Djalma, esta pessoa surpreendente, nasceu em 05 de dezembro de 1946, um sagitariano de coração imenso.
Cursou Direito, mas formou-se médico .
Foi assim que o conheci, médico dos alunos da USP, aluna de odontologia que era nos anos 80.
O tempo caminhou duas décadas e o reencontrei ator.
Concerto de Senhoritas com o grupo Boca no trombone.
Achei o título engraçado, e o nome do grupo mais ainda, e a peça não trai a promessa, é hilária.
Respeitáveis senhores (um deles médico!!), vestidos de mulher e fazendo comédia rasgada .
Desacreditei. Mas como assim? Djalma era o médico e o ator travestido?
Este fato foi , para mim, parte do alento.
Eu, que dentista, profissão técnica e de saúde, relutava em permitir que meu lado artístico tomasse lugar na minha vida com receio de turvar a imagem social, vi naquela ocasião uma corajosa demonstração de honestidade e percebi que ser verdadeiro é ser fiel a si mesmo, é ser inteiro.
Somos multifacetados
Que tudo possa conviver em paz.
Djalma era ator desde os tempos da faculdade de direito.
Nunca abandonou sua arte.
Um caso bem sucedido de convivência entre as muitas faces que carregamos.
Usou da arte dramática para ensinar na faculdade.
Usou seus talentos para promover abordagens diagnósticas baseadas na humanização , na empatia , no envolvimento e na qualidade de atenção oferecida ao paciente no ato médico.
Djalma escrevia sobre isso em seu blog e escrevia também e principalmente poemas pungentes e belos, de uma sensualidade vivaz, como um desejante rapaz de 20 anos com a sabedoria, sensibilidade e vivência da maturidade.
Sua paixão pelos textos, poetas, transbordava o seu ser e atingia seus discípulos, aspirantes a doutores, fazendo-os amantes da literatura.
Sim , sou testemunha , pude ver sua mão de artista a incentivá-los.
Como uma reserva mágica, ou quem sabe para aprimoramento do seu ser artístico, Djalma exercitava o canto.
Cantava no coral Minaz e estava fazendo solos de música americana.
Tive o privilégio de tê-lo como meu convidado e atração nos saraus da Paraler.
Disposto, doce e presente.
Uma inspiração.
Uma precoce perda, tanta coisa ainda com ele.
Djalma se foi em setembro de 2011.
Dois anos já.
Mas para tê-lo junto a nós, trago suas palavras:
Brindo a Djalma, agradecendo nossa breve convivência e peço sua benção e inspiração nas múltiplas funções , que como ele, exerço.
infinito
é o tamanho
exato
tangências
eu encontro
no teu abraço
círculos
retas e desvios
desvarios
cordas
secantes
colcheias
se cantas
te ouço
em transe
partituras
tuas
músicas
amanheço
acordes
dissonantes
se te procuro
não te encontro
outra dimensão
o acordo
é tácito
desinscrito
se aceito?
não, claro que não!
Não!
movediço
esse espaço
cambaleio
manhã
acontece
todo dia
respirar
é
automático
a força
é necessária
no bloqueio
vale a vida
volta
vale a pena
tesouro
se acha
uma vez
depois
o lamento
faz doer
Nenhum comentário:
Postar um comentário