilac (1865-1918) e música de Francisco Braga (1868-1945). Foi apresentado pela primeira vez em 1906. Surgiu inicialmente de um pedido do prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos, ao poeta Olavo Bilac e ao prof. Francisco Braga. Inicialmente foi utilizado pela prefeitura do Rio de Janeiro, sendo cantado nas escolas e posteriormente sua execução foi se estendendo às corporações militares e demais estados .

Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
poderoso e feliz há de ser!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!



domingo, 1 de novembro de 2015

Livros- " O Mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam" Evandro Affonso Ferreira



Ganhei este livro de presente do pessoal do Grupo de Leitura.
Fiquei algo apreensiva pois não tinha conseguido ler o outro título, deste mesmo autor, proposto pelo grupo, mas surpreendi-me positivamente.
Em seu estilo repetitivo, há um enredo envolvente que nos leva à conclusão pressentida em surpreendente revelação poética, além de proporcionar um passeio pela obra de Erasmo de Rotterdam, fazendo vontades de conhecer mais. Uma estória terna e humana que se repete todos os dias.
Gostei tanto que devo voltar ao que abandonei para redescobrir o autor.